Jadeilson Feitosa detalha trajetória do Grupo Blitz, que usa arte e cultura para valorizar e divulgar o talento cearense

Ator e diretor de criação do Grupo Blitz, Jadeilson Feitosa detalha a trajetória da empresa que se consolidou no setor cultural e de entretenimento, unindo arte, tecnologia e interatividade em eventos corporativos, espetáculos artísticos, parques itinerantes e projetos audiovisuais, como o filme dos personagens Tac Tacs, com participação de Bráulio Bessa, que agora virará série com grande elenco

Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br

O cearense é conhecido pela grande inventividade que carrega consigo. Um exemplo é Jadeilson Feitosa. Ao lado do irmão, Jaderson, criou o Grupo Blitz, que acumula longa experiência na concepção de performances, espetáculos e ativações de marca que aproximam empresas de seu público alvo. “O que nos move até hoje é essa inquietação criativa, esse desejo de transformar cultura em algo acessível, rentável”, detalha o diretor criativo do Grupo.

Com quase duas décadas de existência, a empresa expandiu atuação, com a criação de parques temáticos, produções audiovisuais da marca Tac Tacs, produtos licenciados, etc. “Trabalhamos incansavelmente para o reconhecimento da marca Tac Tacs a nível nacional”, ressalta Feitosa. Ao O Otimista, o também ator fala sobre o crescimento das oportunidades de mercado no setor cultural a partir da expansão do Grupo, além da importância da criação de produtos autenticamente cearenses para uma nova geração de consumidores que, apesar da pouca idade, também gostam de qualidade. Boa leitura!

O Otimista – Como nasceu o Grupo Blitz?
Jadeilson Feitosa – O Grupo Blitz nasceu da paixão pela arte, pela comunicação e pela vontade de criar experiências que realmente tocassem as pessoas. Viemos de uma família de três irmãos que já trabalhavam com teatro. Começamos na sala de casa, há quase duas décadas, com o objetivo de gerar trabalho para que artistas pudessem viver daquilo que produzem. Nossos primeiros trabalhos foram em convenções corporativas, unindo criatividade e profissionalismo. No início, éramos um grupo pequeno, mas com ideias grandes. O que nos move até hoje é essa inquietação criativa, esse desejo de transformar cultura em algo acessível, rentável. Ao longo do tempo, ampliamos nosso trabalho para inúmeros produtos para eventos infantis, sociais, espetáculos natalinos em diversos estados do País, parques temáticos e o audiovisual, com os Tac Tacs. Cada nova fase do Grupo Blitz reflete o nosso compromisso com inovação e foco em resultados — dois pilares que estão no coração de tudo que fazemos.

O Otimista – Hoje, o Grupo tem um catálogo diversificado de iniciativas. Pode detalhar algumas delas?
Jadeilson – Temos entretenimento em shoppings e praças, onde criamos e produzimos espetáculos para shopping centers e eventos outdoor. São mais de 45 espetáculos no catálogo, além da BBK (banda infantil) e diversos modelos de contação de história e opções de entretenimento; eventos corporativos, no qual desenvolvemos ações artísticas, apresentações personalizadas e experiências imersivas para empresas em convenções, lançamentos, ações de endomarketing, utilizando a arte para potencializar os objetivos de Comunicação das marcas. Além disso, na Blitz, é Natal o ano todo. A cada ano, dezenas de novos personagens são criados para atender às inúmeras demandas em diversos shopping centers do Brasil. Além disso, a gente assina a Direção Artística do Ceará Natal de Luz, da CDL Fortaleza, idealiza e executa parques temáticos de natal e produz “Casa do Papai Noel” em outros municípios. Temos ainda os Tac Tacs, um braço que cresce com força e propósito. Já são centenas de vídeos no YouTube, somando mais de 35 milhões de visualizações, cinco álbuns musicais nas plataformas de streaming e parques temáticos itinerantes inspirados nos clipes da turminha.

