O momento de pandemia e isolamento social tem estressado pessoas e provocado a queda do cabelo. Profissionais da área dão dicas para amenizar ou mesmo solucionar o problema

Emanuel Furtado
emanuelfurtado@ootimista.com.br

O estresse é um dos fatores que mais contribui para a degeneração da nossa saúde mental. Nesse período de pandemia, com a mudança de hábitos e a rotina diferenciada, seja pela pressão no home office, as novas e desconhecidas obrigações dentro do lar, o excesso de convivência social interna e falta da vida social externa, o fato é que o problema tem acometido várias pessoas de várias formas. Com tudo isso, a queda do cabelo tem se tornado mais frequente.

A dermatologista Aline Piol tem observado, nos consultórios onde frequenta, o aumento da patologia chamada Eflúvio Tolágeno, que é a queda ocasionada por fatores como estresse, deficiência de vitaminas, múltiplas lavagens e o excesso do ato de prender o cabelo nesse período para se proteger do novo coronavírus. “Isso também faz com que se perca o fio”, diz ela, chamando atenção para a necessidade da procura de um especialista para a avaliação correta.

Pós-graduada em Cirurgia Dermatológica e Medicina Estética, Aline lembra que existem medicamentos de uso externo, como pomadas, cremes e tônicos, que podem ser usados para combater o problema. “Tem o Minoxidil (medicamento de uso externo que age aumentando a circulação sanguínea do couro cabeludo), que já é muito utilizado. É vendido até em lojas de cosméticos e estimula o crescimento de fio”.

A dermatologista destaca que devem ser suplementadas algumas vitaminas e minerais que fazem parte da formação do cabelo. “A gente pode estimular o crescimento, principalmente com suplementos à base de silício, suplementação de vitamina D, biotina. São ativos já bastante conhecidos que podem melhorar a formação de um novo cabelo nesse cenário que a gente tem a queda acentuada por conta do estresse”, explica.

Aline Piol chama atenção das profissionais da área de saúde que precisam usar touca e cabelo preso durante o uso constante de equipamento de proteção individual, utilizados durante essa pandemia. “É importante que, nos momentos em que estejam em casa, deixar o cabelo solto”. Ela também recomenda o uso de shampoos menos agressivos “para que seja evitado o enfraquecimento da fibra do cabelo”.

A profissional acredita também que pequenas mudanças de hábitos diários podem contribuir para melhorar a nossa saúde mental e, consequentemente, amenizar a perda dos fios. “Fazer atividade exposta ao sol, mesmo que seja na varanda da casa. O contato da pele como o sol estimula a vitamina D. Procure fazer exercícios de meditação e ter o cuidado com a aut estima, cuidar do cabelo, da pele. Pode ser uma ferramenta importante nesse momento”.

A terapeuta capilar Raquel Bessa, da Casa Linda Flor – que acabou de voltar com suas atividades de atendimento -, explica que o aumento do hormônio cortisol – responsável pelo estresse no organismo – é o principal fator para o aumento da queda de cabelo. “A produção exagerada dele pode ocasionar inflamações no couro cabeludo, impedindo a absorção dos nutrientes para os cabelos, provocando o enfraquecimento e a queda dos fios”, diz.

Raquel Bessa alerta que manter uma rotina de cuidados contribui para a preservação de manutenção dos fios capilares. “Os cabelos precisam estar sempre hidratados, com produtos que sejam adequados para o seu tipo. O procedimento deve ser realizado com frequência, pelo menos duas vezes por mês”.