O dito popular de que opostos se atraem pode ser uma boa definição para indicar o ponto de partida da relação entre Eduardo e Mônica. Ela, experiente e vivida, encanta-se por um jovem de cursinho com pouca bagagem. É neste encontro de atmosferas divergentes que nasce o longa-metragem Eduardo e Mônica, marcado para chegar aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 20. Com direção de René Sampaio e produção de Bianca De Felippes, o filme bebe na fonte da canção homônima ao casal, um clássico do rock brasileiro, escrito por Renato Russo e eternizado pela banda Legião Urbana.

Amar e descobrir

Com Alice Braga e Gabriel Leone nos papéis-título, o filme percorreu renomados festivais internacionais, como os de Miami e Edmonton, onde conquistou, em 2020, o prêmio de Melhor Filme. A adaptação se define como um romance na qual os mocinhos precisam superar as muitas diferenças para viver um grande amor na Brasília dos anos 1980.

“O filme é uma delicada história de amor que fala, entre outras coisas, sobre como é possível amar e respeitar quem pensa muito diferente de você. Em alguma medida, todos já foram o Eduardo ou a Mônica em alguma relação”, define o diretor.

A obra se passa em 1986, ano de lançamento do disco Dois, da Legião Urbana, e o espectador vai encontrar homenagens a emblemáticos eventos do período. Também estão no elenco Otávio Augusto (como Bira, avô de Eduardo), Juliana Carneiro da Cunha (Lara, mãe de Mônica), Victor Lamoglia (Inácio, amigo de Eduardo), Bruna Spínola (Karina, irmã da Mônica) e Fabrício Boliveira em participação especial.

O longa foi filmado em Brasília, no Rio de Janeiro e na Chapada dos Veadeiros, durante oito semanas, em 2018. A equipe principal contou com mais de 200 pessoas e orçamento de R$ 10 milhões. Bianca De Felippes e René Sampaio estão se encontrando mais uma vez depois do sucesso de Faroeste Caboclo (2013), outro grande hit da Legião, cuja adaptação cinematográfica foi vista por mais de 1,5 milhão de espectadores. Recentemente, René revelou o desejo de adaptar outra canção da banda para os cinemas. No entanto, não revelou qual será a próxima escolhida.

Serviço

Eduardo e Mônica

Estreia nesta quinta (20), nos cinemas

Crítica
Que nem feijão com arroz

Émerson Maranhão

emerson@ootimista.com.br

São muitos os desafios de se adaptar para o cinema uma canção como Eduardo e Mônica. O primeiro deles é não desapontar a legião de fãs (com trocadilho!) da história de amor entre duas personagens tão icônicas, verdadeiramente um dos hinos geracionais do rock brasileiro. O segundo é o inverso do primeiro, como surpreender plateias que já conhecem de cor e salteado cada detalhe do romance entre o boyzinho que tentava impressionar e a menina com tinta no cabelo? Ao tempo em que a letra de Renato Russo, neste que é um dos maiores clássicos dos anos 1980, já é praticamente um argumento pronto, a adaptação traz em si a provocação de transbordá-la, ir além do que seus versos indicam mas mantendo fidelidade ao cerne de sua história.

A tarefa, hercúlea, é executada com sucesso pelo diretor René Sampaio e pela enorme equipe de roteiristas que assinam a versão que chega às telas nesta semana. Eduardo e Mônica é um filme delicado, sensível e apaixonante. Para públicos de todas as idades, é bom frisar. Mas é inegável que os que já cruzaram a fronteira dos “enta” terão acesso a outras camadas narrativas, espalhadas por referências musicais, visuais e até comportamentais ao longo do filme.

Por falar em referências musicais, a trilha sonora de Eduardo e Mônica é um show à parte. Com direito a uma citação deliciosa de Tainted Love e de uma sequência movida dramaticamente por uma versão sensacional de Total Eclipse of the Heart, o impagável clássico cafona de Bonnie Tyler.

Também são dignos de nota de excelência a direção de René Sampaio, que traz belos enquadramentos sem fazer disso um distanciador da trama, a atuação dos protagonistas (como não se apaixonar por Eduardo??!! Como não se apaixonar por Mônica??!! Como não querer ser um e outro??!!) e, mais uma vez, o talento da equipe de roteiristas, em todas as soluções que encontraram (e não foram poucas), conexões e desdobramentos dramáticos.

Ao sair da sessão de Eduardo e Mônica a vontade que dá é encontrar uma festa legal, porque a que gente quer se divertir (ainda mais se for uma festa estranha, com gente esquisita!).

Mais

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