Exclusivo: Zezé Motta fala sobre o espetáculo “Coração Vagabundo”, onde canta sucessos de Caetano Veloso

Atriz consagrada, Zezé Motta retoma carreira musical e traz a Fortaleza, neste domingo (5), o espetáculo Coração Vagabundo, onde presta homenagem a Caetano Veloso, de quem já foi musa inspiradora. Ao Tapis Rouge a artista fala sobre a carreira e a obra do ídolo baiano

Danielber Noronha 

danielber@ootimista.com.br

Ela já foi Xica da Silva nos cinemas, mas também emprestou talento para novelas de sucesso, como Corpo a Corpo (1984) e a segunda versão de Sinhá Moça (2006). Em um tempo onde a mídia ditava quais rostos podiam aparecer, a artista fluminense Zezé Motta se fez presente onde sua arte foi capaz de chegar, rompendo barreiras e estabelecendo novos paradigmas. Na música, tem mais de 14 discos gravados e é a também a fonte de inspiração para versos de Caetano Veloso na clássica Tigresa (1977), tornando mais latente a admiração que sempre nutriu pelo artista. Prova disso é que antes mesmo de saber sobre os bastidores da composição, ela criou, em 1990, o espetáculo Coração Vagabundo – Zezé canta Caetano.

Agora, mais de 30 anos depois, Zezé resgata o espetáculo em questão e chega com ele ao Ceará neste domingo (5), para cantá-lo aos fortalezenses no palco do Cineteatro São Luiz. Ingressos estão à venda no site sympla.com.br e custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia).
O prazer de cantar Caetano

A história de Zezé com o músico – presente na lista dos 200 melhores cantores da história, divulgada pela revista americana Rolling Stone – começou em 1978, quando ele entregou a letra de Pecado Original para ela gravar. Anos mais tarde, Zezé grava Miragem de Carnaval, a convite do próprio Caetano, para o filme Tieta, de Cacá Diegues, do qual também integrou o elenco.

Em entrevista exclusiva ao Tapis Rouge, Zezé Motta diz ser motivo de “honra e privilégio” poder visitar a obra de um artista com a estatura do cantor baiano. “A obra de Caetano nunca deixa de ser atual, é impressionante isso! A gente pode revisitar uma música que foi gravada há exatos 30 anos, mas é incrível como a grande maioria delas são atuais e fazem parte da vida de muitos brasileiros”, destaca a intérprete.

Para a nova leva de performances de Coração Vagabundo, Zezé propõe uma releitura do show lançado nos anos 1990, mas com uma roupagem voz e piano, com intuito de criar um cenário intimista e ao mesmo tempo caloroso. Faixas como Luz do Sol, O Ciúme, Odara, Esse Cara, Sampa e Tigresa fazem parte do repertório.

Esta última, inclusive, tem Zezé como musa inspiradora, segundo revelou o próprio Caetano Veloso em 2015, ao colunista Nelson Motta. Até então, dizia-se que Sônia Braga tinha sido a fonte inspiradora dos versos “Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel/ Uma mulher, uma beleza que me aconteceu/ Esfregando a pele de ouro marrom do seu corpo contra o meu.” As especulações, revela a atriz, deixavam-na tímida, mas foram tomadas pela alegria quando veio a confirmação: “Quase morri do coração, mas, parando pra pensar, a letra diz muito sobre meu visual no final dos anos 1970. Sempre usei esmaltes pretos e tinha aquele visual andrógino”, rememora.

Para novas gerações 
Aos 78 anos, presenciando um cenário bem mais plural do que aquele encontrado quando adentrou à vida artística, Zezé demarca com propriedade o lugar de vanguarda na luta pelo espaço da negritude no campo das artes. “Lá atrás, junto com Ruth de Souza, Lea Garcia, Milton Gonçalves, [Antonio] Pitanga, Zózimo Bulbul e muitos outros saudosos colegas, demos muita cotovelada para que hoje tivesse mais espaços para o negro na mídia”, pontua a atriz.

Graças à internet, celebra a artista, vários jovens passaram a conhecer seus trabalhos antigos, seja na música, na televisão, no teatro ou no cinema. Multifacetada, ela explica que nunca traçou um plano de carreira, se permitindo, assim, ir para onde havia vez para seu talento. “Quando não tinha espaço para a cantora, a atriz estava em cena. Quando não tinha espaço para atriz, a cantora entrava em cena, sempre levei bem esses dois lados. Acontece também que no Brasil isso não é muito comum. Lá fora, quando você é artista, é artista”, compara. Diante de tantos feitos, a inspiração para várias gerações de brasileiros já fez novelas no exterior, além de ter cantado em pelo menos dez países, incluindo paradas em Paris (França) e em Nova York (EUA). “Não posso reclamar da vida”, arremata Zezé.

Serviço
Coração Vagabundo – Zezé canta Caetano
Neste domingo (5), às 18h
No Cineteatro São Luiz (R. Major Facundo, 500, Centro)
Ingressos esgotados

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