Queda de cabelo pós-covid é comum, mas passageira, dizem especialistas

A queda de cabelo está entre as sequelas mais frequentes de quem se recuperou da covid-19. Para quem está vivendo o problema, um alento: ele é passageiro. Saiba quais as causas da queda e o que pode ser feito

Naara Vale
naaravale@ootimista.com.br

Diversas sequelas da covid-19 vêm sendo relatadas por pacientes que tiveram a forma moderada ou grave da doença. Conforme a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), um estudo realizado por pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, México e da Suécia, cruzou dados de pesquisas feitas com cerca de 48 mil pacientes e apontou que a queda de cabelo aparece entres as cinco sequelas mais comuns em quem teve covid.

Os casos de pacientes preocupados com a queda de cabelo após terem se recuperado da covid-19 têm sido frequentes no consultório do dermatologista José Antônio Brandão. Ele mesmo teve a forma moderada da doença e também passou pelo processo de perda de cabelo. Nele, assim como na maioria dos pacientes, os cabelos começaram a cair em torno um a dois meses depois da recuperação. “É uma queda que dura em torno de dois a quatro meses e o paciente tem que ter paciência mesmo, que vai melhorar, não há muito a ser feito”, explica o médico, que percebeu a diminuição da queda após três meses.

Segundo a presidente do Departamento de Cabelos da SBD, Fabiane Mulinari Brenner, a perda de cabelo não é uma particularidade exclusiva dos casos de covid. “Em diversas infecções graves, como a pneumonia, pode ocorrer o mesmo fenômeno entre dois e três meses depois. Entretanto, trabalhos realizados por pesquisadores estrangeiros revelam que, na covid-19, a queda acontece de forma muito mais precoce, sendo percebida de seis a oito semanas depois da doença”, disse a dermatologista, em publicação feita pela entidade.

O que acontece?

A queda de cabelo pós-covid decorre de um processo chamado eflúvio telógeno agudo. Ele está associado a eventos inflamatórios que aceleram o processo de renovação capilar. O período de preparo para a queda natural dura de dois a três meses até os fios de se desprendem. Quando há um gatilho desse tipo, ao invés de termos 100-120 fios caindo diariamente, como acontece normalmente, temos 200-300 fios, dependendo do paciente e da causa do eflúvio.

Segundo a SBD, os eventos mais associados à queda são: pós-parto, febre, infecção aguda, sinusite, pneumonia, gripe, dietas muito restritivas, doenças metabólicas ou infecciosas, cirurgias, especialmente a bariátrica, além do estresse. Algumas medicações também podem desencadear o problema.

O que fazer?

Para o alívio de quem enfrenta o problema, uma boa notícia: vai passar. O eflúvio telógeno agudo é um evento temporário e costuma sumir em torno de três a seis meses, caso não haja outras doenças associadas, prévias ou alteração anterior no couro cabeludo. Durante esse tempo, não há muito o que ser feito, pois a causa que desencadeou o processo já foi curada, que foi a covid.

De acordo com o dermatologista Antônio Brandão, antes de tomar polivitamínicos ou remédios que prometem por fim na queda de cabelos, o ideal é procurar um médico para fazer avaliação geral do problema. “Minha orientação: procurar um médico para fazer uma avaliação, realizar exames laboratoriais e descobrir se há necessidade de repor algum nutriente mais específico no seu organismo. E relaxe porque vai passar”, tranquiliza.

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