Especialista diz que é possível consumir alimentos com glúten e ter uma vida saudável. O ingrediente só não é indicado para pessoas com problemas de saúde, como doenças celíacas e alergia. Entre os alimentos ricos em glúten estão os pães, massas, bolos, biscoitos e cervejas
Emanuel Furtado
emanuelfurtado@ootimista.com.br
Tipo de proteína encontrada na semente de muitos cereais, como o trigo, a aveia, o centeio e a cevada, o glúten é responsável por deixar os alimentos mais elásticos e também mais macios. Ingrediente marcante no nosso cardápio, ele tem entrado na mira de muitas pessoas, sendo visto como inimigo de quem quer emagrecer ou melhorar o bem-estar e a saúde. Mas, afinal, o glúten é mesmo um vilão?
Para a nutricionista clínica comportamental Maria Natanna, a resposta é negativa. Este tipo de proteína é encontrada em vários cereais, que são alimentos que fornecem energia, são de fácil acesso e que fazem parte da alimentação do brasileiro. Quem não ama um pãozinho quentinho? “Não há nenhuma evidência científica que comprove que indivíduos saudáveis, ou seja, sem diagnóstico de doença celíaca, alergia ao trigo ou sensibilidade ao glúten não-celíaca, devam restringir o consumo. O glúten não faz mal a todas as pessoas”, explica a profissional, que tem especialização em Comportamento Alimentar.
Segundo ela, a restrição a esse alimento só precisa ser feita em casos de doenças diagnosticadas, quando se faz necessário acompanhamento de uma equipe multidisciplinar para investigação dos sintomas, exames laboratoriais e diagnóstico médico. “Existem três grupos bem definidos de pessoas que enfrentam dificuldades com o consumo de glúten. No primeiro grupo estão os celíacos, que é uma doença autoimune, ou seja, o próprio sistema imunológico da pessoa ataca o corpo ao ingerir glúten. E é uma doença incurável. A solução é excluí-lo completamente do cardápio”, diz Natanna.
“O segundo grupo é o de pessoas alérgicas ao glúten. Elas podem desenvolver desde sintomas digestivos, respiratórios e cutâneos, até um choque anafilático. Já no terceiro grupo estão os sensíveis ao consumo do glúten, que é considerada uma nova condição, cujos sintomas melhoram ou desaparecem após a retirada dele. Saiba que o exagero no consumo de alguns alimentos, como o glúten, pode levar o organismo a desenvolver uma hipersensibilidade. Às vezes uma pessoa sempre teve uma predisposição genética, e ao ingeri-lo frequentemente, ela tem os sintomas exacerbados”, complementa a nutricionista.
Maria Natanna também destaca que as pessoas tendem a emagrecer ao cortar o glúten do cardápio diário, muito provavelmente porque não eram adeptos de uma dieta nutricionalmente adequada. “O consumo exagerado do glúten favorece o ganho de peso, pois geralmente ele está presente em alimentos bastante saborosos, muito calóricos e com alto teor de açúcares. O segredo é simplesmente consumir de forma equilibrada, optar por alimentos 100% integrais, ao invés dos preparados com farinha de trigo branca”, exemplifica.


















