Especialistas dão dicas de como retomar rotina de alimentação e atividades físicas após festividades de fim de ano

Após o período de festividades — marcado por mesas fartas, bebidas alcoólicas e interrupção da prática de exercícios — o organismo exige um retorno cuidadoso aos eixos. Para guiar você nessa jornada de volta à normalidade, Tapis Rouge traz especialistas que desmistificam fórmulas mágicas e apresentaram caminhos seguros para reconectar mente e corpo em 2026

Onivaldo Neto
onivaldo@ootimista.com.br

O início de um novo ano é tradicionalmente marcado pelo desejo de “recomeçar”, especialmente após a maratona de celebrações, geralmente regadas a excessos de álcool e alimentos pesados, que encerram o ano anterior. O desafio, no entanto, está em iniciar ou retomar hábitos mais saudáveis sem cair nas armadilhas das medidas drásticas ou treinos exaustivos. Para desmistificar essa volta aos eixos e mostrar como recuperar uma alimentação equilibrada e a prática de exercícios físicos sem sofrimento, Tapis Rouge traz o nutricionista Abelardo Lima e com o profissional de educação física Júlio César. Juntos, eles apontam caminhos possíveis para retomar o equilíbrio após as festas de fim de ano.

Comer bem e com responsabilidade
Ao contrário do que se possa imaginar como o correto, o primeiro passo para retomar uma alimentação equilibrada não é “cortar tudo” nem iniciar dietas restritivas de uma vez só. Segundo Abelardo, restabelecer a regularidade da rotina alimentar se torna prioridade nesse tipo de situação. “Isso significa, na prática: voltar a fazer refeições em horários relativamente fixos; evitar longos períodos em jejum seguidos de grandes volumes de comida; reorganizar o padrão alimentar do dia (café da manhã, almoço, jantar e lanches, quando necessários)”, aponta.

Ainda conforme o nutricionista, a retomada gradual de uma alimentação balanceada ao invés da restrição abrupta de alimentos proporciona uma melhor resposta do organismo, do ponto de vista fisiológico. “Após dias de ingestão elevada de álcool, gorduras e açúcares, o corpo se beneficia de: oferta adequada de energia; oferta balanceada de nutrientes; hidratação adequada. Portanto, o foco inicial deve ser normalizar o padrão alimentar, e não ‘compensar’ excessos passados”, orienta o coordenador do curso de Nutrição da Estácio Ceará.

Para isso, nas semanas iniciais pós-festas, alimentos in natura e minimamente processados devem ser priorizados na dieta. Conforme Abelardo, esses insumos irão favorecer a digestão e a hidratação, promovendo ainda um equilíbrio metabólico. “Frutas, verduras e legumes são ricos em fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos e auxiliam o funcionamento intestinal e a regulação do apetite. Fontes de proteína de boa qualidade, como ovos, peixes, frango e carnes magras ajudam na saciedade, manutenção da massa muscular e na recuperação metabólica após períodos de alimentação desorganizada. Carboidratos complexos e gorduras de boa qualidade também são indicados”, discorre.

Progresso gradual
Se a dieta organiza o metabolismo, é a atividade física que devolve o ritmo e a funcionalidade ao organismo. Sobre essa retomada do movimento, Júlio César alerta que o entusiasmo não deve atropelar os limites físicos. “O primeiro passo é reconhecer o ponto de partida atual do corpo, e não aquele que a pessoa tinha antes da pausa. Isso significa reduzir expectativas imediatas e priorizar uma retomada progressiva. Portanto, o ideal é iniciar com sessões de menor volume e intensidade, focando em reaprender movimentos, melhorar a mobilidade e restabelecer o hábito. A realização de uma avaliação física ou orientação profissional ajuda a individualizar esse retorno e reduzir riscos”, alerta.

E os perigos de ignorar essa progressão não são apenas teóricos. De acordo com o doutor em Ciências Médicas pela Universidade Federal Do Ceará (UFC), a pressa em recuperar o tempo perdido é o gatilho para complicações físicas e mentais. “O principal risco é a desproporção entre a carga aplicada e a capacidade do organismo. Isso pode gerar lesões musculares e articulares, como distensões, tendinites e dores lombares, além de fadiga excessiva. Do ponto de vista metabólico e cardiovascular, treinos muito intensos, sem adaptação prévia, aumentam o risco de mal-estar. Além disso, existe um efeito psicológico negativo: a frustração e o cansaço extremo tendem a reduzir a adesão ao exercício a médio prazo”, comenta.

Para evitar esse cenário negativo, o especialista sugere uma fórmula que une resistência e força de maneira segura. “Atividades cardiorrespiratórias de baixa a moderada intensidade ajudam a recuperar o condicionamento geral, melhorar a circulação e preparar o corpo para esforços maiores. Já a musculação é fundamental desde o início, pois contribui para a proteção das articulações, retomada da força e prevenção de lesões, desde que seja realizada com cargas reduzidas, boa técnica e progressão gradual. Portanto, o melhor caminho é integrar os dois de forma equilibrada e segura”, indica.

 

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