(Foto: Divulgação)

O Otimista – Quais os desafios de gerir uma empresa que tem todas essas frentes?
Jadeilson – Vivemos um período de mudanças rápidas de tecnologia, economia e comportamentos de consumo e isto já desafia toda e qualquer empresa. Através da arte, criamos soluções inovadoras e que gerem experiências. Para que isto se torne rentável, é necessário um planejamento e acompanhamento detalhado de atuação de cada uma destas frentes. O maior desafio de uma empresa diversa como a nossa é como aumentar o faturamento através dos nossos serviços criados em rede.

O Otimista – No modo de consumo atual, a criação de experiências exclusivas tem sido uma demanda frequente. Isto foi traduzido em um aumento de procura pela Blitz? Se sim, é possível quantificar esse crescimento?
Jadeilson – Já nascemos com a necessidade de gerar estas experiências exclusivas. Tem uma citação que sempre estava presente em nossos treinamentos e apresentações, seja corporativo, infantil ou social: “É na arte que o homem se ultrapassa definitivamente”, de Simone de Beauvoir. Conseguimos durante quase duas décadas adquirir a confiança dos nossos clientes e dos nossos fornecedores, mantendo um crescimento anual que gira em torno de 14%.

O Otimista – Esse crescimento também significa um aumento na necessidade de profissionais do setor artístico e cultural. Como é abrir essas oportunidades para conterrâneos?
Jadeilson – A gente nasceu com este propósito: gerar oportunidades para o artista local e o nosso maior insumo são os talentos envolvidos. Temos imenso orgulho de somar ao nosso elenco, atores, criadores de diversos grupos de teatro, bailarinos de diversas companhias, artistas reconhecidos pelo mercado. A BBK nos trouxe músicos e cantores. Os Parques Tac Tacs nos trouxeram técnicos e arquitetos. Para tudo que envolve os conteúdos Tac Tacs, a gente precisou aprender outras linguagens e contar com a participação de manipuladores, vozes originais, artesãos e dezenas de outros profissionais do audiovisual, que se juntam a nós para contar histórias.

O Otimista – Os Tac Tacs se tornaram outro grande braço da Blitz. Como surgiu a ideia desse projeto que acumula milhões de visualizações?
Jadeilson – Os Tac Tacs nasceram de um desejo muito genuíno: criar personagens infantis brasileiros, como aqueles que marcaram gerações, mas com a nossa identidade cultural. Começamos com músicas compostas por Aretha Karen, que faziam parte do setlist dos nossos espetáculos infantis. Depois, vieram os personagens e as primeiras histórias. Tudo foi ganhando forma com muito cuidado estético e pedagógico. A aceitação do público ganhou força durante o lockdown, em 2020. Inúmeros educadores, de todo o Brasil, passaram a utilizar nossos vídeos em suas aulas. Foi aí que decidimos investir no projeto com mais força, culminando no nosso primeiro filme, “Tac Tacs – Uma Aventura Ambiental”. Desde o início, os Tac Tacs foram pensados como um universo de afeto, descoberta e aprendizado — feito por quem acredita no poder transformador da arte na infância.

O Otimista – Diminuiu consideravelmente a produção de conteúdo na TV aberta para crianças, enquanto o streaming se tornou um terreno fértil para essa parcela da audiência. Como foi chegar nesse ambiente e, inclusive, competir com grandes marcas internacionais?
Jadeilson – A impossibilidade de competir com as grandes produções nos fez desenvolver estratégias que façam o conteúdo chegar a pais e cuidadores de diversas formas. É um processo muito desafiador de construção de marca através de diversos canais. Por exemplo: um adulto leva uma criança para brincar em um dos nossos parques num shopping em São Paulo, tem acesso a nossos produtos (próprios da turminha), ao aplicativo de jogos e nossa equipe direciona o tráfego para o entorno do local, estendendo a experiência do cliente.

