Definido pelo jornal The New York Times como “um thriller sofisticado e implacável”, “JOB” chega a Fortaleza neste fim de semana. Protagonizada por Bianca Bin e Edson Fieschi, peça mergulha nas cicatrizes emocionais da geração digital. Com exclusividade ao Tapis Rouge, Bianca revela detalhes sobre a preparação para a montagem, sua relação com o tema e o público, entre outros assuntos
Onivaldo Neto
onivaldo@ootimista.com.br
O que acontece quando o “filtro” da internet perde a própria proteção? Essa é a premissa de “JOB”, fenômeno teatral que conquistou a Broadway e agora chega aos palcos de Fortaleza como parte do projeto CUCO – Culturas Conectadas, iniciativa da Procult Mais. Estrelada por Bianca Bin e Edson Fieschi, a peça entra em cartaz no Teatro Brasil Tropical, com sessões na sexta-feira, 6, sábado, 7, e domingo, 8. Sob a direção de Fernando Philbert, a versão brasileira acompanha o embate entre uma jovem traumatizada pelo submundo das redes sociais e seu terapeuta. Entre o silêncio e o confronto, “JOB” se destaca como um retrato visceral das cobranças e colapsos da geração digital.
Em entrevista exclusiva ao Tapis Rouge, Bianca adianta que está emocionada e feliz em trazer o espetáculo a Fortaleza. “Cada cidade tem uma energia única, e eu sinto que Fortaleza tem uma força afetiva e cultural muito especial. Estar aí com “JOB” é uma honra. É a chance de encontrar um novo público, com histórias e sensibilidades diferentes, e viver essa troca tão viva que só o teatro proporciona. Espero que as pessoas recebam a peça com o coração aberto — e que a experiência seja tão transformadora para elas quanto tem sido para mim”, afirma.
O processo
Para dar corpo e voz à protagonista, a veterana das novelas conta que passou por um processo emocionalmente desafiador. Por meio de relatos reais, entrevistas e depoimentos, Bin entrou em confronto com um universo inteiro desconhecido, que a atravessou profundamente. “Construir a Jane foi como montar um quebra-cabeça de fragilidades. Ela é alguém que se dedica a filtrar a violência do mundo digital, enquanto vai absorvendo aquilo para dentro de si, até que seu limite emocional se rompe. Dar corpo a esse colapso sem sensacionalismo, com respeito e verdade, foi o meu maior compromisso durante o processo. A Jane representa muitas pessoas que vivem silenciosamente à beira do esgotamento”, relata.
Desafiador também foi encontrar o equilíbrio entre a tensão pulsante e a representação da humanidade da personagem, ainda segundo a atriz. Para isso, Bin diz precisou de presença e uma escuta muito aguçada “O suspense no teatro não está só no texto, está no silêncio, no olhar, na hesitação, no que não se diz. A cada apresentação, construímos uma atmosfera emocional única, quase como um pacto coletivo. E para o público brasileiro, que é muito sensível e muito emocional, isso se torna ainda mais intenso. É bonito ver como eles entram nessa jornada com a gente”, comenta.
Impacto
Essa imersão constante na complexidade de Jane, aliás, ultrapassou os limites do palco e reverberou diretamente na vida pessoal da atriz, especialmente na maneira como passou a enxergar a relação com o universo digital. “Hoje, eu uso as redes com mais consciência. Me permito limites, pausas, silêncios. Entendi que, para estar bem no mundo real, eu preciso regular o que deixo entrar pela porta do mundo virtual. “JOB” me fez enxergar que saúde mental e uso da internet estão profundamente conectados — e que a gente precisa aprender a se proteger”, revela.
Essa transformação íntima também é justamente o que Bin deseja provocar em quem prestigia o espetáculo — não como uma lição, mas como um convite à reflexão. “Não quero que ninguém saia com uma resposta pronta — e sim com perguntas novas. Sobre autocuidado, sobre empatia, sobre o que a gente consome e sobre o que a gente permite que nos atravesse. A mensagem de “JOB” é, no fundo, um pedido de humanidade: que a gente se olhe mais, se escute mais e reconheça que ninguém aguenta carregar tudo sozinho”, conclui.
serviço
Espetáculo “JOB”
Na sexta (6), sábado (7) e domingo (8)
No Teatro Brasil Tropical
Horários: sexta e sábado às 20h; domingo às 17h
Ingressos entre R$ 80 e R$ 200
Vendas na Bilheteria do teatro ou no Sympla


















