“Matriarquia (Em Processo)”, com Camila Pitanga, será exibido hoje (1º), às 19h, dentro do projeto Dramaturgia Encena. Após a exibição, a equipe da peça participa de um bate-papo sobre o processo criativo da obra. Amanhã tem outra rodada de conversa
Naara Vale
naaravale@ootimista.com.br
Uma luminária vira um adereço de cabeça. Uma planta se torna parceira de cena. O piano de casa e os fundos dos quadros de uma parede viram parte da cenografia. Em tempos de pandemia, casa vira palco e os sentimentos que se afloram da urgência de (re)pensar e agradecer à vida viram poesia em linguagem de teatro.
O resultado dessa junção poderá ser visto no espetáculo “Matriarquia (Em processo)”, criado e interpretado pela atriz Camila Pitanga, em parceria com a preparadora vocal Lucia Gayotto, a dramaturga e roteirista Dione Carlos e a diretora Cristina Moura. A peça será exibida hoje (1º), às 19h, no YouTube do Sesc Ceará (gratuito), dentro do projeto Dramaturgia Encena.
Em seguida, Camila Pitanga e Cristina Moura irão participar de um bate-papo sobre o processo criativo da obra, com mediação de Lorena Wendt, gerente do Sesc Fortaleza, através do Instagram @lorenawendt, @caiapitanga e @cristinamourareal. Além disso, no dia 2 de junho, às 19h, haverá um segundo bate-papo, com Camila Pitanga, Dione Carlos e Lucia Gayotto e mediação de Cleudivan Noronha, supervisor de cultura do Sesc Fortaleza.
O trabalho, definido como um “poema cênico musical performático”, surgiu a partir do encontro dessas mulheres, entre percepções e experiências, vivenciadas ao longo da pandemia. Acompanhada do musicista Luiz Gayotto, Camila interpreta a agente de saúde Stela, uma mulher que, submetida a um constante estado de vigília, passa a ter delírios auditivos, reencontrando a própria mãe no fundo de suas memórias e dialogando com a filha.
Em entrevista ao O Otimista, Camila Pitanga contou que há muitos pontos de convergência entre as memórias de Stela e os seus próprios sentimentos. Um deles é a perplexidade com a vida, lembrar de ações inatas ao ser humano que viraram privilégio na pandemia, como o simples fato de respirar. “A pandemia te convoca a pensar sobre isso, uma vez que a gente está convivendo com a morte diariamente”, diz a atriz. “Fazer a peça detonou como válvula de escape para desaguar isso e a Dione Carlos transmutou isso em texto. Esse é um aspecto bem importante porque aí tem uma hipersensibilidade, tem uma coisa meio ‘clariceana’, de você expandir um pouco a sua percepção”, completou.
Outro ponto em que os sentimentos de Stela se encontram com os da atriz são na relação mãe e filha, algo que, segundo ela, é universal. “Quem não tem na sua vida, na família, alguém que se fechou? Alguém que, de alguma maneira, não deu conta de suportar as dores do mundo e se guardou num quarto fechado, num diálogo mais frechado? Essa tentativa de bater à porta, de convocar para a vida, de entender esse outro lado, tem muito a ver com a minha relação com a minha mãe, assim como o que eu deixarei de legado para a minha filha. Em que medida eu também fico nesse lugar, não escuto o que essa geração que a minha filha representa está acessando, está sendo posto em diálogo? Tudo isso em poesia. Não está explicitamente na peça, mas está ali”, aponta a atriz.
Camila falou ainda sobre o processo de produção do espetáculo, que contou com ensaios na casa dela, e a ressignificação dos objetos de decoração para compor a cenografia. O novo formato de “teatro filmado” também tem sido um desafio imposto pela pandemia, mas com boa aceitação do público. “É uma convocação para quem está assistindo, para pensar, acordar, sentir as coisas e descobrir também novas formas de ser espectador. A gente já apresentou em outras ‘praias digitais’ e o retorno é incrível. A gente também tem valorizado muito a importância desse diálogo posterior para poder trocar ideia, sentir as reverberações”, finaliza Camila.
Serviço:
“Matriarquia (Em Processo)”, com Camila Pitanga
Quando: terça (1), às 19h
Onde: Youtube do Sesc Ceará
Após o espetáculo, bate-papo com equipe, às 20h, pelo Instagram @lorenawendt, @caiapitanga e @cristinamourareal. Também na quarta (2), às 19h, pelo Instagram @sescce, @caiapitanga, @dionecarlos7 e @lucia.gayotto.


















