Helena Ranaldi, Ana Rosa e Fernanda Nobre sobem ao palco do Theatro Via Sul neste fim de semana com a peça “Três Mulheres Altas”, que mistura humor e reflexão sobre o envelhecimento, as memórias e o tempo que passa inevitavelmente. Montagem já percorreu mais de 12 cidades e promete emocionar e divertir o público cearense
Sâmya Mesquita
samyamesquita@ootimista.com.br
O tempo pode ser implacável, mas também é capaz de render boas gargalhadas e reflexões. É essa a proposta de “Três Mulheres Altas”, clássico de Edward Albee que desembarca em Fortaleza, de sexta (26) a domingo (28), no Theatro Via Sul. Estrelada por Helena Ranaldi, Ana Rosa e Fernanda Nobre, a montagem dirigida por Fernando Philbert já rodou por 12 cidades brasileiras, ultrapassando a marca de 70 mil espectadores, com indicações a prêmios como Cesgranrio, Bibi Ferreira e Cenym. Com humor afiado, o espetáculo coloca três gerações frente a frente em um diálogo sobre memórias, arrependimentos, envelhecimento e, sobretudo, sobre como aproveitamos o tempo que nos resta.
Uma peça sobre todas nós
Escrito em 1991, “Três Mulheres Altas” rendeu a Edward Albee o Prêmio Pulitzer de Teatro e permanece atual ao tratar de temas como envelhecimento, machismo, desejo e casamento. No palco desse clássico da dramaturgia contemporânea, três mulheres — a jovem, a adulta e a idosa — se encontram como espelhos, refletindo erros, conquistas e a inevitável passagem do tempo. Tudo isso em uma narrativa que fala de todas nós: sobre o que fomos, o que somos e o que ainda podemos ser. “Apesar dos temas profundos, a peça é uma comédia em que rimos de nós mesmos”, destaca o diretor Fernando Philbert. Essa leveza garante que o público saia do teatro refletindo, mas também sorrindo.
Três faces sobre ser mulher
Intérprete da personagem B, Helena Ranaldi se diz profundamente tocada pelo texto de Albee. “Sempre me interessei muito pela vida. E esse texto provoca uma reflexão muito importante sobre a passagem do tempo, sobre como nos percebemos em diferentes fases e como a vivência nos transforma e nos prepara para novos desafios”, afirma em entrevista exclusiva ao Tapis Rouge.
Helena, que marcou a TV em personagens icônicas como a professora Raquel em “Mulheres Apaixonadas”, ainda compara o presente e o passado da dramaturgia: “Antigamente, as pessoas tinham o hábito de sentar em frente à televisão com a família e assistir às novelas. Hoje isso acontece com menor frequência, porque o streaming ampliou as possibilidades de escolha. Mas no teatro o encontro é sempre único, cada trabalho representa um novo desafio”.
Já Ana Rosa, dona de uma carreira histórica, registrada até no Guinness Book como a atriz com mais trabalhos na TV, dá vida à personagem A, uma senhora de 92 anos. Para ela, o palco ainda é espaço de reinvenção. “O teatro, assim como o circo, é arte milenar, genuína. A diferença é que no teatro sentimos a reação imediata do público, e cada espetáculo é diferente, mesmo com o mesmo texto. Isso torna o desafio sempre prazeroso”, pontua.
Aos 83 anos, a atriz encontra pontos de contato com sua personagem, mas com uma ressalva bem-humorada: “Minha experiência de vida me deixa muito gratificada. Não digo realizada, porque sempre há o que fazer, mas, sim, gratificada. Há semelhanças entre nós, mas felizmente ainda tenho autonomia, memória e capacidade de trabalho, o que minha personagem já não tem”.
Por fim, na pele da personagem C, a mais jovem das três: Fernanda Nobre. Ela conta que mergulhar no universo de Edward Albee foi uma experiência transformadora. “É um texto que nos faz rir, mas também nos desconcerta. Fala de amor, de perdas, de expectativas e frustrações de um jeito muito verdadeiro. O público se identifica, porque em algum momento já sentiu algo parecido”, comenta.
Fernanda cresceu aos olhos do público, de “Despedida de Solteiro” (1992) a “Um Lugar ao Sol” (2022). E ressalta que a peça também dialoga com questões femininas universais. “É muito interessante perceber como as mulheres em cena se refletem uma na outra. O texto mostra a trajetória de uma vida inteira, e estar nesse lugar da juventude, debatendo sonhos e conflitos, me faz pensar no que ainda está por vir. É uma troca intensa com a plateia e com as colegas em cena”.
Esse encontro entre Helena, Ana e Fernanda vai além das personagens: é um convite para que o público se reconheça em cada fase da vida, com suas dores, conquistas e descobertas. E reafirma a força do teatro como espaço de reflexão mesmo diante da inevitável passagem do tempo.
serviço
Espetáculo “Três Mulheres Altas”
Sexta (26) e sábado (27), às 20h, e domingo (28), às 17h
No Theatro Via Sul. Avenida Washington Soares, 4335 Seis Bocas
Ingressos no Uhuu! entre R$ 25 e R$ 70, mais taxas
O espetáculo tem intérprete de libras e o programa será disponibilizado em Braile
Mais informações: @theatroviasulfortaleza


