O Otimista – O filme “Uma Aventura Ambiental” já passou a marca de 600 mil de views. Pode detalhar como se deu esse projeto e como foi a participação do Bráulio Bessa nele?
Jadeilson – A gente entendeu que era o momento de produzir nosso primeiro média-metragem de forma a produzir um conteúdo relevante para a Primeira Infância. Na hora de escolher o tema, não tivemos dúvidas: meio ambiente. A Marquise Ambiental resolveu abraçar o projeto, via Lei Rouanet. A imensa expertise do patrocinador com o tema permitiu a construção do projeto a quatro mãos, unindo educação e entretenimento. A gente decidiu personificar o Meio Ambiente, convidando o Bráulio Bessa para interpretá-lo. Ter a voz e a sensibilidade dele nesse projeto é uma honra. Bráulio ajudou a dar ainda mais significado ao que a gente queria dizer: cuidar da natureza também é um gesto de amor, de pertencimento e de poesia.

O Otimista – O filme traz essa premissa da conscientização ambiental para as crianças. No seu olhar, qual a importância de tocar nesses temas já desde a infância?
Jadeilson – A gente não quis dar uma “aula” sobre meio ambiente — a proposta foi criar uma história envolvente, com música, humor e afeto, para que a criança absorva valores quase sem perceber, brincando e se emocionando. A infância é o solo fértil onde as ideias se enraízam. Se plantarmos consciência agora, teremos gerações mais cuidadosas, engajadas e conectadas com o mundo ao redor.

(Foto: Divulgação)

O Otimista – Também está sendo produzida uma série com os Tac Tacs. O que pode adiantar do projeto?
Jadeilson – Fomos contemplados pelo edital da Lei Paulo Gustavo para a produção da nossa série, com 13 episódios. As gravações já estão acontecendo. Estamos recebendo convidados especiais, como Jean Paulo Campos, o Cirilo, de “Carrossel”, Regiane Alves, Mila Costa, Solange Teixeira, Denis Lacerda e Silvânia de Deus. Ao todo, são mais de 25 artistas locais do nosso elenco. A gente faz questão de mostrar que essa série é feita no Ceará. Nossa geração cresceu tendo como referência o que era produzido no Sudeste e, agora, queremos construir esse novo imaginário, com nossas próprias paisagens e sotaques. É Fortaleza sendo protagonista, com nossas histórias e nosso jeito de contar.

O Otimista – Não falta muito para o Grupo completar a segunda década. Estão satisfeitos com o caminho trilhado até aqui?
Jadeilson – Se me dissessem, lá em 2007, que em 2025 já teríamos realizado mais de 10 mil eventos, estreado um filme, montado uma banda, produzido mais de 1.200 figurinos, criado uma turma autoral com mais de 35 milhões de visualizações no YouTube, projetado e executado seis parques temáticos, comercializados nas cinco regiões do Brasil, atendido mais de 187 mil crianças em nossos parques, talvez, como diria nossa protagonista Tati, dos Tac Tacs, eu diria: “Tudo isso?” Sim!

O Otimista – Por fim, quais metas se apresentam no horizonte? Como imagina o Grupo daqui a dez anos?
Jadeilson – Em nosso planejamento, constam novos projetos audiovisuais, novos parques temáticos, parques físicos e licenciamento de produtos. Trabalhamos incansavelmente para o reconhecimento da marca Tac Tacs a nível nacional, onde diversas oportunidades e possibilidades venham a surgir, sempre gerando trabalho, engajando a equipe interna e conhecendo novos Tacnautas, como a gente chama toda pessoal que se identifica com a nossa turminha. Somos extremamente inquietos e entendemos que num mundo de constantes disrupções, sobrevive quem está apto a agir com resiliência, recalculando rotas e desbravando caminhos.

 

RELACIONADOS

PUBLICIDADE

POPULARES