Aguardada versão de Pantanal, exibida na TV Globo, conquistou o público e caminha para ser um dos maiores sucessos recentes da televisão aberta. Crítico especializada, Nilson Xavier elenca razões e espectador ressalta impressões positivas da novela

Danielber Noronha 

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O remake de Pantanal se aproxima da metade dos capítulos previstos para irem ao ar e não é precipitado carimbar a novela de Bruno Luperi – adaptado da obra do avô, Benedito Ruy Barbosa – como um sucesso. São muitas as provas da grande aceitação do público ao folhetim rural, a começar pelos memes compartilhados aos montes nas redes sociais a partir de momentos da trama, incluindo a legião de “bruaquers” que vibram com as cenas recentes de Maria Bruaca (Isabel Teixeira) e sua guinada na história.

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Maria Bruaca (Isabel Teixeira) conquistou uma legião de fãs (Foto: Divulgação/Globo)

O sucesso, neste caso, não se restringe apenas às redes e os números consolidados de audiência são bem diferentes daqueles apresentados pela antecessora, Um Lugar ao Sol. Dados do Kantar Ibobe mostram que os 50 primeiros capítulos fizeram a TV Globo aumentar em, pelo menos, 27% a audiência do horário nobre na Grande São Paulo. Ainda na região, o capítulo em que o peão Leandro é devorado por piranhas registrou 33,1 pontos, melhor índice desde a exibição do último capítulo de Amor de Mãe. “A pandemia desacelerou a produção audiovisual e também a expectativa do público. Nós tivemos novelas que passaram por uma baixa [audiência] e que as atuais estão tendo que reconquistar o público, que parece estar voltando aos poucos, tendo seu ápice em Pantanal”, avalia Nilson Xavier, autor do Almanaque da Telenovela Brasileira e crítico de televisão.

Mais do que atrair de volta o público diluído ao longo das últimas reprises e tramas mornas, a história de Jove (Jesuíta Barbosa) e Juma (Alanis Guillen) tem atraído até aqueles menos afeiçoados ao gênero. Segundo a própria emissora, a produção é a mais vista pelo público masculino nos últimos dez anos na faixa das nove, igualando-se ao feito alcançado pelo sucesso Avenida Brasil. Aumentando a lista de conquistas, a novela também se tornou um fenômeno entre os jovens, fatia da audiência que há tempos a Globo tenta se reaproximar. Nos streamings de música, até as faixas da trilha sonora estão em alta.

Audiência cativa
Aos 28 anos, o fotógrafo Rycardo Alves, encaixado nos dois cobiçados marcadores almejados pela Globo, se viu apaixonado pela trama desde o primeiro capítulo. Havia em seu imaginário a figura de Juma e seus trejeitos animalescos da 1ª versão, mas o encantamento veio a partir das cenas paradisíacas do Pantanal, fazendo-o retomar o hábito esquecido de ver novelas. “Um ponto que me interessou foi o fato de ser uma novela descentralizada do eixo Rio/São Paulo, indo para uma região do Brasil muito bonita. Ela traz elementos quase folclóricos e faz o Pantanal parecer um lugar mágico”, justifica.

Acostumado com a dinâmica das séries, Alves destaca, ainda, que o folhetim não costuma abraçar arquétipos do bem e do mal, caminho muito explorado pelas novelas brasileiras. “Não tem tanto aquele padrão de vilão e mocinho. Um dia estou gostando de um personagem e no outro já estou odiando”, complementa. Além de atender a esses novos anseios do público mais jovem, a trama não deixa de cumprir os requisitos básicos das novelas: entreter e servir como escape à realidade. Isto quem demonstra é o próprio espectador: “Passo o dia trabalhando e quando ligo a televisão me deparo com imagens belíssimas. É como se fosse transportado para lá”, ressalta Alves.

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Acertos do remake
No olhar de Nilson Xavier, a nova versão faz jus à original e, em algumas partes, consegue até mais êxito. “Estamos falando de uma novela feita em 2022, pela Globo, com uma produção de primeira, fotografia maravilhosa e imagens belíssimas. A primeira [versão] também era, mas na década de 1990, com os recursos que havia na época”, compara. “A grande vantagem é que a adaptação está enxugando o que era um charme na novela da TV Manchete, mas que não se aplica hoje em dia, como as imagens longas de natureza, que à época eram novidade, mas, hoje poderiam afugentar o telespectador”, pondera.

Além disso, fatores primordiais para a boa execução de um projeto como elenco e trama, segundo o crítico de televisão, também são satisfatórios. “É uma novela muito dinâmica, que prende, os homens gostam, os jovens gostam. As novelas brasileiras estavam há muito tempo distantes de tramas rurais no horário nobre. Isso é uma novidade também para 2022”, completa Nilson Xavier.