Atrapalhado e azarado perseguidor do Papa-Léguas, Coyote enfrenta uma nova batalha — desta vez, nos tribunais — no filme “Coyote vs. Acme”. Inspirado em um texto satírico de Ian Frazier, publicado na “The New Yorker” em 1990, filme estreia hoje (27), após protagonizar uma história tão improvável quanto a do próprio personagem
Onivaldo Neto
onivaldo@ootimista.com.br
Poucos personagens conhecem tão bem a arte de cair e continuar tentando quanto o Coyote, um dos vilões mais persistentes dos Looney Tunes. Em “Coyote vs. Acme”, que estreia nas telonas nacionais hoje (27), a resiliência do predador do Papa-Léguas será colocada à prova contra a poderosa fabricante de explosivos Acme Corporation em uma infame disputa judicial. Dirigida por Dave Green, a produção mistura animação tradicional em 2D, cenários reais e atores como Will Forte e John Cena.
Antes de encontrar o caminho até às telas, a película precisou escapar de um destino quase tão cruel quanto o da própria narrativa. O longa foi engavetado pela Warner Bros, produtora responsável pela sua realização, em uma decisão ligada a abatimentos fiscais. A medida provocou forte reação de fãs e nomes da indústria, que se mobilizaram para impedir que o filme desaparecesse, ganhando uma segunda chance.
A disputa
Cansado dos produtos defeituosos usados para capturar o Papa-Léguas, Coyote decide enfrentar, finalmente, a empresa responsável pela fabricação dos artefatos, a Acme Corporation. Depois de mais uma invenção da Acme sair do controle, ele procura o advogado Kevin Avery, interpretado por Will Forte, para levar a companhia aos tribunais. A dupla se une em uma batalha judicial contra um poderoso advogado contratado pela própria Acme, Buddy Crane, vivido por John Cena. Enquanto eles tentam vencer a disputa, a história também explora a relação entre eles e os limites de uma empresa que parece sempre escapar das consequências. Misturando atores de carne e osso com os clássicos personagens animados, o filme leva o humor cartunesco para o mundo real. A trama brinca com as armadilhas, explosões e fracassos que marcaram o vilão ao longo de décadas.
Bastidores
“Coyote vs. Acme” teve uma trajetória improvável até chegar às telonas. Concluído em 2023, o longa foi engavetado pela Warner Bros Discovery antes mesmo de ganhar um lançamento comercial, em uma decisão que previa um abatimento fiscal de cerca de US$ 30 milhões (cerca de R$ 154 milhões) sobre uma produção orçada em aproximadamente US$ 70 milhões (cerca de R$ 361 milhões). A escolha provocou uma onda de indignação entre fãs, elenco e cineastas, especialmente porque o filme já havia passado por exibições de teste com boa recepção. Além da justificativa financeira apresentada publicamente, relatos sobre os bastidores apontaram para o contexto de mudança de comando no estúdio: a produção havia sido desenvolvida sob a antiga estrutura da Warner, enquanto a nova liderança, comandada por David Zaslav, adotava uma estratégia diferente para os projetos do grupo.
A pressão, no entanto, fez a Warner recuar. Depois da repercussão negativa, o estúdio decidiu colocar o filme à disposição de outras distribuidoras, embora inicialmente buscasse US$ 80 milhões pelo projeto (cerca de R$ 412 milhões). Em 2025, a produtora independente Ketchup Entertainment adquiriu os direitos por US$ 50 milhões (aproximadamente R$ 258 milhões), permitindo que a produção deixasse o limbo e chegasse aos cinemas. O negócio ficou abaixo do orçamento de US$ 70 milhões, o que representou uma perda para a Warner em relação ao investimento realizado.
Retorno positivo
E antes mesmo de chegar ao circuito comercial, o filme já conquistou uma importante vitória nos cinemas com a aprovação da crítica. O longa acumula 95% de aprovação no Rotten Tomatoes, com mais de uma centena de avaliações, e 77 pontos no Metacritic, números que o colocam entre as produções mais bem recebidas do ano. A imprensa especializada tem destacado sobretudo o humor, a mistura entre animação e live-action e a capacidade de transformar a saga de Coyote em uma aventura divertida também para o público adulto. As projeções para o primeiro fim de semana nos cinemas americanos também são positivas, variando entre US$ 10 milhões (cerca de R$ 51 milhões) e US$ 18 milhões (cerca de R$ 92 milhões). Mesmo sendo considerada uma abertura modesta, diante do investimento envolvido e dos US$ 50 milhões pagos pela Ketchup Entertainment pelos direitos do filme, cada ingresso vendido representa uma espécie de vitória para a produção, que passou perto de nunca ser vista pelo público.
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“Coyote vs Acme”
Estreia nesta quinta-feira (27) nos cinemas nacionais
Live-action/Comédia/Aventura
Classificação 6 anos















