Movidos pela escuta, pela curiosidade e pela afinidade artística, Igor de Carvalho e Moreno Veloso dividem o palco do Cineteatro São Luiz neste domingo (1º), com um espetáculo construído a partir de canções autorais, parcerias e rearranjos que refletem a relação entre os artistas. Em entrevista exclusiva ao Tapis Rouge, Igor revela detalhes sobre o concerto
Onivaldo Neto
onivaldo@ootimista.com.br
Dois dos maiores representantes da MPB contemporânea desembarcam em Fortaleza neste fim de semana. Os cantores Igor de Carvalho e Moreno Veloso sobem ao palco do Cineteatro São Luiz no domingo (1º) para apresentar ao público fortalezense um espetáculo singular, construído a partir de canções autorais e composições criadas em parceria. Ao Tapis Rouge, Igor fala com exclusividade sobre a colaboração com Moreno, adianta detalhes do que os fãs locais podem esperar da apresentação no equipamento cultural e revela planos para o show, que já passou por diferentes cidades do País.
Sintonia
Apesar de não lembrar com precisão o momento em que surgiu a ideia de levar a parceria com Moreno para os palcos, o artista pernambucano relata que a escuta imediata entre ambos, quase natural, foi a força motriz para o nascimento do concerto. “Quando me encontrei com o Moreno pela primeira vez, a conversa já começou pela música (…) Pouco depois, ele escutou minha música e voltou interessado, querendo falar sobre ela, entender mais, aprofundar. Acho que foi nesse movimento de curiosidade mútua, de escuta generosa e de sintonia sensível, que percebemos que orbitávamos o mesmo lugar. O concerto nasce menos de uma decisão e mais dessa convivência de escutas que, em algum momento, pediu palco”, relembra.
A conexão e estima entre os cantores se refletem no repertório do espetáculo, composto por canções autorais individuais e colaborações — incluindo gravações de outros intérpretes, porém com novos arranjos. “Quando essas canções já ganham o mundo e depois voltam para nós em novos arranjos, elas chegam mais densas, carregadas de outras verdades. Cantar depois de ser cantado é adicionar camadas, é aprender com a própria criação. Nesse momento, o compositor pode brincar de virar intérprete e oferecer uma nova chave de escuta para algo que já parecia fechado. Ao mesmo tempo, existem músicas que nascem na minúcia, quase em segredo, feitas para tirar a gente do próprio calabouço”, comenta Igor de Carvalho.
Expectativas

Para o público fortalezense, a expectativa é oferecer uma experiência que vá além do entretenimento imediato. De acordo com Igor, o espetáculo surge como um convite à pausa, em contraste com a velocidade de respostas prontas que marcam o cotidiano contemporâneo. “Vivemos um tempo de excesso de certezas, (…) muito impulsionado pela lógica da internet. O que buscamos no palco é quase o contrário: criar espaço para que novas palavras e novos sentimentos encontrem o seu lugar. Espero que o público saia do Cineteatro São Luiz com essa sensação de escuta ativa, de tempo suspenso, levando consigo algo que não precisa ser resolvido, mas sentido. Uma experiência que pode ser complexa ou simples, abstrata ou direta, mas que tenha substância e permaneça depois que as luzes se acendem”, almeja.
Por vir
Sobre o futuro da parceria, a possibilidade de um projeto em estúdio não é descartada, mas tampouco aparece como uma urgência. No momento, Igor e Moreno optam por viver plenamente a experiência do palco, deixando que a música, o corpo e a escuta indiquem, com calma, os próximos passos. “Não temos contrato assinado com o amanhã. O que existe agora é experiência. Existe escuta, corpo em movimento, música acontecendo no presente. Claro que a possibilidade de um projeto inédito de estúdio está ali, porque há sinergia, parceria, palavra, vontade. Nada está descartado. O tempo segue sempre adiante, mas a nossa escolha é permanecer no agora. Se esse caminho pedir registro, ele vai se anunciar. Até lá, seguimos atentos ao que está vivo”, afirma.
serviço
Igor de Carvalho e Moreno Veloso
Domingo (1º), às 18h
Ingressos: R$ 80,00 (Inteira), R$ 40,00 (Meia)
Ingressos nas bilheterias físicas do Cineteatro São Luiz ou no site Sympla



















