Especialistas apontam quando a harmonização facial pode feita em adolescentes e efeitos da realização sem a devida indicação

A harmonização facial está, cada vez mais, ganhando um novo público-alvo: os adolescentes. Mas esse tipo de procedimento é adequado para a faixa etária? Tapis Rouge traz especialistas na área para elucidar essa e outras questões sobre o tema

Onivaldo Neto
onivaldo@ootimista.com.br

O uso exagerado de filtros e a criação de trends e correntes relacionadas à beleza nas redes sociais têm contribuído para que adolescentes brasileiros busquem procedimentos estéticos mais cedo do que nunca. Segundo Filipe Martins, Doutor em Odontologia e especialista em Harmonização Orofacial, a realização desses procedimentos em adolescentes exige cuidados redobrados, principalmente por se tratar de um rosto ainda em formação. “A harmonização facial em adolescentes exige uma abordagem muito mais criteriosa do que em adultos, principalmente porque estamos diante de uma face que ainda está em desenvolvimento ósseo, muscular e cutâneo”, explica o especialista.

Eduarda Diógenes, dentista especialista em Harmonização Facial, também chama atenção para as mudanças naturais pelas quais o rosto adolescente ainda irá passar e recomenda que o procedimento não seja realizado nessa idade. “A adolescência é uma fase de transição, marcada por mudanças hormonais intensas e por um rosto que ainda está em desenvolvimento. Por isso, a harmonização facial estética com finalidade de embelezamento não é indicada para adolescentes”, comenta a especialista.

A realização do procedimento, principalmente intervenções volumizadoras ou estruturais, pode comprometer a harmonia facial futura e gerar resultados desproporcionais ao longo do tempo, de acordo com o Doutor em Odontologia. Além disso, do ponto de vista biológico, a pele jovem apresenta características que tornam muitos procedimentos desnecessários. “A produção de colágeno, proteína responsável pela firmeza e sustentação cutânea, encontra-se em níveis elevados na adolescência e no início da vida adulta”, aponta Martins.

Quando sim e quando não
Além da questão física, outro ponto de atenção nesse assunto é o aspecto emocional, como alerta Diógenes. “É fundamental entender que harmonização não deve ser usada como resposta a inseguranças típicas da adolescência. Nessa fase, o acompanhamento psicológico e a orientação adequada muitas vezes são mais importantes do que qualquer intervenção estética”, destaca a dentista.

Em complemento, Filipe salienta que a realização precoce dessas intervenções pode trazer consequências psicológicas importantes. “A realização precoce de procedimentos estéticos pode reforçar inseguranças, estimular dependência de intervenções e consolidar a ideia de que a aparência precisa ser constantemente modificada para aceitação social”, aponta. No entanto, pondera o especialista, há situações específicas e legítimas em que a harmonização facial pode ser considerada, como correções de assimetrias relevantes, sequelas traumáticas, malformações ou quadros que causem impacto psicossocial significativo.

Ainda assim, a decisão deve ser tomada de forma individualizada, com avaliação técnica rigorosa e consentimento dos responsáveis legais. “(…) são procedimentos com finalidade funcional ou reparadora, sempre com indicação criteriosa e dentro das normas éticas vigentes. A medicina estética responsável prioriza segurança, ética e maturidade”, acrescenta Eduarda.

 

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