O skate sempre foi legal, e agora o mundo inteiro percebeu. O sucesso de atletas brasileiros da modalidade nas Olimpíadas deu visibilidade a esse esporte, que pode ser praticado por todos. Saiba o que é preciso para começar e onde praticar
Emanuel Furtado
emanuelfurtado@ootimista.com.br
Com o sucesso do skate brasileiro nas Olimpíadas de Tóquio, muita gente passou a admirar, se interessar e procurar conhecer mais esse esporte que, apesar do longo histórico de grandes conquistas, nunca esteve em primeiro plano, nunca ganhou a devida atenção da mídia e foi assunto nas rodinhas de conversas fora do próprio meio. “O skate na vida do brasileiro sempre foi na raça e na força para ser o melhor do mundo. A consagração nessa Olimpíada já era esperada por nós. Só faltava ser mostrada pro mundo inteiro! Acredito que agora, depois desse boom, o skate passará a ser visto com mais carinho e respeito”, avalia o presidente da Federação Cearense de Skate, Edson Pinheiro.

As medalhas de prata conquistadas pelo paulista Kelvin Hoefler e pela maranhense Rayssa Leal, a Fadinha, de apenas 13 anos, tem um gostinho ainda mais especial para os amantes da modalidade: a prova de que o skate pode ser praticados por todos, independente de idade ou gênero. “Acredito que depois desse feito, a prática do skate com meninas vai aumentar muito. O skate era visto como um esporte para meninos, principalmente por pessoas que não sabem o quanto ele ajuda na mudança das pessoas. O skate sempre foi legal, só que perceberam agora!”, diz Edson.
Na capital cearense é possível encontrar espaços espalhados pelos bairros da cidade que proporcionam deslizar por toda a pista com essa prancha, dotada de quatro pequenas rodas e dois eixos. Entre eles estão a “Pista de Skate Crazy Game”, no bairro Benfica; “Pista de Skate do Cocó”, na Aerolândia, além da “Pista de Skate do Centro de Formação Olímpica (CFO)”, no bairro Castelão. Todas elas bem equipadas e com boas estruturas para receber os esportistas, sejam eles veteranos ou iniciantes, de acordo com o presidente da Federação.
Para dar os primeiros passos na modalidade é preciso apenas os equipamentos fundamentais, como o próprio skate, capacete, luvas, cotoveleiras e joelheiras. Proteção é fundamental, já que se trata de um esporte de muito contato com o solo e os obstáculos – sim, os tombos fazem parte do dia a dia! Além disso, disposição, alongamento, equilíbrio e concentração para realizar as manobras. A instrução de um treinador especializado também se faz fundamental para a correta prática.
Apoio
Edson Pinheiro explica que a Federação Cearense de Skate atua dando suporte aos atletas, buscando consertar os erros que acontecem dentro das pistas e correndo atrás de parcerias. “Para a realização de nossos eventos, para ajudar atletas em competições nacionais, fazendo pedidos de passagens para os jovens e, assim, podendo dar mais oportunidades para que os talentos do skate de nossa cidade possam se lançar para o mundo”.
De pai para filho
Se depender de Antônio Carlos de Araújo Almeida (“Carlinhos”, 37), que há mais de 22 anos pratica skate na rua em em pistas espalhadas pela cidade, o filho Wrik Santhiago, de nove anos, será uma futura revelação dessa modalidade de esporte no Estado do Ceará. Desde o primeiro ano e inquieto, bem típico da idade, o garoto se divertia com o “brinquedo do pai”. “Ele pegava, jogava no chão e, como era muito hiperativo, resolvemos que a solução seria colocá-lo para aprender o esporte”, conta Carlinhos.
Nem uma bronquite asmática tirou Wrik das pistas. “Foi o skate que ajudou a curá-lo”, lembra Carlinhos, que utiliza todo o aprendizado adquirido com o tempo para treinar Wrik. O resultado disso tudo: o pequeno leva uma vida de “atleta profissional”, seguindo à risca a combinação dos estudos diários com os treinos, que acontecem geralmente na pista de skate do Benfica. “Mas ele gosta mesmo é das pistas do CFO e do Cocó, que são mais altas e mais cheias de obstáculos. É onde ele se sente melhor”, revela Carlinhos.
“Eu quero ser um atleta profissional, ter um bom futuro, tanto para mim, quanto para a minha família, e ser feliz. Eu estudo de manhã e, a partir do meio-dia, tenho reforço até às duas (da tarde). Depois vou treinar e volto às sete horas da noite para casa. Desde um ano de idade meu pai sempre me treina, me leva para vários cantos e viaja comigo para os campeonatos”, conta Wrik.
Com novos ídolos, surgem também novos atletas
Para além da atenção que as modalidades esportivas ganham em tempos de Olimpíadas, o surgimento de novos ídolos despertam a admiração nos mais jovens e o desejo de trilhar o mesmo caminho vitorioso
A enorme visibilidade que as Olimpíadas dão aos atletas e às modalidades são aquele empurrãozinho que faltava para incentivar pessoas de todas as idades a praticar esportes. A presidente do Conselho Regional de Educação Física (CREF5), Andréa Benevides, destaca também o surgimento de novos ídolos nacionais, que despertam admiração e influenciam principalmente os mais jovens a trilharem o mesmo caminho, “Por meio do esporte a sociedade se expressa, ou seja, as crianças, os jovens e os adultos extravasam suas características emocionais. Então, com o passar do tempo, foram surgindo os mitos, que possibilitaram a melhor divulgação dos esportes. Eles são vistos pelas crianças como seus ídolos, passando a influenciar a prática esportiva e servindo como estímulo para a iniciação esportiva”, avalia. Exemplo disso é o boom que a ginástica artística vivenciou após o sucesso de atletas como Daiane dos Santos e Daniele Hypólito. Seus legados permitiram que a menina Rebeca Andrade, vice-campeã olímpica no individual geral em Tóquio, conquistasse esse feito histórico.
Para Andréa, “a imagem do ídolo é sempre carregada de várias obrigações, já que tem a responsabilidade de dar um bom exemplo, por ser admirado por muitos. Eles podem ser comparados com os heróis. Eles servem como inspiração”. Segundo ela, sempre que ocorrem grandes eventos como as Olimpíadas, há um aumento de pessoas à procura da prática e de produtos esportivos em lojas físicas e online. “As Olimpíadas colocam o esporte no centro das atenções e traz muita visibilidade, até para aquelas modalidades que não são tão conhecidas pelo público”.
A presidente do CERF5 também destaca o papel do profissional de Educação Física nas Olimpíadas: “É um dos mais importantes. Quando o assunto é esporte é o profissional de Educação Física o grande ator desse evento, por ele ser responsável pelo planejamento dos treinos e pela adequação da técnica. As Olimpíadas são a culminância de todo um planejamento prévio de responsabilidade. Tem toda uma equipe, mas esse profissional tem o seu papel fundamental, porque é dele todo esse planejamento e a culminância desses resultados”.


















