Fatores biológicos e externos podem tornar uma pele sensível, algo capaz de acarretar problemas e que necessita de atenção especial. Dermatologista dá dicas de como perceber e tratar o problema 

Danielber Noronha

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São muitos os benefícios de conhecer o próprio corpo e enxergar quando algo não está funcionando como deveria. Em se tratando da pele, vários sinais podem dar conta de que ela está sensível e requer atenção detalhada, como, por exemplo, produtos específicos para o problema e um up na hidratação. As principais características de uma pele sensível, segundo o dermatologista Ronaldo Moura, são irritação e sensação de queimação, ardor, repuxamento da pele, coceira, manchas avermelhadas e até descamação.

Possíveis causas 
Conforme explica ao O Otimista, existem fatores biológicos que podem estar por trás dessa maior sensibilidade, podendo ocorrer quando há perda da integridade da barreira da pele, ou seja, quando quando a camada de proteção da pele é rompida. “Isso permite uma maior reatividade e hipersensibilidade, além da desidratação. Como consequência, ocorrem alterações da penetração de microorganismos, desequilibrando a flora da pele”, detalha o especialista. Porém, pondera Moura, é normal haver a presença de algumas bactérias e fungos na pele humana. “O que não pode acontecer é uma hiperproliferação desses agentes”, frisa.

Por outro lado, acrescenta o também integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), é possível apresentar uma pele normal quando criança e a mesma se tornar sensível na vida adulta, mudança essa que pode ter seu gatilho disparado através de inúmeros eventos. Moura destaca quatro deles: fatores ambientais, como mudanças bruscas de temperatura, exposição solar excessiva, vento ou ar muito seco e poluição; alterações vasculares causadas pela ingestão de bebidas como café e alcoólicas, além do consumo de comidas muito condimentadas; procedimentos estéticos não indicados para o tipo de pele em questão ou o uso exagerado e incorreto de cosméticos; e, por fim, doenças dermatológicas como dermatite atópica, dermatite seborreica e rosácea.

Cuidados necessários
Diante de inúmeros eventos capazes de agredir a pele, o também diretor técnico do Instituto Mohs Fortaleza elenca uma rotina capaz de ajudar a amenizar este problema. O cuidado, indica, começa na escolha dos produtos a serem utilizados na região sensível. “Os pacientes devem optar por produtos testados em peles sensibilizadas ou intolerantes”, aconselha Moura. Evitar cosméticos com muitos ativos e privilegiar aqueles mais leves e calmantes, além de fugir de opções que contenham conservantes, álcool, essências, fragrâncias e pigmentos, podem ser caminhos aliados ao bem-estar da pele sensível.

Para quem gosta de se maquiar, a dica do dermatologista é escolher produtos que não sejam à prova d’água. O motivo é que tais modelos são mais difíceis de se remover e requerem maior atrito com a pele e uma maior quantidade de removedores específicos. “Isso pode acabar gerando muitos traumas na camada mais superficial da pele”, alerta.

Outro ponto crucial para quem tem pele sensível é a hidratação. “Se me perguntarem um produto que não pode faltar na rotina de pacientes com pele sensível, sem dúvidas, destaco o uso de hidratantes sem fragrância pelo menos três vezes ao dia”, ressalta. Uma dica para o momento da hidratação, complementa Moura, é colocar o hidratante na geladeira antes de utilizá-lo. Com a temperatura mais fria do produto, justifica, é possível aliviar a coceira e a irritação típicas desses casos.

Um forte aliado não só para quem tem peles sensíveis é o protetor solar. “Eles devem ser leves e não comedogênicos [não oleosas e oclusivas], sem fragrância ou o mais suave possível, além de amplo espectro de proteção [UVA e UVB]. Um protetor solar com FPS 50 ou superior é o ideal para esses tipos de pele”, destaca. Moura ressalta também a importância da reaplicação pelo menos a cada quatro horas, tendo em vista o papel do suor e da transpiração na redução da eficácia do produto.

Procedimentos
Ronaldo Moura recomenda a busca por um profissional especializado antes de fazer qualquer procedimento estético, direcionamento corroborado também pela SBD. “Alguns tratamentos dermatológicos rompem a barreira de proteção e causam inflamação mesmo que controlada ou aumentam a temperatura da superfície da pele, podem sensibilizá-la mais ainda”, comenta. “O ideal é avaliar se a pele está pronta para receber aquela substância, qual produto utilizar e a concentração da substância a ser aplicada”, completa.