Especialista diz que beber bastante água e fazer refeições equilibradas, durante e após o seu consumo, pode ajudar a reparar os danos causados por ele no corpo
Emanuel Furtado
emanuelfurtado@ootimista.com.br
Para quem está fazendo dieta alimentar e gosta de tomar uma variedade de cervejas, vinhos, espumantes ou bebidas destiladas, o consumo de álcool pode se transformar em um grande vilão – principalmente se consumido em excesso – e atrapalhar o planejamento de uma vida mais saudável. “É uma substância que contém seu valor calórico alto e vários efeitos deletérios no organismo, contendo também potencial para vício, enquanto não possui nenhum benefício, a não ser o de interação social. Então pode se tornar um grande vilão, a depender da quantidade, frequência e contexto em que é consumido”, avalia a nutricionista Amanda Maia Pontes.
Especialista em Nutrição Clínica Funcional, Transtornos Alimentares e Obesidade, a profissional alerta para alguns cuidados que precisam ser tomados. “Devemos evitar consumir em grandes quantidades e com constância, tipo todo fim de semana, toda sexta-feira ou de quinta a domingo. Beber bastante água e fazer refeições equilibradas, durante e após o consumo de álcool, também pode ajudar a reparar os danos no corpo. Também devemos manter uma rotina saudável com alimentação, sono e atividades físicas regulares, na maioria dos dias, para se recuperar dos prejuízos do consumo esporádico”.
A nutricionista pondera que é possível consumir bebida alcoólica e ter uma vida saudável. “Tudo é questão de equilíbrio. Além de deixar para ocasiões especiais, sem manter uma constância, prefira as bebidas que você consome menos. Duas doses de um destilado pode ser menos mal do que 10 cervejas. O vinho também é uma opção mais leve e que contém um nutriente interessante, o resveratrol, um potente antioxidante. Consumir poucas taças pode não trazer tanto prejuízo. Use o bom senso”.
Segundo Amanda, a junção de álcool a comidas calóricas e gordurosas, intensifica a quantidade de calorias e gorduras produzidas para o corpo. “É comum a sobrecarga do fígado aparecer em forma de esteatose hepática (gordura no fígado), além do excesso de gordura corporal e perfil lipídico desequilibrado nos sangue (colesterol e triglicerídeos). A longo prazo, as consequências podem ser grandes para a saúde cardiovascular”, explica a nutricionista.
Ela lembra também que, consumir mais calorias do que se gasta, é o principal fator para a formação de reservas de energia e excesso de peso. “Porém é importante também observar o gasto energético. Atendo muitas pessoas que comem poucas calorias e não emagrecem por gastar muito pouco, o tal do metabolismo lento. Algumas estratégias devem ser utilizadas para quebrar essa termogênese adaptativa e fazer o corpo aumentar o gastos de energia, dentre elas: atividade física regular e mais intensa, com fracionamento adequado de proteínas e fibras na dieta”.
Álcool x carboidrato
“O álcool é mais calórico que uma molécula de carboidrato (carboidrato = 4kcal para 1g, álcool = 7kcal para 1g). E o pior é que são calorias vazias (que não possuem nutrientes úteis) e não podem ser armazenadas como fonte de energia. Além das calorias, para ser metabolizado no fígado o álcool resulta em acetato, que nas células é direcionado para aumento da produção de triacilgliceróis (gordura), e ainda pode inibir a lipólise (mecanismo de quebra de gordura). Então traz muitos prejuízos, emagrecimento ou hipertrofia. O benefício é apenas social. Por isso, quanto mais puder ser evitado, melhor!”, complementa a nutricionista.
Mais uma dose?
1 taça de champagne = 110kcal
1 lata de cerveja (350ml) = 115kcal
1 copo de caipirinha = 300kcal
1 taça de vinho tinto (120ml) = 107kcal
1 dose de whisky = 120kcal
1 dose de gin = 70kcal


















