Dedicando homenagens àqueles que amam, cuidam e protegem por meio da paternidade, Tapis Rouge entrevista o cantor cearense Marcos Lessa, que compartilha a experiência de ser pai de Miguel, de seis anos — sua outra vocação e grande amor para além da música
Onivaldo Neto
onivaldo@ootimista.com.br
Sinônimos de amor, companheirismo, proteção e cuidado, os papais brasileiros ganham, neste domingo, 9, um dia dedicado especialmente a eles, em reconhecimento ao importante papel que desempenham na vida dos filhos. Seja de primeira viagem ou mais experiente; de sangue ou de coração; maduro ou jovem, pai é pai, aqui ou em qualquer outro lugar do mundo. Para celebrar e dar rosto a essa data especial, Tapis Rouge traz o relato do cantor e compositor cearense Marcos Lessa, que também detém o título de pai do pequeno Miguel, de seis anos. A descoberta da paternidade, as transformações provocadas por ela, a relação entre pai e filho e os desejos para o futuro foram alguns dos temas que entraram em pauta no bate-papo com o artista.
Uma nova vida

Com a chegada de Miguel, novas vidas passaram a existir. Segundo Marcos, o nascimento do filho trouxe consigo a percepção de que, a partir daquele momento em diante, a sua vida não seria mais só sobre ele mesmo. “A paternidade sempre foi um lugar que fazia sentido para mim, mas uma coisa é imaginar e outra completamente diferente é receber a notícia de que aquele filho existe, que está chegando e que você será responsável por formar uma pessoa. Miguel chegou trazendo uma dimensão de amor que eu ainda não conhecia. E, com o amor, veio também uma responsabilidade enorme. Você entende que suas escolhas, seu tempo e até a maneira como você enxerga o mundo passam a afetar alguém profundamente”, comenta.
Mas, antes de influenciar Miguel na maneira como enxerga o mundo, foi o cearense quem teve a percepção em relação à profissão e à própria vida transformadas pelo filho. “Antes dele, muitas coisas pareciam enormes: uma frustração profissional, um show que não aconteceu como eu queria, uma expectativa não realizada. A paternidade reorganiza um pouco essas proporções. Eu continuo sendo muito apaixonado pelo que faço e extremamente comprometido com a minha carreira, mas hoje sei que Marcos Lessa não termina quando as luzes do palco se apagam. Existe alguém me esperando em casa e para quem pouco importa se o show foi para cem ou para dez mil pessoas. Para ele, eu sou o pai”, discorre.
Essa transformação interna também atravessou a música e a arte do cantor. De acordo com ele, a atenção se voltou à longevidade, aos bons sentimentos e ao significado deles. “Fiquei mais atento ao tempo, às memórias, ao afeto, às coisas que permanecem. Talvez eu tenha entendido, através da paternidade, que a arte não precisa existir apenas para construir uma carreira; ela também pode ser uma maneira de deixar memória. Hoje penso muito mais sobre o que os meus filhos vão ouvir, assistir e lembrar de mim daqui a muitos anos”, conta.
Pai x cantor

Essa maneira de pensar também influencia a forma como o artista lida com os obstáculos que a profissão impõe à relação com Miguel. Com uma agenda de shows agitada, o cantor precisa encontrar brechas entre os compromissos para viver momentos de qualidade ao lado do filho. “Quando estou com Miguel, procuro participar da vida dele de verdade. Conversar, acompanhar o que ele está descobrindo, brincar, ensinar alguma coisa, ouvir o que ele tem para me contar. Ao mesmo tempo, faço questão de que ele compreenda o meu trabalho […] que entenda que o pai ia cantar, trabalhar, construir alguma coisa. E que grande parte do que eu construo também é pensando na nossa família”, pontua.
Ainda segundo o artista, sua preocupação também está voltada à formação de Miguel como pessoa. “Quero que Miguel seja íntegro, gentil, responsável pelas próprias escolhas, que saiba respeitar as pessoas e que não precise diminuir ninguém para encontrar o próprio lugar no mundo. Também quero ensiná-lo a não medir a vida apenas pelo sucesso. Talvez essa seja uma das maiores lições que eu mesmo continuo aprendendo. Nossa profissão nos coloca muito diante de números, aplausos, reconhecimento, comparação. Mas nada disso sustenta uma pessoa sozinha. Quero que ele tenha coragem para descobrir quem é e para construir a própria história”, almeja.















