O projeto Entre Telas Artes Visuais, do Porto Iracema, discute nesta terça-feira (29/9) o mercado de arte em Fortaleza. A conversa será com o artista visual e poeta Thadeu Dias, mediado por Carolina Vieira. A transmissão começa às 15h

Naara Vale
naaravale@ootimista.com.br

“Como fazer para seguir fazendo?” A partir desse questionamento, a edição desta terça-feira (29/9) do projeto Entre Telas Artes Visuais discute o mercado de arte em Fortaleza e os caminhos a serem percorridos para fazer circular a produção artística local. O bate-papo será com o artista visual e poeta Thadeu Dias, mediado pela coordenadora dos Cursos Básicos em Artes Visuais da Escola Porto Iracema das Artes, Carolina Vieira. A transmissão ocorre a partir das 15h, no Instagram do Porto Iracema.

Desde 2015 dedicado exclusivamente às artes visuais, Thadeu Dias vai partir da própria experiência como artista para discutir o tema. “Essa frase ‘Como fazer para seguir fazendo’ tem um lado muito subjetivo de cada um, de como encontrar ânimo para seguir, mas como artista, como trabalhador da arte, como a gente tem meios de seguir trabalhando, seguir vendendo ou, de alguma forma, tentar criar esses meios de continuar”, pontua Thadeu, que soma passagens pelo Porto Iracema desde 2014.

Para ele, o primeiro passo para responder à pergunta principal do tema deste Entre Telas é admitir que o País passa por um momento muito atípico e que, atualmente, existe uma dificuldade de fechar contas e trabalhar. “É realmente necessário um auxílio do governo quando for possível, mas também é necessário nós mesmos pensarmos, cada um na sua linguagem, como a gente pode, nesse momento em que está tudo mais digital, continuar trabalhando”, sugere o artista.

Sobre o mercado de arte em Fortaleza, ele aponta que o espaço para a arte ainda é restrito. “Em Fortaleza tem algumas galerias para artistas contemporâneos, mas o que eu sinto é que tem muitos artistas jovens que não conseguem chegar nesse mercado onde está o dinheiro”, observa Thadeu.

Segundo ele, diferenças comportamentais entre o público local e o do Rio de Janeiro, por exemplo – cidade onde está vivendo desde o ano passado -, tonam mais difíceis a circulação e o escoamento da produção cearense. “No Rio existe uma cultura de olhar para arte, de consumir arte. Em Fortaleza não existe muito, de uma forma geral na cidade, essa cultura”, observa. “Tem muita gente que poderia estar consumindo arte, que não é uma coisa caríssima, mas não se percebe como potenciais compradoras”, completa.

Formação e políticas públicas

A conversa vai ainda discutir sobre a importância da formação artística continuada para fortalecer o mercado e a necessidade de políticas públicas contínuas para o setor. Formado em Arquitetura e Urbanismo, Thadeu Dias conta que se mudou para Rio ano passado, em busca de novos cursos na área e também para se aproximar do mercado de arte do eixo sul-sudeste, onde a produção circula com mais facilidade.

“A gente tem artistas que acabam indo para outros estados para conseguir acessar essa rede porque fica difícil acessar estando em Fortaleza. Precisa ter uma integração da nossa rede. Todo mundo tem que trabalhar em conjunto até porque todo mundo vai se beneficiar disso”, avalia o artista.

Serviço

O que:  Entre Telas – Circuito das Artes Visuais em Fortaleza, com artista visual Thadeu Dias
Quando: terça-feira (29), às 15h
Onde acessar: Instagram do Porto Iracema das Artes