Muito além de um local de guarda de acervo, o novo Museu da Imagem e do Som será local de fomento e difusão de diversas linguagens artísticas. Com nova estrutura, equipamentos e o modelo de gestão, o espaço deve ser inaugurado em março de 2022

Naara Vale
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Novo MIS (Foto: Carlos Gibaja)

Na última quinta-feira (22), o Governo do Estado apresentou, através de uma live, o novo projeto arquitetônico e de gestão do Museu da Imagem e do Som (MIS) do Ceará. O equipamento, vinculado à Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) desde 1980, está recebendo um investimento de R$ 16,8 milhões. Com obras estruturais já concluídas, o projeto agora está na fase de processo licitatório para aquisição de equipamentos, mobiliários e outros materiais necessários para a sua composição. A previsão é que o MIS seja aberto ao público em março de 2022.

Segundo o diretor do museu, Silas de Paula, o MIS terá “o melhor equipamento que existe hoje na América Latina”, capaz de “ocupar o lugar da Cinemateca de São Paulo”. “Será um museu com toda tecnologia necessária para fazermos um grande trabalho. Os laboratórios serão de digitalização de acervos, com a possibilidade de conservação do acervo, revelação e ampliação fotoquímica, impressão, luminotécnica para a sala multiuso, multimídia e projeção, com TI integrada, além de contar com educativo interativo, estúdio de vídeo e foto, e estúdio de áudio e restauro. Com isso, surge a capacidade de trabalhar uma intermidialidade híbrida, o encontro de mídias”, anunciou Silas de Paula.

Projeto

Conforme o projeto arquitetônico, o novo MIS contará com uma área total de 2.700 m², dividida em dois prédios. O antigo casarão – prédio histórico tombado – passou por restauro e será destinado à administração, às pequenas exposições e ao uso das salas para atividades formativas e educativas, com equipamentos interativos qua começam a chegar ao museu.

Já o novo prédio funcionará como um espaço multifuncional. A parte externa conta com uma praça ao ar livre com arquibancadas e a parede de entrada do novo bloco vai funcionar como uma grande tela de cinema ou outros tipos de projeções audiovisuais. O local também poderá receber shows, peças e entre outras atividades. Por baixo do espaço de arquibancada existirão dois andares subterrâneos, os quais abrigarão a reserva técnica e laboratórios.

Por dentro, o grande cubo branco funcionará como espaço central de exposição do MIS, que pode se transformar numa sala de cinema, ou em um espaço educativo ou de shows. Para a exposição de abertura, em 2022, a ideia é que ele seja uma sala de imersão em imagens. No primeiro andar, ficará a biblioteca e no segundo, uma área de exposição.

Gestão e políticas públicas

Ao dar início à apresentação do projeto, o secretário da cultura do Ceará, Fabiano Piúba, explicou que o projeto do MIS vem sendo pensado há cerca de cinco anos e que o MIS reúne um conjunto de políticas culturais. “Gostamos de dizer que não existe política cultural de um equipamento especificamente. Existem políticas de cultura que podem ser executadas por meio dos equipamentos”, disse o gestor.

Segundo ele, o museu também está sendo pensado como um espaço de fomento e difusão e circulação da música, do audiovisual, da fotografia e das diversas linguagens artísticas que se relacionam com essas três. Além disso, o MIS se propõe também a ser um local de residências artísticas e de políticas de pesquisa e de produção do conhecimento. “Vamos estar realizando editais para linhas de fomento de pesquisa, sejam elas acadêmicas, de mestrado, ou doutorado, ou não acadêmicas, a partir de seu acervo. Essa mesma lógica vai servir para a Biblioteca Pública do Ceará, para o Arquivo Público, Museu do Ceará e outros equipamentos”, divulgou Fabiano Piúba.

De acordo com Silas de Paula, a gestão do museu está sendo pensada em cima de cinco eixos principais: Plano Museológico e Planejamento Estratégico; Gestão Administrativa e Financeira Eixo; Financiamento e Fomento; Mobilização, diversificação e fidelização de público; e Monitoramento e Avaliação de Resultados.

Dentro do eixo de Plano Museológico e Planejamento Estratégico, está o trabalho com editais, que serão divididos nas linhas de residência, ocupação, acervo e formação, esta última, apontada como “um vetor fundamental do Mis”. “Não se trata de uma educação formal, mas uma experimentação para ‘voar’ nas possibilidades que o Mis vai nos dar. Queremos intensificar a ideia de compartilhamento de processos e com uma mediação que permita uma democratização cultural, recebendo os diversos públicos, com cursos, mostras, oficinas, palestras, seminários e publicações: tudo isso dentro de um planejamento que está sendo feito”, destacou Silas de Paula.

Sobre o MIS

Inaugurado em 1980, o MIS possui um acervo de mais de 160 mil itens, entre discos, fotos, filmes, VHS, DVDs, guardando ainda aparelhos antigos como televisores, monóculos, máquinas fotográficas e uma variedade de registros preciosos da história cearense, cultura popular, teatro, artesanato, cinema e música. Originalmente, o espaço foi residência de propriedade do ex-senador Fausto Augusto Borges Cabral, nos anos 1950, passando a ser residência oficial do Governo do Estado em 1963, e, posteriormente, local onde funcionava o Museu Antropológico do Ceará.