Tulipa Ruiz fala sobre shows em Fortaleza neste fim de semana e antecipa próximos passos da carreira para 2026

Tulipa Ruiz desembarca na CAIXA Cultural Fortaleza neste fim de semana com o espetáculo “Noire”, projeto que transforma o próprio repertório no formato voz e violão. Em entrevista exclusiva ao Tapis Rouge, a artista fala sobre o conceito do show, a conexão afetiva com a capital cearense e os próximos passos da carreira

Onivaldo Neto
onivaldo@ootimista.com.br

Com delicadeza e suavidade, Tulipa Ruiz canta as composições perfurantes do set-list de “Noire”, espetáculo que apresenta de amanhã (16) até domingo (18) na CAIXA Cultural Fortaleza. Ao lado do irmão, o músico Gustavo Ruiz, a artista ganhadora do Grammy Latino entrega-se ao palco de forma genuína e íntima, apresentando revisitações de músicas da sua elogiada discografia ao lado de um violão. Com exclusividade ao Tapis Rouge, a paulistana divide mais detalhes acerca do aguardado show no equipamento cultural, além de falar sobre os novos planos no horizonte profissional.

Plasticidade

O universo cinematográfico foi a inspiração central para “Noire”. A nomenclatura do show é uma clara referência ao estilo “noir”, que tem como assinatura o contraste acentuado de luz e sombra para criar uma atmosfera sombria, dramática e cínica. Segundo Ruiz, o formato plástico é utilizado para proporcionar uma experiência imersiva para o público e não apenas como uma referência visual.

“É o nosso formato mais antigo e também a nossa tecnologia mais avançada. Voz e violão. Gogó e guitarra. A ideia do nome “Noire” veio por conta de uma apresentação realizada na pandemia, dirigida pela cineasta Laís Bodansky. Foi uma live em branco e preto, com direção de fotografia e cenário, onde pudemos experimentar a linguagem”, detalha a artista, acrescentando que o próprio nome, inspirado no filme “La Tulipe Noire” (1964), também contribuiu para a escolha do título da turnê.

Contudo, o minimalismo de “Noire” não é apenas uma escolha estética, mas também um risco assumido. De acordo com Tulipa Ruiz, ao abrir mão das camadas sonoras de uma banda completa, ela se sente exposta, transformando o palco em um terreno de vulnerabilidade onde não há onde se esconder. É nessa nudez instrumental que o show ganha sua voltagem mais perigosa e livre, exigindo certa agilidade para lidar com o silêncio e o inesperado.

“Gosto de dizer que essa é a nossa formação mais radical. Podemos ir para qualquer lado que a música quiser, não existe a convenção dos mapas, dos arranjos fechados (…) É um show para ocasiões e lugares especiais. As músicas sempre me surpreendem durante o show, porque como estão despidas, harmonia e melodia ficam escancaradas. A palavra vira protagonista, tem mais leitura. E, dependendo do meu estado de espírito e da energia da plateia, a poesia do repertório ganha novos significados”, comenta.

Fortaleza e novos projetos

Esse caráter intimista e aberto à troca também se reflete na relação da artista com o público e com os lugares onde se apresenta. Fortaleza, em especial, ocupa um espaço afetivo na trajetória dela, marcada por encontros intensos e memórias que ajudaram a fortalecer esse vínculo ao longo dos anos. “Amo essa cidade, tenho muitos amigos e muitas pessoas que acompanham meu trabalho aí. É uma relação construída com muito amor. A primeira vez que me apresentei no Dragão do Mar foi muito emocionante. Não esperava ver o público cantando todas as músicas, dançando de olho fechado. Fiquei muito emocionada e levo essa memória comigo”, relembra.

Essa conexão afetiva construída nos palcos dialoga diretamente com o momento de intensa atividade que a artista vive atualmente. Tulipa segue em movimento, expandindo presença para além das fronteiras nacionais e já projetando os próximos passos da carreira. “Acabo de voltar de uma turnê grande na China, onde também iniciamos a produção de um documentário sobre essa experiência tão intensa. Em 2026, além de produzir esse filme, farei com minha banda a turnê de encerramento de ‘Habilidades Extraordinárias’, meu último disco, que ainda não passou por Fortaleza. Também entrarei em estúdio para gravar disco novo”, projeta.

serviço

Tulipa Ruiz – Show “Noire”
Nesta sexta-feira (16), e sábado (17), às 19 horas; domingo (18), às 18 horas
Na CAIXA Cultural Fortaleza (Av. Pessoa Anta, 287 – Praia de Iracema)
R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Vendas no local ou através do site da Caixa Cultural
Mais informações: (85) 3453.2770
Instagram: @caixaculturalfortaleza

 

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