Um dos ícones do samba da Bahia, o cantor e compositor Riachão morreu hoje, aos 98 anos de idade. Ele faleceu durante a madrugada enquanto dormia em sua casa, no bairro do Garcia, em Salvador. Uma de suas últimas aparições públicas foi durante o Carnaval, quando acompanhou da sacada de sua casa a saída do bloco Mudança do Garcia.
Dono de um um estilo irreverente, é o autor de clássicos como “Vá Morar com o Diabo”, regravada por Cássia Eller, e “Cada Macaco no seu Galho”, canção escolhida por Gilberto Gil e Caetano Veloso para celebrar a volta da dupla do exílio político durante o regime militar.
Apesar da produção frenética, Riachão gravou poucos álbuns: Riachão (2001), Humanenochum, CD (2000) Samba da Bahia (1975), Sonho de Malandro (1973), Umbigada da Baleia 78 (década de 1960).
O mais recente, Mundão de Ouro, foi gravado em 2013 em parceria com a cantora Vânia Abreu. Ironicamente, ele parte aos 98 anos de idade enquanto se preparava para gravar seu mais novo trabalho, cujo título era “Se Deus quiser eu vou chegar aos 100”.
“Riachão é um imortal da academia brasileira do samba. A sua obra atravessa gerações atravessou o século e vai ultrapassar gerações. O malandro pulou no galho da eternidade”, disse ao UOL o presidente da Comissão de Cultura da Câmara Municipal de Salvador, vereador Silvio Humberto.
Trajetória
Desde os 9 anos de idade o menino Clementino já cantava nas festas e batucadas com os amigos. A primeira composição veio aos 12 anos, mas as primeiras audições públicos só viriam aos 44 anos, primeiro cantando em trio, depois em dupla e finalmente sozinho.
Sob inspiração de Dorival Caymmi, primeiro compositor baiano a gravar no Rio de Janeiro, na década de 50, Riachão compôs três canções que seriam gravadas por Jackson do pandeiro: Meu patrão, Saia e Judas Traidor.
Segundo o presidente da associação Steve Biko e um dos coordenadores do Mudança do Garcia, Raymundo José Alves Badaró, ainda não há informações sobre o velório e o sepultamento do corpo de Riachão. “Numa situação normal ele seria homenageado por todo o bairro e por toda a cidade de Salvador. Mas com essa história de coronavírus as homenagens devem ficar restritas à família”, previu.


















