No seu novo projeto “Neoplasticismo, Edição Limitada”, o artista plástico José Guedes se apropria do trabalho de Piet Mondrian para lançar um novo olhar sobre elas. Oito obras inéditas estarão abertas para visitação virtual a partir desta quarta-feira (7)

Naara Vale
naaravale@ootimista.com.br

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José Guedes

No meio de linhas e ângulos retos, uma curva acentuada. Ou duas, ou três, ou um looping que volta a se transformar em linhas e ângulos retos. Numa tentativa de questionar o Neoplasticismo, movimento artístico que tinha como características principais o uso de cores primárias, linhas e ângulos retos, o artista plástico cearense José Guedes lança nesta quarta-feira (7) seu novo projeto, Neoplasticismo, Edição Limitada.

Ao todo, serão oito obras inéditas, cada uma com tiragem de 20 exemplares, executadas em impressão digital UV sobre placas de ACM (Aluminum Composite Material) e medindo 90 x 120 cm. Elas estarão abertas à visitação virtual a partir das 18h, quando será divulgado, nas redes sociais do artista e de seus representantes (Galeria Casa D’Alva e Sergio Gonçalves Galeria), o link que dá acesso ao site onde a exposição fica em cartaz durante um mês.

Ao acessar o site, o público poderá conferir cada uma das obras e os textos que as acompanham, assim como adquirir os trabalhos. Após esse período, as obras passam a integrar o acervo digital das galerias Casa D’Alva e Sergio Gonçalves Galeria no Rio de Janeiro e em São Paulo.

O projeto

Neoplasticismo, Edição Limitada é mais uma série de trabalhos que José Guedes realiza no campo da apropriação de obras de arte ou de artistas consagrados na história da arte. “Dou meu recado como se fosse uma apropriação do universo dos artistas”. Desta vez, o cearense se debruça sobre obras do holandês Piet Mondrian, que lado de Theo Van Doesburg, fundou, em 1917, o Neoplasticismo. Desse mergulho, nascem tensões propositais simbolizadas pelas linhas curvas.

“Mondrian era radical com a questão das linhas retas, ângulos retos e o colorido primário. Ele tinha uma divergência grande com os parceiros de movimento porque criavam umas linhas oblíquas. Então, no meu mergulho na obra do Mondrian, eu criei, digamos, uma outra vertente dentro desse universo que foi a inserção de linhas curvas, que têm a intenção de criar, além de uma linha curva, uma tensão dentro da obra”, explica Guedes.

Segundo artista plástico, o trabalho foi pensado em cima das tensões e desequilíbrios atuais pelas quais o mundo passa, provocando e divergindo diretamente de Mondrian, o qual defendia que por trás de tudo existia um equilíbrio com o universo, algo que era traduzido em suas pinturas através do uso reduzido cores, linhas e formas. “Cem anos depois do Neoplasticismo, tudo o que aconteceu no mundo propiciou, de certa forma, essa abertura. Nós vivemos muitas tensões ao longo desse tempo”, pontua.

Novo olhar

O trabalho com apropriações e releituras dentro da história da arte não é novidade na trajetória de Guedes. Ano passado, em Calvário, única exposição que a pandemia o permitiu apresentar, Guedes fez sua versão de obras clássicas que traziam como tema a crucificação e ressurreição de Cristo. A série Fênix, lançada em 2019, no entanto, é uma das mais expressivas nesse sentido.

No projeto, Guedes trabalha com obras de arte já consagradas – inclusive várias de Mondrian – que foram fotografadas, amassadas e reconstruídas no alumínio, dando uma sensação de obra em 3D. Em breve, 12 dessas obras estarão na Bienal Nômade, no Equador, prevista para inaugurar em junho, e posteriormente, seguem para a Polônia e Ilhas Canárias.

Serviço:
“Neoplasticismo, Edição Limitada”, do artista plástico José Guedes
Lançamento: quarta-feira (7), às 18h
Onde: redes sociais de José Guedes (@joseguedesart), Galeria Casa D’Alva (@casadalvavirtual) e Sergio Gonçalves Galeria (@sergiogoncalvesgaleria)