Exposição “UNA” reúne mais de 100 trabalhos de Roberto Galvão com acesso gratuito à visitação em Fortaleza

Mais de 100 obras do artista cearense Roberto Galvão ganharam abrigo no Museu da Cultura Cearense por meio da exposição “UNA”. Gratuita, mostra dá ênfase à cor preta, tonalidade presente nas décadas iniciais da trajetória do artista e em exposições anteriores

Onivaldo Neto
onivaldo@ootimista.com.br

“Preto” ou “negro” é como pode ser traduzido “UNA”, sufixo de origem nheengatu que dá nome à nova exposição do artista cearense Roberto Galvão, em cartaz no Museu da Cultura Cearense, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Com visitação gratuita, a mostra reúne 114 obras do fortalezense, sendo 98 trabalhos sobre papel, 14 esculturas e duas telas, distribuídos pelas duas galerias do equipamento cultural. A curadoria é assinada por Kadma Marques, com curadoria adjunta de Júlio Mesquita e expografia de Túlio Paracampos. O público pode visitar a exposição até 1º de novembro, de quarta-feira a sábado, das 9h às 18h30, e aos domingos e feriados, das 10h às 19h.

Em entrevista exclusiva ao Tapis Rouge, Roberto explica porque o elemento central da exposição é a cor preta, tom matriz de sua criação artística. Estava me incomodando ser reconhecido [atualmente] como o artista das cores. Tem muita cor no meu trabalho recente, mas eu resolvi dizer ou mostrar que o meu trabalho é preto, branco, amarelo, laranja… é exatamente como o sertão, tem todas as cores. É uma ruptura para mostrar que eu não sou só as cores. Eu também tenho preto e branco, embora não explicite isso comumente, destaca.

Essa revisitação da tonalidade na exposição também é salientada pela curadora Kadma Marques. Presente em trabalhos de meados dos anos 2000, como “Black White” e “Mato Branco”, o preto seguiu uma crescente nas obras de Galvão, segundo a profissional. “Estes últimos trabalhos seguiam, em sua maioria, um plano de realização: partindo de uma base de cor preta, as formas vegetais emergiram, ganhavam força e se espraiavam em um diálogo silencioso com a plenitude dessa cor. Percebi então como essa cor-matriz tinha atravessado toda a sua trajetória e como havia crescido em termos de presença em seu trabalho”, relata.

Já para a escolha das criações que compõem a exposição, Kadma revela que contou com o auxílio do próprio Galvão. O artista compartilhou com ela um conjunto de obras realizadas sobre papel, facilitando a percepção da curadora acerca da continuidade entre a produção de desenho e a longa experiência de Roberto com a gravura. “(…) algumas dentre essas obras foram escolhidas porque apresentam uma maior densidade plástica do que outras, além de maior complexidade visual. Outras vezes escolhi obras nas quais prevalece também maior delicadeza no tratamento da temática. Eu diria que esses foram os critérios predominantes. Além desses, o predomínio dos trabalhos em que prevalece a matriz de cor preta”, comenta.

Percepção

A seleção das obras também foi pensada para provocar sensações nos visitantes, como ressalta Kadma. Além de desejar que o público vivencie a mesma experiência prazerosa que ela própria experimentou ao mergulhar no universo de Galvão, a curadora também ambiciona que a mostra afete-os de alguma forma. “O artista visual é aquele que vivencia intensamente o ver. Ele vive pelos olhos, redescobrindo constantemente o mundo. O olhar sensível de um artista como Roberto Galvão é algo maravilhoso, pois nos leva a fazer as pazes com a vida. Precisamos disso. Os artistas são mestres do sentir, eles nos ensinam não só a olhar de forma descomprometida a realidade, mas a ver realmente cada coisa”, completa.

serviço

Exposição “UNA”

Museu da Cultura Cearense – Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura

R. Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema

Em cartaz até 1º de novembro de 2026

Visitação de quarta a sábado, das 9h às 18h30; domingos e feriados das 10h às 19h.

Acesso gratuito

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