Exposição reúne obras de Ariano Suassuna e vários artistas nacionais em Fortaleza

A exposição ARMORIAL 50, que celebra trabalhos de Ariano Suassuna e do Movimento Armorial, chega ao Espaço Cultural Unifor nesta sexta (21), trazendo mais de 140 obras, apresentações musicais e debates que já encantaram mais de 420 mil pessoas pelo Brasil. A entrada é gratuita e a mostra fica em cartaz até 29 de junho

Sâmya Mesquita
samyamesquita@ootimista.com.br

Se Ariano Suassuna estivesse entre nós, certamente diria que o Movimento Armorial não é apenas uma expressão artística, mas uma celebração da alma brasileira. E é exatamente essa essência que a exposição ARMORIAL 50 leva ao Espaço Cultural Unifor, a partir desta sexta-feira (21). Com mais de 140 obras, apresentações musicais, debates e uma programação interativa a mostra faz uma temporada com visitação gratuita na capital cearense até 29 de junho.

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Iluminogravura Lápide, de Ariano Suassuna

Criado em 1970 por Ariano Suassuna, o Movimento Armorial surgiu como uma resposta à descaracterização da cultura brasileira, propondo uma fusão única entre as matrizes populares e eruditas. “A estratégia adotada para essa conexão foi chamar a atenção para o fato de que Ariano defendeu pautas atuais desde sempre. Não por acaso, ele criou um Cristo negro no seu Auto da Compadecida de 1955, uma audácia para época”, explica Denise Mattar, curadora da exposição. A mostra reúne ainda obras de artistas fundamentais como Francisco Brennand, Gilvan Samico e J. Borges, além de figurinos, xilogravuras e peças que remetem às festas populares, como o Reisado e o Maracatu.

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O fazedor da manhã, 1982, de Gilvan Samico (Foto: Diego Rocha/Divulgação)

A exposição é dividida em núcleos que contam a trajetória do movimento, desde sua fase experimental até as reverberações na arte contemporânea. “A exposição tem vídeos e música, mas seus elementos mais impactantes, como os figurinos de Brennand, a Onça Caetana e o Caboclo de Lança, são recursos imersivos analógicos. Creio que essa opção agradaria muito a Ariano”, diz Denise.

A programação inclui ainda os Encontros Petrobras de Música Armorial e os Diálogos Petrobras sobre Arte Armorial, que recriam a atmosfera das icônicas aulas-espetáculo de Suassuna. E uma playlist exclusiva no Spotify, que traz duas horas de música armorial, disponível via QR Code na exposição.

Para Regina Rosa de Godoy, idealizadora e coordenadora da mostra, levar ARMORIAL a diferentes cidades é uma forma de manter viva a essência do movimento: “É importante que as pessoas vivam este alumbramento e sejam permeadas por esta arte brasileira, nascida de nossos ancestrais e mantida por nossos mestres e mestras da cultura popular. E os mestres e mestras se alimentam da cultura popular para construir outros sons e formas de pensar e sentir, sem esquecer a essência”.

Mas engana-se quem pensa que o projeto parou na exposição. “Já temos um filme sobre o Grupo Grial [grupo de dança criado por Ariano Suassuna e Maria Paula Costa Rego] e sobre o Movimento Armorial 50 anos também aprovado. E estamos em captação”, adianta Regina.

Encontros artísticos

Além da exposição principal, o Espaço Cultural Unifor recebe duas mostras paralelas: Imagens em Trânsito: Memória, Fotografia e Identidade, da fotógrafa Delfina Rocha, e Um Oceano Dentro de Mim, da artista Jane Batista. Ambas integram o projeto Trajetórias Artísticas Unifor e reforçam o diálogo entre memória, identidade e resistência.

Vale dizer que ARMORIAL 50 não é apenas uma exposição, mas uma imersão na cultura brasileira. “Ariano nos mostrou que a arte pode ser erudita e popular ao mesmo tempo, e que o humor e a beleza são ferramentas poderosas para refletir sobre nossa identidade”, conclui Denise Mattar.

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