A Editora Cobogó acaba de lançar um livro sobre a vida da cantora e compositora Dona Ivone Lara. A obra, escrita pela pesquisadora Mila Burns, integra a coleção “O Livro do Disco”

Emanuel Furtado
emanuelfurtado@ootimista.com.br

Nova história sobre aspectos da vida de uma das maiores cantoras e sambistas da Música Popular Brasileira (MPB) já está disponível aos leitores. Em “Dona Ivone Lara – Sorriso Negro”, a jornalista e pesquisadora Mila Burns, autora da obra, aprofunda a importante biografia da também compositora, onde aborda o aspecto de sua  contribuição social transformadora, para além de uma ensaio sobre as lutas das mulheres e negros.

Lançado pela Editora Cobogó, a pesquisa encontrada no livro sobre a cantora – crescida no morro da Serrinha, na zona norte do Rio de Janeiro – teve início ainda na dissertação de mestrado da autora em Antropologia Social, intitulada “Nasci para Sonhar e Cantar: Dona Ivone Lara – A Mulher no Samba”. Na época, em 2009, Burns chegou a fazer algumas entrevistas com a grande voz do samba, antes de seu falecimento. O novo trabalho de Mila Burns integra a coleção “O Livro do Disco”, voltada para álbuns musicais importantes, não só brasileiros. O disco, no caso, é “Sorriso Negro”, lançado em 1981.

“Apesar da tenacidade, Dona Ivone nunca abraçou nenhuma forma de engajamento político. Preferia a melodia à letra, o lirismo ao poder, a conciliação ao questionamento. Apesar de rejeitar rótulos, sua existência teve uma importância para as pessoas negras e as mulheres no Brasil que muitos ativistas nunca conseguirão alcançar”, explica Mila Burns.

Na obra, a autora destaca que Dona Ivone Lara não ergueu bandeiras, mas que sua vida encarna grandes avanços. Como exemplo, cita que a cantora não era afeita a depender de provedores e chegou a trabalhar por 30 anos no Instituto de Psiquiatria do Engenho de Dentro ao lado da médica Nise da Silveira, que usava arte no tratamento de doenças mentais.

Mila Burns também destaca no livro que a sambista tinha consciência de que ser mulher e negra atrasara seu reconhecimento como artista, mas não demonstrava ressentimento. “Ela simplesmente afirma sua identidade. Mesmo assim, ao fazer isso, gera um considerável impacto social. A biografia de uma mulher como Dona Ivone tem papel central na construção da identidade negra brasileira”, avalia a pesquisadora.

Sobre a artista

Com uma trajetória de resistência e pioneirismo no mundo do samba, Yvonne Lara da Costa – nome de batismo – abriu as portas para a presença das mulheres nas alas de compositores e inovou ao participar de encontros de adultos, tradicionalmente masculinos. Nascida na zona sul (Botafogo) em 1922 e crescida na zona norte do Rio de Janeiro, a artista é considerada “A Rainha do Samba” e “A Primeira Dama do Samba”.

Serviço:
“Dona Ivone Lara – Sorriso Negro”, de Mila Burns
R$ 46,00 (162 páginas)
Editora Cobogó