Em meio à quarentena, a artista plástica, diretora de arte e figurinista Lana Benigno criou uma série de bonecos de pano com o desejo de não cultivar a solidão. “Acredito que nesse momento é importante nos cercarmos de gente massa”, conta

Emanuel Furtado
emanuelfurtado@ootimista.com.br

Em sua casa/ateliê, onde divide o espaço com o marido Sérgio Silveira (diretor de arte) e dois dos três filhos, a artista plástica Lana Benigno continua incansável. Na quarta matéria da série Arte em Isolamento, que destaca os trabalhos dos artistas durante a pandemia, ela diz que segue pintando quadros e cartões, bordando, criado pessoas de pano e encontrando na arte um “colo” durante o momento pelo qual passamos.

No meio de todo esse processo de quarentena, Lana conta que surgiu a ideia de criar a série Em Casa em Boa Companhia, uma sequência produtiva e artística iniciada há seis anos e que percorre o seu dia-a-dia no lar, com esculturas de pano que vinham sendo intituladas Gente de Pano.

“Essa produção se transformou e se especializou durante o exercício desse tempo. Muitas esculturas têxteis foram feitas a pedido de outras pessoas. Várias delas se tornaram colecionadores. Hoje já tenho gente de pano espalhada por todo o País, até no Japão”, destaca.

Segundo ela, a série Em Casa em Boa Companhia nasceu do desejo de “mesmo me isolando, não cultivar a solidão. Acredito que nesse momento é importante nos cercarmos de gente massa. Sendo assim tenho esculpido umas pessoas queridas que me fazem bem para atravessar essa época de pandemia”. Entre elas, Bispo do Rosário, Oxalá, Leonilson, Chico da Silva, Chico Science, Sérvulo Esmeraldo, Belchior, Gal Costa, Beatles, você (se quiser!), Pina Bausch, assim como a “mãe taitiana que carrega o filho nos ombros”, obra de Paul Gauguin, pintor francês. “Alguns deste, como o Leminski, já seguiram seu destino aqui para outro lugar, distribuindo carinho e fazendo boa companhia”.

Quanto à inspiração para a produção, ela diz que “gente me inspira”. “Coleciono gestos, trajes, andares, olhares… Minha formação me tornou uma boa observadora da humanidade e de como ela se manifesta. Minhas esculturas, por serem têxteis, carregam o afeto das bonecas de pano, a identidade do retrato e a vida da expressividade nas idiossincrasias”.

 

O bispo, seu rosário e seguidores

Formada em Estilismo e Moda pela Universidade Federal do Ceará (UFC), a artista plástica nascida no Amapá – mas cearense a partir dos cinco meses – conta que antes da faculdade “tinha o encantamento, mas precisava de régua e compasso, que comecei a adquirir no curso”. “É nesse momento que entro em contato com o projeto “Quatro Varas do Pirambú” (bairro de Fortaleza), com ribeirinhos da Amazônia, com a pintura abstrata do Amulf Reiner (pintor austríaco), com a construção naval em Santa Catarina para falar de Anita e Garibaldi; com o Pernalonga nas grutas de Minas Gerais, subúrbios cariocas…”, explica.

Ao circular pela diversidade de lugares que o universo da sétima arte proporciona, Lana Benigno afirma que “nada foi tão significativo quanto o encontro com a arte do Bispo do Rosário para o filme Senhor do Labirinto. Recebi a tarefa de coordenar o ateliê de réplicas do artista e a cenografia. A partir dessa experiência, me digo uma artista, antes e depois do Bispo do Rosário”.

Mais
Conheça o trabalho da artista em:
https://www.facebook.com/lana.benigno.1
https://www.facebook.com/search/top/?q=atelie%20lana%20benigno