Sócio da Leão Group, especialista no mercado norte-americano, explica as possibilidades de imigração para os Estados Unidos.

Obter um visto para viver, trabalhar, estudar ou investir nos Estados Unidos “não é bicho de sete cabeças”. Quem garante é Cavour Caldas, especialista no assunto e sócio da Leão Group. Ele ressalta, no entanto, que o auxílio profissional nesse processo é importante. Uma consultoria, explica, vai traçar o melhor caminho para o visto, bem como o sucesso no mercado norte-americano.

É assim que trabalha a Leão Group, que inaugurou escritório em Fortaleza, onde recebe brasileiros interessados em migrar. Com portfólio variado, a empresa faz uma pré-consulta no histórico do cliente, reúne documentos, faz entrevistas, orienta e até traça um business plan para os imigrantes. Assim, o processo fica mais rápido, barato e eficiente. Especializada no mercado norte-americano, a Leão também atua na internacionalização de empresas e na orientação de investimentos. Em seu portfólio de clientes, também existem estrangeiros com interesses no mercado brasileiro.

Com unidades também no Rio de Janeiro e na Flórida, junto dos sócios Leonardo Leão e Chad Silverman, Cavour conta que viu oportunidades no Nordeste, especialmente no Ceará, por causa da demanda, interesse e proximidade com os Estados Unidos. O cenário político e econômico também está a favor. “As relações comerciais vêm se estreitando e isso abre portas para brasileiros no mercado americano, para investimentos e trabalho”.

Nesta entrevista, concedida no escritório sediado no Meireles, Cavour fala sobre processos migratórios, investimentos e mercado. Confira.

Cavour Caldas

Como nasceu a Leão Group?
A Leão Group nasceu no Rio de Janeiro como um escritório de advocacia, com o nosso sócio e CEO Leonardo Leão. Posteriormente se expandiu para a Flórida, nos Estados Unidos, sediada em Boca Raton. Tem quatro anos que esse escritório funciona e, há uma ano, a gente vem tratando de algumas possibilidades para abrir o escritório aqui no Nordeste porque é a região que mais cresce no Brasil. Em específico no Ceará, Fortaleza, pela facilidade com as terras americanas e também com a região europeia. Abrimos em Fortaleza em 19 de agosto deste ano.

Em que áreas vocês atuam em Fortaleza?
Estamos atuando com questão de imigração, negócios internacionais de modo geral, internacionalização de empresas, expatriação de profissionais. Também temos uma carteira na parte imobiliária nos Estados Unidos, para quem quer fazer investimentos em compra e venda de imóveis, além de termos uma carteira bem interessante em franquias. A gente também ajuda a internacionalizar negócios que tenham interesse no mercado americano, fazendo toda a abertura da empresa, o transporte legal do dinheiro, a parte tributária, contábil, tudo o que é relacionado à empresa no mercado americano. A quem quer se expandir daqui para lá, também prestamos assessoria. 

Entre todos os tipos de vistos americanos, qual o mais trabalhado por vocês?
O nosso público-alvo é formado por profissionais qualificados que tenham possibilidade de migrar para os Estados Unidos através de alguns tipos de visto. Existem 187 tipos de visto, entre os vistos para imigrantes e não imigrantes, e a gente trabalha com os vistos de imigrante. Trabalhamos muito com profissionais qualificados. O governo americano tem necessidade de receber esses profissionais porque a economia americana está crescente e estão faltando profissionais gabaritados, com qualificação. Eles são necessários para o governo americano seguir com seu desenvolvimento, então eles abrem as portas para todo o mundo.

O cliente precisa chegar até vocês com um projeto traçado ou vocês orientam qual o tipo de visto mais adequado?
Normalmente, as pessoas que vêm para cá já tem um direcionamento. Não que isso vá ser seguido porque, às vezes, com a nossa consultoria eles podem mudar a trajetória. Mas normalmente eles vêm com intenção de trabalhar, ou de fazer um mestrado ou doutorado e nós vamos moldando, observando possibilidades dentro do mercado americano. Nós fazemos um business plan, uma programação para o profissional. Nós avaliamos se esse profissional realmente tem condições de entrar no mercado dos Estados Unidos com o visto ou não. Nosso escritório é um escritório boutique. A gente faz uma pré-consulta com o cliente, observando se tem a possibilidade de ingresso no mercado americano. Não adianta iniciar um processo e mais adiante não ter a viabilidade de concessão do visto. 

Que tipo de profissional tem mais facilidade para conseguir um visto?
Dos 187 tipos de vistos, os vistos para imigrantes em maior evidência são os para profissionais habilitados, qualificados, que tenham uma notoriedade no mercado e também tem os vistos para investidores, que são bem mais elevados na questão financeira. Os vistos profissionais não necessariamente requerem uma oferta de emprego nos Estados Unidos porque quando um profissional é bastante qualificado e falta essa mão de obra no mercado, o Governo americano age em favor do interessa nacional, como são de pesquisadores, engenheiros, profissionais do esporte etc. 

Como está o mercado?
O mercado está muito aquecido. Até pela proximidade do governo americano com o governo brasileiro, as relações comerciais vêm se estreitando e isso abre portas para brasileiros no mercado americano, para investimentos e trabalho. 

