Júlia Lemmertz comenta espetáculo em homenagem à escritora Cora Coralina, que ganha estreia nacional em Fortaleza

A poesia ganha corpo e voz no palco do Cineteatro São Luiz neste fim de semana, com a estreia nacional do espetáculo Cora, mulher, escritora Coralina, protagonizado por Júlia Lemmertz. Em formato de leitura dramatizada, a montagem mergulha no universo da autora goiana ao reunir contos e poemas que atravessam memória, cotidiano e experiência feminina. Apresentação marca o início da turnê e reforça a força da literatura quando transposta para a cena

Sâmya Mesquita
samyamesquita@ootimista.com.br

Poucas artes têm o mesmo primor eufórico de ver uma poesia ganhar voz no teatro. Pois é exatamente esse encontro que chega ao palco do Cineteatro São Luiz neste fim de semana, quando a atriz Júlia Lemmertz estreia nacionalmente o espetáculo Cora, mulher, escritora Coralina. A montagem, em formato de leitura dramatizada, propõe uma imersão no universo da escritora goiana, reunindo contos e poemas que atravessam memória, cotidiano e experiência feminina.

A ideia do espetáculo nasceu de um processo artístico já em curso entre Júlia e o diretor Antonio Gilberto. “A motivação primeiro vem de um encontro meu com Antônio Gilberto, com Celso Lemos. A gente já fez um trabalho anterior com poemas e contos da Lia Luft. E aí veio essa outra ideia de fazer Cora Coralina, que é uma autora tão extraordinária, importante, moderna, precursora de muita coisa”, afirma a atriz, em entrevista exclusiva ao Tapis Rouge.

Para ela, o projeto ainda carrega um caráter de experimentação: “Acho que esse é um embrião de alguma coisa que ainda vai, uma leitura mesmo dramatizada, enfim, com uma encenação mínima… talvez venha a nascer um espetáculo dessa sementinha”.

Poesia afetiva

A seleção de textos, que costura diferentes momentos da vida de Cora Coralina, também foi pensada como uma travessia biográfica e afetiva. “A gente se concentrou um pouco no caminho dela, na história dela, a infância, a juventude, o casamento, as viagens… é muita coisa. A obra dela é bem extensa, então é difícil de escolher mesmo”, explica a atriz. O resultado é uma narrativa que evidencia a força do cotidiano como matéria poética, revelando personagens, paisagens e experiências que marcaram a trajetória da escritora.

No palco, a atriz também se debruça sobre temas que atravessam a escrita de Cora, como o tempo, a maturidade e a experiência feminina. “A obra da Cora Coralina não só é feminina, como é feminista. Ela observa a mulher, as diferenças, acolhe tudo. Isso é muito bonito, muito humano. Eu me sinto grata por estar dando vida a essas palavras”, ressalta. A montagem ganha ainda uma camada sensorial com a presença de trilha sonora executada ao vivo, que amplia a atmosfera intimista e reforça a dimensão emocional da leitura.

Fortaleza é do Brasil

A escolha de Fortaleza como ponto de partida da turnê reforça a proposta de ampliar o alcance da obra para além dos grandes centros. “Eu sempre acho bonito viajar e conhecer novas plateias. Foi uma sorte vir para cá e trazer a Goiânia de Goiás Velho de Cora Coralina para Fortaleza, mostrar que a poesia não tem fronteiras”, reflete. Para Júlia, a autora “é do Brasil, é de qualquer lugar, é de todos”, o que torna o encontro com o público cearense ainda mais simbólico.

A relação da atriz com Fortaleza também adiciona um componente afetivo à estreia: “Eu amo Fortaleza, já vim diversas vezes… hoje [nesta sexta-feira, data da entrevista], quando saí do aeroporto e senti aquele ventinho morno, me deu uma alegria. É uma terra linda”. Júlia ainda resgata memórias de suas primeiras passagens pela Cidade, nos anos 1980, e celebra o retorno agora em um novo momento da carreira. “Estamos animados para essa estreia aqui e vamos fazer com todo amor e carinho”, adianta.

Com classificação livre e duração de 60 minutos, o espetáculo é muito mais que uma homenagem: é um convite para toda a família à escuta, da palavra, da memória e, sobretudo, das muitas vozes femininas que ecoam na literatura brasileira.

Serviço

Espetáculo Cora, mulher, escritora Coralina
Neste sábado (28), às 19h, e domingo (29), às 18h
No Cineteatro São Luiz (Rua Major Facundo, 500 – Centro)
Ingressos entre R$ 40 (plateia superior meia) e R$ 100 (plateia inferior inteira)
Vendas na plataforma Sympla, com taxas, e na bilheteria do Cineteatro São Luiz (terça a sexta, das 9h30 às 18h; sábado, das 9h30 às 17h)
Mais: @cineteatrosaoluiz no Instagram

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