Vida e obra do cantor e compositor cearense Belchior são tema de pelo menos cinco produções audiovisuais brasileiras. Documentários, séries e um longa ficcional integra o conjunto das obras

Naara Vale
naaravale@ootimista.com.br

No ano em que completaria 75 anos, vida e obra do músico cearense Belchior são tema de pelo menos cinco produções audiovisuais em andamento no Brasil. Dois documentários, uma série documental e uma minissérie e um longa ficcionais compõem o conjunto de produções que resgatam a trajetória do artista.

Uma delas é o documentário Belchior, Apenas um Coração Selvagem, da fluminense Natália Dias e do mineiro Camilo Cavalcanti. A produção conta com a participação do ator cearense Silvero Pereira, que irá declamar poemas de Belchior. O filme está em fase de finalização e a expectativa é que ele estreie no Cine Ceará deste ano, conforme adiantou a dupla de diretores à jornalista Maria do Rosário Caetano, do portal Revista de Cinema. A data oficial da estreia, no entanto, não está confirmada.

Outra produção é o documentário Alucinação, de Renato Terra e codireção de Marcos e Léo Caetano. O longa é fruto de parceria da Inquietutde Filmes com a Globonews, Canal Brasil e Globo Filmes. A obra parte do disco homônimo, lançado em 1976 por Belchior, para falar da geração da década de 1970. A partir das canções emblemáticas do álbum, os diretores farão um resgate de fatos históricos da época através de imagens que dialogam com as canções do músico falecido em 2017.

Um terceiro documentário tem direção do cearense radicado em Brasília, Nirton Venâncio. Previsto para ficar pronto em novembro de 2021 (mas ainda sem data para lançamento oficial), Pessoal do Ceará não fala especificamente da vida e obra de Belchior, mas o “rapaz latino-americano” aparece no filme como um dos integrantes de grupo de músicos cearenses que emergiu na década de 1970, como Ednardo, Fausto Nilo, Amelinha, Rodger Rogério, entre outros. A partir de uma vasta pesquisa documental e mais de cem entrevistas, o longa passeia entre os anos de 1969 até o final da década de 1970, com o surgimento do Movimento da Massafeira, no Ceará.

 

Projeto Belchior 

Outras três grandes obras audiovisuais sobre Belchior serão produzidas pela Urca Filmes, do Rio de Janeiro. Com nomes e previsão de lançamento ainda provisórios, duas séries e um longa-metragem compõem o projeto. A primeira a ficar pronta – prevista para 2022 – é a série documental de quatro episódios Procurando Bel, dirigida Eduardo Albergaria.

De acordo com o produtor e sócio da Urca Filmes, Leonardo Edde, a minissérie vai abordar os últimos 10 anos da vida de Belchior, quando o cantor esteve afastado da mídia, do público e chegou a ser foragido da justiça. “Vamos trazer todas as teses que existem nesse inconsciente coletivo sobre o desaparecimento do Belchior. São depoimentos de atores que fizeram parte da vida dele, quem esteve com ele nesse período, gente que deu abrigo”, explica.

A produção vai refazer os caminhos de Belchior, com locações em Fortaleza, Sobral, Guaramiranga, São Paulo, Rio Grande do Sul e Uruguai. “A gente vai encontrar muita coisa. Como é um documentário, a gente não sai daqui com tudo mapeado. A gente vai tentar trazer para o público as diversas teses sobre o sumiço do Belchior para ele ter o seu entendimento do que foi essa época, trazer notícias, materiais inéditos que ele foi deixando pelo caminho”, completa o produtor.

Previsto para 2023, o segundo produto da Urca é uma série ficcional provisoriamente chamada Alucinação, também dirigida por Eduardo Albergaria. Com seis episódios, a produção vai abordar a vida de Belchior, desde a infância em Sobral, sua passagem pelo Mosteiro Guaramiranga, no Ceará, até tornar-se o grande compositor brasileiro. A série terá a sua primeira exibição no Canal Brasil e será baseada na biografia Belchior: apenas um rapaz latino-americano, escrita por Jotabê Medeiros.

Em 2024, deve chegar aos cinemas o longa-metragem Belchior, Apenas um Rapaz Latino-americano. Conforme Leonardo Edde, no filme, o ator Alexandre Nero “é um jornalista e fã de Belchior que vai em busca do seu ídolo para tentar entender por que um artista tão renomado estaria desparecido e ao longo do processo ele acaba se tornando a pessoa que as séries retratam”. O longa traz também as teses sobre esse sumiço, mas do ponto de vista do jornalista. “A ideia da gente, além de sermos fãs do Belchior, é resgatar a obra desse grande artista que, como outros no Brasil, não são valorizados como merecem”, destaca Edde.