Muito associada a algumas doenças, a carne vermelha é importante para o organismo quando consumida de forma correta

Fontes de proteínas, minerais e vitaminas, as carnes vermelhas são importantes para o organismo, quando consumidas de forma correta. Apesar dos benefícios, por que elas são muito associadas a algumas doenças, como as cardiovasculares?  

Emanuel Furtado
emanuelfurtado@ootimista.com.br

Dependendo do tipo, da forma de preparo e da frequência de consumo, as carnes vermelhas podem, sim, ser aliadas da saúde. Além de fontes de proteínas ricas em aminoácidos essenciais, aqueles que nosso organismo não consegue sintetizar, elas são fontes de minerais (ferro, zinco, fósforo, potássio, magnésio, selênio) e de vitaminas do complexo B – especialmente a B12 -, que são melhor absorvidas pela origem animal e estão menos abundantes nos alimentos de origem vegetal. A avaliação é da nutricionista Liviane Maranhão.

Apesar dos benefícios, as carnes vermelhas são muito associadas às doenças cardiovasculares, diabetes e câncer colorretal.  “A associação  a essas doenças geralmente está relacionada a um consumo mais frequente e principalmente ao tipo de carne, sendo aquelas do tipo processadas, popularmente chamadas de embutidos (carnes enlatadas, salsichas, linguiças, presuntos e afins), mais prejudiciais à saúde, devido ao alto teor de gorduras e sódio, assim como aos aditivos e processos a que são submetidas”, explica ela.

A profissional destaca que o Instituto Nacional do Câncer considera que o consumo inferior a 500g de carne vermelha magra e cozida, por semana, não aumenta os riscos. “Existem estudos sobre o consumo de carnes vermelhas e o desenvolvimento dessas e de outras doenças mas, além do tipo da carne, da quantidade e do preparo, muitos desses estudos não controlam o consumo de outros alimentos que já são conhecidos como causadores de doenças, como os fast-foods e junk-foods”.

Segundo Liviane Maranhão, geralmente as pessoas que consomem carnes vermelhas muito frequentemente não seguem um estilo de vida saudável de um modo geral. “A nutrição é uma ciência relativamente nova e, por isso, está em constante evolução. Saem muitos estudos diariamente, mas muitos outros são necessários até se afirmar categoricamente que a carne vermelha causa essas doenças”.

A nutricionista acrescenta que também existem estudos associando o consumo moderado de carne vermelha magra à prevenção da diabetes – sugerindo uma melhora na sensibilidade à insulina -, do envelhecimento precoce e até de doenças cardíacas e hipertensão. “Fora outros benefícios já bem conhecidos na prevenção da anemia, ganho e manutenção da massa magra”.

Ela destaca que, para o Ministério da Saúde, é recomendável consumir de 300g a 500g de carne vermelha por semana. “Mas algumas pessoas podem, sim, se beneficiar da exclusão da carne vermelha da dieta por um período ou por tempo indeterminado. Cada organismo tem uma individualidade. Nossos avós consumiam carnes vermelhas e eram bem mais saudáveis que a geração atual”, pontua.

A nutricionista também alerta que o consumo elevado da carne vermelha e a ingestão, mesmo que baixa, de carnes processadas, pode elevar o colesterol, obstruir artérias e prejudicar a saúde cardíaca geral; e aumentar os riscos para doenças inflamatórias intestinais, obesidade, diabetes e diferentes tipos de câncer. “Além das questões ambientais, já que a criação do gado de corte gera diversos danos ambientais, como desmatamento e emissão de gases estufa, que acabam por afetar também a nossa saúde”, complementa.

A profissional diz que, se há um desejo de retirar as carnes vermelhas do cardápio, é possível fazê-lo sem grandes prejuízos à saúde, substituindo-a por alimentos que forneçam os mesmos nutrientes. “Alguns nutrientes das carnes, como o ferro, o zinco e a vitamina B12 são melhor absorvidos, mas eles podem ser encontrados também nas carnes brancas de aves e peixes e ainda em outros alimentos de origem vegetal como ovos, leite e derivados, diminuindo os riscos de uma possível deficiência nutricional. É possível ainda fazer substituição por alimentos vegetais e consumir uma quantidade de proteínas adequada e de alto valor biológico: tofu, soja e leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, grão de bico, amêndoas e cereais integrais). As leguminosas, castanhas, sementes e vegetais verde-escuros também são boas fontes de ferro”.

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