Daniel Chastinet e Wilson Neto abrem nesta quinta exposição Espaço Cultural Unifor

Resultado de uma temporada no país do sudeste europeu, exposição dos artistas cearenses Daniel Chastinet e Wilson Neto abre para visitação gratuita hoje (7), no Espaço Cultural Unifor, composta de 23 telas

Danielber Noronha 

danielber@ootimista.com.br

Algumas pessoas buscam inspiração para fazer fruir a arte a partir de memórias, sons ou até mesmo cheiros e sabores. No caso dos cearenses Daniel Chastinet e Wilson Neto, o lampejo para a criação de uma série de telas estava quase do outro lado do mundo, mais especificamente na Macedônia do Norte. A temporada que a dupla passou na cidade de Bitola, que mescla matizes do Oriente e do Ocidente, rendeu mais do que lembranças, trazendo à tona horizontes criativos e se materializando também em obras que poderão ser vistas de perto pelos fortalezenses a partir de hoje (7), em mostra no Espaço Cultural Unifor, com inauguração marcada para 19 horas.

A exposição Macedônia faz alusão ao país posicionado na Europa e, dentre outros objetivos, busca evidenciar a pluralidade cultural do lugar, advinda, em partes, da posição geográfica da região, que faz fronteira com países como Grécia, Albânia e Bulgária. As 23 telas em técnica mista sobre tecido que compõem a mostra também contam sobre expandir olhares e viajar nos detalhes do cotidiano, tudo em dupla.

Ao apresentar as obras aos mediadores, Daniel Chastinet afirma ter sentido uma familiaridade que brota, em grande parte, do fato de estar dialogando com conterrâneos, algo que ele espera também ser percebido pelo público geral. “Foi uma conexão local, como se fosse mais fácil explicar para as pessoas daqui do que de Brasília [onde a mostra também fez temporada]. As pessoas com vivências semelhantes às nossas conseguem entender melhor o que trouxemos de lá e o que apresentamos aqui. Tem um acolhimento diferente e mais calor humano”, evidencia o artista.

Já na perspectiva de Wilson Neto, explanar para Fortaleza traz ares de conclusão de um ciclo. “Embora todas as obras tenham sido feitas aqui, depois mostradas em Brasília, a impressão é que, por fim, chegamos à Macedônia, é como abrir as malas e poder mostrar as fotos e recordar como se fosse a primeira vez”, evidencia ele. 

As obras, define o curador da exposição, Aldonso Palácio Neto, estão impregnadas do olhar que a dupla lançou sobre aquele lugar, suas experiências, as pessoas, os sabores. “Trata-se muito mais da síntese e poética dos artistas de criarem juntos uma ficção caótica baseada nesta experiência em comum. Eles construíram uma espécie de colcha de retalhos de registros que remetem a pequenos ou grandes momentos, resenhas e digressões vividas tanto durante a viagem quanto na produção posterior em ateliê”, destaca o também colunista do O Otimista. “Após a estreia em Brasília, venho me convencendo cada vez mais que se trata de uma exposição sobre arte e amizade”, acrescenta. 

Recortes e memórias

Além das telas, a mostra traz também fotografias feitas durante a viagem e alguns cadernos produzidos durante a temporada no Exterior. “Tanto as fotografias como os cadernos de artista formam uma base visual que foi novamente digerida durante a produção das pinturas. Nada partiu da tela em branco, os artistas utilizaram tecidos que já possuíam uma carga imagética, de obras inacabadas a estamparia”, detalha Aldonso. 

O processo de criação das obras se desenrolou na maior parte em tempos de confinamento pandêmico e se tornou uma espécie de refúgio para os artistas. “Apesar de bagagens tão distintas, quando nos deparamos com o suco do processo, torna-se difícil a tarefa de distinguir onde um termina e o outro começa”, pontua o curador. Como novidade para a praça aberta em Fortaleza, a exposição ganhará um texto da escritora Ana Miranda especialmente criado para a ocasião, além de expografia do arquiteto Rodrigo Porto. Após passagem pela Capital, projeta o curador, Macedônia partirá para fechar o ciclo retornando à jovem república para uma última exibição na sua capital, Escópia. 

Bordados de Sanders

Também a partir de hoje, será aberta a exposição O céu não tem limite, do artista Mario Sanders, composta de desenhos, bordados, objetos e pinturas. A mostra reúne trabalhos de coleções públicas e privadas e tem curadoria de Izabel Gurgel. O artista nascido em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), apresenta pela primeira vez uma significativa produção de bordados, arte que começou a praticar há cerca de sete anos, indo ao encontro das raízes familiares, onde a prática do bordado está muito presente. Ambas as exposições estarão abertas à visitação por quatro meses.

Serviço

Exposição Macedônia 

Abertura hoje (7), às 19 horas

Espaço Cultural Unifor (avenida Washington Soares, 1321 – Edson Queiroz)

Visitação: de terça a sexta-feira, das 9h às 19h – sábados e domingos, das 10h às 18h 

Acesso gratuito

Mais: (85) 3477.3319

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