Fagner comemora cinco décadas dedicadas à música nesta terça (10) e quarta-feira (11), no Cineteatro São Luiz. Ao Tapis Rouge, o cantor fala da importância do público fortalezense em sua carreira e relembra o início de sua trajetória
Sâmya Mesquita
samya@ootimista.com.br
Cinquenta anos definitivamente não são cinquenta dias. E todo esse tempo de carreira para Fagner é mais que sinônimo de muito trabalho. São décadas dedicadas a levar suas raízes cearenses aos quatro cantos do Brasil. E para celebrar seu legado — e continuar produzindo memórias inesquecíveis —, o cantor se apresenta nesta terça (10) e quarta-feira (11) no Cineteatro São Luiz, a partir das 20h.
As duas datas já estão com ingressos esgotados, o que demonstra o carinho do público cearense com o cantor que foi a cara do Pessoal do Ceará — corrente que levou ao Brasil nomes como Belchior, Amelinha e Ednardo. Ao Tapis Rouge, Fagner afirma que a cidade foi, e é, importante para a sua carreira desde os tempos de calouro no Ceará Rádio Clube e na Rádio Iracema. E faz um balanço desde os primórdios: “Uma sensação de dever cumprido. Vejo que tudo foi acontecendo naturalmente até por conta da gente ter chegado no lugar certo, na hora certa, em meio à efervescência do momento artístico e político do início dos anos 1970. E não tenho como negar que sempre corri atrás ao lado de parceiros fundamentais e de um público que, desde o início — no primeiro show com a minha madrinha Nara Leão, no mesmo Teatro da Praia [na avenida Monsenhor Tabosa], onde fui lançado como autor pela outra madrinha Elis Regina — já dava sinais que eu podia ir em frente. É lógico, também, com tantos profissionais qualificados que tive a oportunidade de trabalhar ao longo da carreira”.
O espetáculo deve trazer os maiores sucessos do cantor, além de histórias que marcaram sua carreira. O disco de estreia do cearense traz canções como Último Pau de Arara, Mucuripe e Canteiros. Outras músicas de sucesso do artista são Borbulhas de Amor, Garoto de Aluguel, Espumas ao Vento e Deslizes.
Além dos antigos hits, Fagner é conhecido por se reinventar, fazendo parcerias que transcendem suas primeiras influências. “Arriscar na arte é um ato de coragem, mas é fundamental. Em muitos momentos também tive que ser conservador e fui bastante criticado, porque entendia que queria atingir o povão, e até abandonado pelo público do início da carreira, mas creio que tomar este tipo de postura dentro do mercado também é outro tipo de risco que só sabe quem está dentro. Lembro de uma vez que o Chico Buarque me falou em plena crise do vinil: ‘Raimundo, nunca esqueça que nós somos adversários’. E naquele momento, éramos como irmãos colados com o mesmo tipo de guitarra, o mesmo [Volkswagen] Voyage cinza. Estávamos todos os dias juntos jogando pelada três vezes por semana”, relembra.
Mais que olhar para o passado, Fagner também transparece no futuro. Além de suas canções serem entoadas por diversos artistas, recentemente ele foi homenageado pela Orquestra Eleazar de Carvalho no Theatro José de Alencar. “Fiquei muito feliz com a homenagem. Porque quando ganhei o festival do Ceub em Brasília, o organizador era o Esaú de Carvalho, irmão do nosso grande Maestro Eleazar”, explica o cantor.
Foi a grande procura do público que fez esta comemoração de 50 anos ganhar duas datas. E este público poderá conferir um espetáculo e alto nível. “Podem esperar uma apresentação cercada de profissionais comprometidos, pessoas que vestem a camisa com tanto carinho e que mostram porque a arte transforma tanta gente”.
Serviço
Fagner – 50 Anos Cineteatro São Luiz. Rua Major Facundo, 500, Centro Terça e quarta, 10 e 11 de outubro, sempre às 20h Informações pelo Instagram @cineteatrosaoluiz


















