A partir dos 40 anos, os braços começam a ficar curtos para a distância que o papel precisa estar para que o olho foque o que quer enxergar. É nessa idade que costumamos desenvolver a presbiopia, popularmente chamada de vista cansada. Conheça mais sobre o problema
Naara Vale
naaravale@ootimista.com.br
Chega uma certa idade em que o braço não dá mais conta de afastar o papel para longe o suficiente para que os olhos consigam ler o que está escrito. É o que popularmente chamamos de síndrome do braço curto ou de vista cansada. Oficialmente, o nome do problema é presbiopia, que costuma aparecer por volta dos 40 anos de idade e continua a piorar até os 60 anos.
Aos poucos, a pessoa vai apresentando dificuldade de enxergar coisas de perto. “A gente tem no nosso olho uma lente chamada cristalino e, quando jovem, ela tem a capacidade de mudar o tamanho dela, de ficar mais grossa ou mais fina. Essa capacidade de mudança de tamanho da lente é o que faz a gente conseguir enxergar de longe e de perto. Quando a gente vai envelhecendo, ela vai perdendo essa capacidade, é como se ela perdesse a elasticidade”, explica o oftalmologista Thiago Leite (CRM 10277).
Outra doença que pode atingir o cristalino com o passar dos anos é a perda da transparência da lente. “Quando a gente é novo, a cristalino é toda transparente, com o avançar da idade, ela vai ficado escurecida. É o que a gente chama de catarata”, descreve o médico.
Prevenção
Não há nenhum hábito específico que provoque a presbiopia. Assistir televisão ou ler no escuro e usar muito computador não influenciam no problema. Ele é uma consequência natural do envelhecimento do nosso corpo. Segundo a oftalmologista Niedja Stadtherr (CRM 6787), além da idade (maior fator de risco), algumas outras condições como ter hipermetropia, diabetes e doenças cardiovasculares podem aumentar as chances de uma presbiopia prematura, ou seja, antes dos 40 anos.
Apesar de não ter como evitar a “vista cansada”, há formas de ajudar a retardar aparecimento dela. “Você pode ajudar a proteger sua visão consultando regularmente um oftalmologista, controlando suas doenças crônicas como diabetes, hipertensão, protegendo seus olhos com óculos de sol com proteção UV, praticando exercícios físicos e com uma alimentação saudável”, orienta a médica, lembrando que crianças e jovens não costumam apresentar presbiopia.
Tratamento
O tratamento para presbiopia é, normalmente, o uso de óculos para perto, que popularmente são chamados de óculos de leitura. “Em pacientes que já têm alguma dificuldade de enxergar de longe, a gente acrescenta o grau para perto em alguma estrutura dos óculos, que são as lentes progressivas”, indica Thiago Leite.
Em casos de pessoas que não querem usar óculos de jeito nenhum, há a opção das lentes de contato, embora sejam menos usadas nos casos de presbiopia pela dificuldade de adaptação dos pacientes. Existem também as opções cirúrgicas que fazem a remoção do cristalino que já perdeu a elasticidade ou que estão opacos – cirurgia de catarata – e, no lugar dele, é colocado uma lente artificial.
Existem opções também de cirurgias a laser, como as que corrigem outros problemas como miopia, por exemplo. “Existem algumas técnicas que a gente pode utilizar para corrigir a presbiopia também”, pontua o oftalmologista.


















