Nos dez anos sem o mestre do forró, musical Dominguinhos: Isso aqui tá bom demais, apresenta história de vida do sanfoneiro no Cineteatro São Luiz. Liv Moraes, filha do artista, fala da da emoção de poder encenar e cantar a vida do pai
Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br
É na lembrança das conversas ao telefone, no cheiro e no abraço que a saudade sentida por Liv Moraes ganha força. Filha do mestre Dominguinhos, ela convive com este sentimento há dez anos. “As coisas mais simples são cheias de sentimentos, desde sair para jantar ou conversar um monte de besteiras e dar risadas”, relembra a cantora. Acontece que o saudoso artista pernambucano ficou na memória de muita gente, dentre elas estão Gabriel Fontes Paiva e Myriam Taubkin, que se dedicaram por anos a fio para criar o musical Dominguinhos: Isso aqui tá bom demais, que os fortalezenses poderão assistir este fim de semana no palco do Cineteatro São Luiz. O espetáculo reconta os passos do sanfoneiro que saiu de Garanhuns, em Pernambuco, para conquistar o Brasil, trazendo para a cena Liv e sua caixa de lembranças do pai, num misto de realidade e ficção.
Já encenada na sexta-feira (20), a montagem segue em cartaz neste sábado (21), às 16h e 20h, e também no domingo (22), às 18h. Os ingressos estão à venda no site sympla.com.br e na bilheteria do Cineteatro, com valores de R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia).
Criado pela dramaturga e jornalista Silvia Gomez, o musical apresenta, de maneira contemporânea, os feitos deste que foi um dos mestres do forró, a partir de fatos, músicas e parcerias profissionais e afetivas, sempre ladeado pela fiel escudeira, a sanfona. Para exalar música por todos os lados, além de Liv, o elenco traz Cosme Vieira, que tocou sanfona com Dominguinhos quando ainda era criança; o ator e músico Wilson Feitosa; o compositor e arranjador Zé Pitoco, acompanhante de Dominguinhos em inúmeros shows; o ator e cantor Fitti; e os músicos Hugo Linns e Jam da Silva. Fontes Paiva e Myriam assinam direção geral e direção musical, respectivamente.
Ao todo, foram cerca de sete anos para o espetáculo estreado em 2022 ganhar vida, sendo dois deles dedicados à concepção do texto, criado a partir de entrevistas com pessoas que conviveram com o homenageado e com base em uma pesquisa documental feita pelo jornalista especializado em música Lucas Nobile. “O mergulho na obra incluiu programas, documentários, entrevistas e reportagens de jornais e revistas de época, além de livros como O Brasil da Sanfona, de Myriam Taubkin. Nos baseamos em fatos reais e depoimentos públicos de Dominguinhos, sem, no entanto, deixar de dialogar poeticamente com essa realidade, ficcionalizando certas passagens”, comenta a autora.
O musical ultrapassou a marca de 25 mil espectadores e tem sido um presente para Liv Moraes, que enxerga cada sessão como uma maneira de estar mais próxima do pai e aplacar um pouco da saudade. “Tem sido emocionante ver o espetáculo lotado e lotado de todas as idades, inclusive crianças conhecendo a obra de Dominguinhos porque a avó ou a mãe apresentaram. Me sinto realizada quando a gente termina e todo mundo está batendo palmas e cantando Eu Só Quero Um Xodó”, define.
Tendo ingressado na música ainda na adolescência, como backing vocal da banda do mestre do forró, e já tendo compartilhado o palco com ícones como Gilberto Gil e Lenine, ela aponta a principal lição deixada por Dominguinhos: “O amor, não só através das músicas, mas também das atitudes, de como ele tratava as pessoas e de como ele fazia elas se sentirem bem. Uma lição de coleguismo com o próximo”.
Em mais de 55 anos de carreira, o pai de Liv gravou nada menos que 40 discos, tendo vencido por duas vezes o Grammy Latino. Apesar de todos estes feitos, pondera a filha, é preciso exercitar o hábito de manter esta história viva e pulsante para as gerações futuras. “Precisamos dessa memória cultural muito presente na nossa vida, ter força de manter viva nossa cultura, cheia de tantos ícones e artes tão belas”, completa.
Serviço
Musical Dominguinhos: Isso Aqui Tá Bom Demais
Neste sábado (21), às 16h e 20h, e domingo (22), às 18h
No Cineteatro São Luiz (Rua Major Facundo, 500)
Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia)
Vendas: sympla.com.br e na bilheteria do equipamento


















