A pandemia provocada pelo novo coronavírus nos fez repensar o conforto e a praticidade de nossas casas. Neste momento, algumas tendências em arquitetura e decoração ganham ainda mais força

Emanuel Furtado
emanuelfurtado@ootimista.com.br

Com a crise provocada pelo novo coronavírus, ficar em casa ganhou um novo significado. Em um momento como esse, conforto e praticidade no dia a dia se tornaram ainda mais importantes. A ressiginificação do lar fez o mercado de arquitetura e decoração apostar ainda mais forte em revestimentos de fácil limpeza, tecnologia, sustentabilidade e espaços para home office.

Para a arquiteta Mariana Mota, a pandemia nos fez refletir sobre a importância da higienização dos ambientes de casa. Revestimentos como cerâmicas e os porcelanatos são grandes destaques pela facilidade de limpeza, principalmente os polidos e acetinados. Prestar atenção na desinfecção dos revestimentos utilizados nos projetos dos imóveis é agora, além de praticidade, questão de saúde”, avalia ela, que é diretora da Cerbras, indústria de porcelanatos e revestimentos cerâmicos.

Quanto à tecnologia, a arquiteta prospecta que ela será uma aliada na hora de garantir espaços mais modernos, com produtos duráveis e conforto. “Ganham destaque os porcelanatos com tecnologia anti-manchas, revestimentos com imagem full HD e produtos que são desenvolvidos com nanotecnologia”.

Com muita gente dentro de casa, o home office ganhou força e ocupou o lar de muitos profissionais liberais e servidores públicos. Ela avalia que essa experiência veio para ficar. “Muitas empresas já prometeram que vão passar a adotar o modelo de trabalho após a pandemia e, por isso, nosso local de trabalho em casa merece atenção. Vale a pena adaptar o seu escritório doméstico com reformas pontuais e com o uso de equipamentos adequados, para garantir mais conforto na hora de trabalhar”.

Mariana Mota acredita que a sustentabilidade será uma das peças chaves na decoração, dentro dos próximos meses. “Não só no uso de materiais com redução de impactos ambientais, mas na escolha de empresas que têm a responsabilidade socioambiental como compromisso”. E acrescenta: “A casa tem nos acolhido. Com mais tempo recluso, o período de quarentena nos fez olhar mais para cada detalhe da casa, aprendemos a olhar nosso lar como ambiente de aconchego e que precisa de atenção. Por isso, manutenções de pisos, paredes, revestimentos, além de investimentos em decoração prometem ser mais assíduos nos próximos meses”, diz.

A arquiteta Juliana Mota, da Informal Design e Arquitetura, avalia que o isolamento social trouxe a sensibilidade de perceber o lar sob a perspectiva arquitetônica. “Fomos obrigados a estar mais tempo em casa, nosso morar foi potencializado e novas atividades foram assumidas. A moradia era o espaço que usávamos para dormir, realizar refeições, e coexistíamos em outros lugares.  Agora vemos o dia passar e percebemos como ele afeta os ambientes da nossa casa”.

“Foi aí que nos demos conta que talvez o espaço que criamos não era bom o suficiente: fazia calor, não ventilava, a sala era escura, a varanda estava descuidada… ou seja, a intensificação do uso nos fez avaliar se esses espaços estão adequados ou não para a nossa forma de ser”, diz Juliana..

Outro aspecto, segundo ela, diz respeito à necessidade de vivenciar o meio ambiente. “Quando ocorrem restrições de mobilidade e você se vê obrigado a estar dentro de um espaço construído relativamente pequeno, passa a sentir falta de natureza, de ar livre. Acredito que, consequentemente, estamos valorizando um pouco mais o meio ambiente e, portanto, nesse momento pós-pandemia as questões de sustentabilidade passam a ser chave”, acredita.

 Algumas tendências

– Boa entrada de luz natural e ventilação cruzada

– Revestimentos de fácil higienização, como cerâmicas e porcelanatos

– Pensar a casa a partir das atividades praticadas nela

– Plantas nos ambientes

– Espaços ao ar livre, como varandas e jardins

– Escritórios para home office