Feiras e lojas colaborativas estão fazendo a roda da economia criativa girar em Fortaleza. Ocupar espaços públicos e dar visibilidade a pequenas marcas autorais estão entre os objetivos desses espaços construído a muitas mãos

Naara Vale
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Fortaleza tem sido tomada por feirinhas descoladas, com produtos dos mais variados, expositores orgulhosos de mostrar os trabalhos, na maioria das vezes, feitos ou criados por eles mesmos. O que muita gente não sabe é que, para além do mero comércio, existe ali um propósito, uma vontade de, juntos, fazer girar a economia criativa, desenvolver pequenos negócios, ocupar espaços públicos, oferecer ao público opções de passeios e de comprar diretamente dos produtores locais.

Dois dos espaços que mais têm movimentado a cena local com esses propósitos são a Auê Feira e a Babado Coletivo. Ambas acontecem em espaços públicos e, a cada edição, agregam mais de 120 expositores, a grande maioria, marcas autorais cearenses, que vendem desde roupas, acessórios e itens de papelaria a obras de artes e comida. “Nosso propósito é garantir uma programação gratuita que incentive a ocupação de espaços públicos com civilidade e segurança, e incentivar também a economia criativa, que se coloca em alternativa à programação e compras tradicionais nos shoppings e grandes magazines”, explica publicitária e produtora da Auê Feira, Mariana Marques.

Vitrine

Somente a Auê movimenta em média 200 mil visitantes por edição. A grande circulação de pessoas dos mais variados perfis tem sido uma vitrine para as pequenas marcas. “Muitas não têm condições ainda de manter uma loja física durante o mês inteiro. Além disso, é uma chance de testar uma marca ou um negócio sem assumir tantos riscos financeiros. Consumir local e do pequeno faz toda a diferença para a economia”, destaca Mariana Marques.

Participante mais recente da Auê, o Ateliê Marias e Franciscos foi um dos que sentiu a diferença que esses espaços fazem. “A credibilidade das pessoas em ver o produto faz toda a diferença. Como trabalhamos com personalização, as pessoas veem na feira e encomendam depois. A repercussão na produtividade é altamente significativa”, conta a professora e empresária Cristiane Almeida.

A feira Babado Coletivo nasceu exatamente dessa vontade de produtores locais que queriam mostrar seus produtos, interagir diretamente com os clientes, mas não tinham onde. Doze marcas deram o pontapé inicial. Hoje, são 120 participando. “Quem participa de feira, tem o objetivo de vender, mas também de divulgar seu trabalho. Às vezes, na feira ela não vende tanto, mas consegue divulgar a sua marca. E o ambiente gera muito mais do que o valor econômico, gera um convívio entre os produtores e os clientes”, ressalta Hadji Aires, um dos organizadores da Babado Coletivo.

VEM AÍ

AUÊ FEIRA

A Auê Feira acontece mensalmente desde junho de 2018, sempre no segundo final de semana do mês. Em julho e dezembro são realizados dois eventos. A 21ª edição ocorre hoje (7) e amanhã (8), das 16h às 22h, na Praça das Flores (av. Desembargador Moreira s/n – Aldeota). A próxima será nos dias 21 e 22 de dezembro. Participam 150 expositores, sendo 100 de variedades e os demais de gastronomia, diversão e projetos.

MERCADO DA TERRA

Em sua primeira edição, o Mercado Terra será neste sábado (7), a partir das 16h, na calçada da loja Terra Brasilis (r. Ana Bilhar, 1001). A feira vai reunir produtos de diversos artistas locais como o Oicos Grupo Criativo, Anelise Grieser, Didi Caracas, Gi Atelier, Alumiar, Roberto Dias, Chico Filho, Da Villa, Erico Gondim, Sea Wood, Nereide Figueirêdo e Bone Ceramics. Além dos expositores, a feira oferecerá música ao vivo e comidinhas. A ideia é que o evento seja realizado três vezes ao ano.

BABADO COLETIVO 

A primeira edição da Babado Coletivo foi realiza há seis anos em um restaurante fechado com 12 expositores. Hoje, a feira soma mais de 100 expositores dos mais diferentes produtos. A próxima Babado Coletivo ocorre nos dias 14, 15 e 16 de dezembro, das 17h às 22h, na Praça da Imprensa (av. Antônio Sales esquina com av. Desembargador Moreira – Dionísio Torres).

Um espaço para todos

Além das feiras, lojas colaborativas estão fazendo a economia criativa de Fortaleza crescer. Aberta em 2014, a Elabore reúne em seu espaço físico produtos de diversas marcas autorais. Cerca de 70% delas são cearenses. Além de oferecer espaço físico para as pequenas marcas comercializarem seus produtos (como outras lojas colaborativas fora do Ceará já faziam), a Elabore ajuda essas marcas a crescerem até ganharem autonomia. “A gente tenta agregar as marcas como se fossem um grupo mesmo, uma família. A gente tem uma política de fazer o contrário, de se juntar para fazer tudo junto, todo mundo crescer junto, uma concorrência saudável”, pontua uma das proprietárias da loja, Larissa Praxedes.

O objetivo tem dado tão certo que a própria loja cresceu e saiu de um espaço de 50m² para um casarão recém-inaugurado (Rua Marcos Macedo, 287 – Aldeota), que disponibiliza aos clientes um café, espaço para jogos, estúdio de fotografia, sala de reunião e treinamento e salas de reuniões privadas. Uma parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado do Ceará (Sebrae) garante aos produtores abrigados ali uma capacitação constante e a possibilidade de formalização das marcas. “Quando começamos, muita gente nem formalizado era. Hoje 100% das marcas são formalizadas e muitas delas já conseguiram crescer e ter seu próprio espaço”, comemora Larissa.

Serviço:
Elabore
Rua Marcos Macedo, 287 – Aldeota.
@elaborecs

Outros espaços colaborativos

Casa da Vila
Uma charmosa casa na Praia de Iracema que reúne roupas, acessórios, comidas e eventos. Entre as marcas presentes, Studio Orla, Manu Bittencourt Moda Praia, Las Batas e Eolic.
@casadavila

Alix Collab
Comandada pela influencer Alix Pinho, conta com marcas como Alix Brand, Letiti Biscoitos, Gamane Fitness e Didi Caracas
@alixcollab

Colabora
Tradicional espaço colaborativo da cidade, conta com brands como Store Bijoux, Green 86, Glowing Cow e Vidamache.

@colabora_loja

Foto: Igor de Melo/Divulgação