“Tenho muito orgulho de ser uma cantora popular”, celebra Alcione durante passagem por Fortaleza

No show em Fortaleza na comemoração aos 50 anos de carreira, Alcione relembra passagens e parcerias marcantes e se emociona ao falar sobre o enredo da Estação Primeira de Mangueira em 2024, que levará a sua história para a avenida

Luciano Rodrigues 

luciano@ootimista.com.br

A voz grave, os cabelos cacheados e as longas e bem adornadas unhas revelam que quem chegou foi a Marrom. O apelido incorporado na carreira da cantora de 75 anos nascida em São Luís do Maranhão transformou-se em bandeira: na voz de Alcione, gerações prometem nunca deixar o samba morrer. Recentemente, foi a vez de o público de Fortaleza voltar a celebrar a vida da artista, em show comemorativo dos 50 anos de carreira da maranhense, no estacionamento do Shopping Salinas.

Na plateia lotada, os sucessos foram vários: além do clássico “Não Deixe o Samba Morrer”, os também históricos “A Loba”, “Estranha Loucura” e até o “Forró do Xenhenhém”. Antes do show, Alcione falou com a imprensa sobre a vida nos palcos. Apesar de hoje em dia a maior parte da apresentação ser realizada com a artista sentada, em virtude de uma cirurgia realizada no ano passado na coluna, a disposição e a voz seguem inabaladas, assim como o bom humor.

“Tenho muito orgulho de ser uma cantora popular. Tenho orgulho de gente que já veio antes de mim, tenho muito orgulho de cantores que estão vindo por aí. (…) 50 anos de carreira, eu cantei até aprender. Aprendi, na verdade a cantar cantando. Cantei na noite do Rio de Janeiro, de São Paulo, na Europa, cantei para todo tipo de público. E é assim que a gente vai aprendendo a cantar, cantando, mexendo com os diversos públicos”, frisou a cantora.

No balanço dos 50 anos de carreira, Alcione cita a família, que até hoje a acompanha. Solange e Maria Helena Nazareth, irmãs da cantora, são sua empresária e sua backing vocal, respectivamente, bem como sua sobrinha Sylvia Nazareth, atriz e que também canta na turnê dos 50 anos de carreira da maranhense. As raízes familiares, segundo Marrom, e o Maranhão são combustíveis essenciais para torná-la a artista reconhecida dentro e fora do Brasil.

“O Maranhão tem toda a importância. O meu umbigo foi jogado fora lá. Eu sou uma mulher de sorte, tenho a sorte de ter nascido no Nordeste, no Maranhão, ser a filha de Seu João Carlos e Dona Felipa, de ter tido nove irmãos maravilhosos. Minha família que eu tenho, meus irmãos, uma coisa que a gente aprendeu a amar muito foi a nossa família”, pontuou.

Marrom em Verde-e-Rosa

As homenagens recebidas por Alcione desde 2022, quando iniciou as comemorações pelos 50 anos de estrada, chegaram ao ponto mais alto em 13 de março. A Estação Primeira de Mangueira, escola de samba do coração da cantora, anunciou que ela seria o enredo da agremiação para 2024. No último dia 28 de abril, o anúncio oficial: “A Negra Voz do Amanhã” será o título do desfile que irá destrinchar a vida e a carreira da artista.

Alcione comentou o assunto visivelmente emocionada. Ela revela que, no passado, os dirigentes da Mangueira já tentaram convencê-la de ser tema da escola, mas ela preferiu adiar. Segundo Marrom, 2024 foi o momento ideal para coroar os seus 50 anos de carreira sendo o enredo da verde-e-rosa, abençoada inclusive por nomes emblemáticos da agremiação, como Cartola, um dos fundadores da Mangueira, e Jamelão, intérprete mais longevo da história.

“Fico honrada de ser Mangueira, Mangueira de Cartola. Quando lembro que já conversei com seu Cartola, é muita honra e muita sorte para uma pessoa. Até me arrepio quando penso nisso. (…) Sou enredo da Mangueira pela primeira vez. Eu não esperava por isso. Alguma vez já vieram me dar um toque, mas eu não quis. Mas agora que eu tenho 50 anos de Mangueira, não tem como eu dizer não, afinal é a minha escola do coração, sempre trabalhei com ela, por ela, por tudo, então vai ser show. Vou fazer de tudo para ficar linda nesse dia”, enfatizou.

A homenagem à carreira de Alcione rompeu ainda o morro da Mangueira e ganhou os palcos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A cantora será a grande homenageada do 30º Prêmio da Música Brasileira (PMB). Além de um show da maranhense, ela verá duetos como Péricles e Ferrugem cantando medley dos sucessos “Estranha Loucura, Meu Vício é Você e Um Ser de Luz”, e Maria Bethânia e Glória Groove. Será o retorno da premiação após cinco anos de pausa, este ano sendo dedicado aos 50 anos de estrada da Marrom, no dia 31 de maio.

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