O brasileiro já foi muito estigmatizado nos Estados Unidos como o imigrante ilegal. Isso mudou?
Ainda segue um pouco. Nós estamos aqui para mudar essa visão. A gente veio para desmistificar, para dizer que é possível, que não tem bicho de sete cabeças. É muito tranquilo, mas, logicamente, você precisa de orientação de um profissional habilitado, que tenha experiência vasta nessa área para te dar o caminho mais certo, observando o seu perfil e indicando o melhor tipo de visto, com as condições de green card, social security, work permit, que deixam o brasileiro mais tranquilo nos Estados Unidos.

Qual o valor mínimo de um processo de aquisição de visto de imigrante para os Estados Unidos?
Tomando como base o employment-based nível 2, com classificação que é NIW (National Interest Waiver), chamado de EB – 2 NIW, que é para profissionais com habilidades específicas, o processo custa em torno de US$ 20 mil. A partir dele, o valor começa a se estender, chegando ao visto de investidor, que é o EB5, que começa com US$ 500 mil para regiões em que falta desenvolvimento econômico e, para regiões que já tem desenvolvimento elevado, são US$ 900 mil. Essas condições para o EB5, inclusive, estão mudando. Esses valores foram prorrogados até o final de novembro, mas eles vão aumentar de US$ 500 mil para US$ 900 mil e o de US$ 900 mil vai passar para US$ 1,8 milhão. É um tipo de visto muito específico, que é para investidores que não têm a qualificação profissional e queiram ingressar mesmo assim, fazendo investimentos ativos ou passivos nos Estados Unidos. 

Que tipo de investimentos são considerados para o visto de investidor?Investimentos econômicos. Compra de casa não é considerado. O mercado americano quer que você faça dinheiro, produza emprego, faça contribuição tributária. Por isso, sempre oriento procurar um profissional habilitado que vai explicar essas nuances. 

A Leão Group ainda atua como escritório de advocacia?
A gente atua com negócios de modo geral, fazendo o link de negócios e também lidando com contratos, orientando os clientes no melhor tipo de compra. Vou dar um exemplo: nós temos uma carteira de alguns investidores estrangeiros, americanos, chineses, israelenses que têm interesse no nosso mercado, como na parte imobiliária, compra de gado, pescado, bem como de comprar produto e levar para os países com que fazem comércio. O nosso produto é muito variado, o nosso cliente é de A a Z. O escritório atende da mineração, do pescado à parte agrícola e pecuária. 

Então vocês também fazem o caminho inverso, ajudando os estrangeiros a chegarem ao mercado brasileiro?
Sim.

Vocês observam outros mercados para expansão?
Não temos prazo para a expansão. Temos uma ideia que ainda está adormecida, mas estamos observando o que está acontecendo no mercado. Depois que a União Europeia firmou um acordo com o Mercosul facilitou muito a migração de brasileiros para a Europa, principalmente Portugal, por causa da nossa relação histórica, e também Espanha. Então o mercado está se abrindo. Empresas italianas, portuguesas, espanholas com interesse no nosso mercado e também brasileiros que querem deixar o país porque veem que a economia está um pouco complicada e têm uma reserva para começar um novo negócio. Nossa intenção em médio é fazer essa troca, de investidores europeus para o Brasil e de brasileiros para a Europa. A gente está estudando as possibilidades e espero que, em breve, a gente possa atender os brasileiros que desejam ir para a Europa. 

Qual a sua trajetória profissional? Como você se uniu a Leão Group?
Eu sou advogado, formado na Universidade de Fortaleza, sou cearense. Sou profissional há dez anos e mudei, mais ou menos nesse período, para o interior porque minha esposa é funcionária pública naquela região. Lá, advoguei durante algum tempo, só que vislumbrando voos maiores. Sempre buscando o direito internacional, conversei com um amigo que estava morando na Flórida, perguntei com quem ele estava sendo assessorado. Foi assim que cheguei ao Leonardo, trocamos algumas ideias, fizemos parcerias em alguns processos de brasileiros que lá estavam. Aí fizemos nossa sociedade, fiquei sócio da Leão Group na Flórida até que decidimos abrir nossas portas em Fortaleza, pela demanda, pelo interesse do cearense nos Estados Unidos. Ainda estamos no início, mas já recebendo bastante parceiros que querem fazer negócios conosco e a tendência é que isso só cresça, para nos expandirmos para outros estados do Nordeste e para a Europa se Deus quiser. 

Que conselho você deixa para quem quer migrar para os Estados Unidos? 
Os processos migratórios não são bicho de sete cabeças, obviamente requerem uma orientação para formar bem o processo, com documentos que possam convencer a autoridade migratória que você tem capacidade de entrar no mercado. É tranquilo, porém complexo, porque existem outros tipos de visto, mais detalhados e o máximo que se tem na escada de valores é o EB5, que é muito elevado, é para um público muito específico. A consultoria se faz necessária para fazer tudo correto. Às vezes, a pessoa quer fazer sozinha e tropeça em alguma burocracia e o custo financeiro e de tempo sobem. Por isso, gostaria de convidar todos os nordestinos, em especial o meu povo do Ceará, a conhecerem o nosso escritório, que está em uma localização estratégica, a uma quadra do Palácio da Abolição, numa estrutura nova, moderna, tecnológica.