Com aproximadamente 50 obras, oito delas integrantes da Semana de Arte Moderna, chega a Fortaleza a exposição Victor Brecheret e a Semana de Arte Moderna de 1922. Mostra inaugura hoje (15) na Galeria Multiarte
Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br
Um século se passou desde que o mundo olhou para o que o Brasil produziu na Semana de Arte Moderna de 1922. Passado todo este período, porém, o evento segue com o status de marco mais imponente da cena cultural nacional. É trazendo parte deste peso na bagagem que a exposição Victor Brecheret e a Semana de Arte Moderna de 1922 abre, hoje (15), para visitação na capital cearense. A mostra conta com oito peças que estiveram expostas no Theatro Municipal de São Paulo, durante a histórica Semana de Arte.
“Teremos três obras de Brecheret que foram apresentadas na Semana de Arte Moderna: ‘Ídolo’, ‘Vitoria’ e ‘Soror Dolorosa’, todas em bronze patinado. E mais 29 obras, sendo dez desenhos, duas esculturas em terracota, uma escultura em mármore e 16 em bronze”, detalha Max Perlingeiro, curador da exposição. Além da exposição o público terá acesso a um catálogo ilustrado com textos e imagens, constituindo um elemento bibliográfico importante. A obra conta com 84 páginas, preenchidas por imagens das obras e textos de Max e da pesquisadora Daysi Peccinini.
“A exposição foi pensada em 2021, em comemoração aos 100 anos da Semana de Arte Moderna, e a seleção de obras foi concluída no início de 2022, com o apoio do Instituto Victor Brecheret. Após uma longa pesquisa, as obras históricas foram incluídas”, resgata Perlingeiro. Além das obras de Brecheret, a mostra trará também trabalhos de Anita Malfatti (1889-1964), Tarsila do Amaral (1886-1972), Vicente do Rego Monteiro (1899-1970), Zina Aita (1900-1967) e Helios Seelinger (1878-1965).
Percursos da mostra
A essência da biografia do artista título, segundo o curador, faz parte do conceito da exposição, apresentada em quatro módulos distintos. “Brecheret e a Semana de Arte Moderna”, que contempla os artistas presentes no evento em questão; “O feminino na escultura de Victor Brecheret”, com as esculturas, em variados materiais e modalidades, sobre a figura da mulher; “Brecheret e a escultura religiosa”, com obras produzidas nas décadas de 1940 e 1950, que dão a dimensão da importância e da pluralidade de sua produção religiosa; e “Brecheret e a escultura com temática indígena”, universo a que se dedica cada vez mais no final dos anos 1940, a forma estrutural que perseguia desde a década de 1920, influenciado pelo poeta Mário de Andrade.
Em uma vitrine, estarão raros exemplares de várias publicações: Livro de Horas de Soror Dolorosa (1920), poema de Guilherme de Almeida que inspirou a escultura exposta por Brecheret na Semana de Arte; A Estrela de Absinto (1927), de Oswald de Andrade, romance cujo personagem principal, o escultor Jorge D’Alvellos, é inspirado em Brecheret; O Losango Cáqui(1926), de Mário de Andrade, com capa de Di Cavalcanti; edição fac-similar do Catálogo e do Programa da Semana de Arte; O Sacy (1926-1927), revista modernista fundada por Cornélio Pires; e o álbum de gravuras de Di Cavalcanti, Os Fantoches da Meia-noite (1921).
“A missão da Multiarte, desde o início das suas atividades [há 35 anos], foi trazer para Fortaleza artistas modernos e contemporâneos e obras expressivas, apresentando sempre acompanhadas de um catálogo ilustrado com todas as obras reproduzidas. Sempre com o foco na arte brasileira”, completa Max Perlingeiro.
Serviço
Exposição Victor Brecheret e a Semana de Arte Moderna de 1922
Abertura hoje (15), às 19h, na Galeria Multiarte
(Rua Barbosa de Freitas, 1727, Aldeota)
Fones: (85) 3261.7724 e (85) 3261.2667
Mais: @galeriamultiarte


















