A cerimônia tem ganhado cada vez mais protagonismo nas festas de casamento. Para tornar esse momento cheio de significados ainda mais emocionante, os casais têm procurado pelos celebrantes sociais. Conheça um pouco mais sobre esses profissionais

Texto:Naara Vale
naaravale@ootimista.com.br
Foto: Dario Coelho/Arquivo Pessoal

Escolher casar-se vai muito além do simples dividir uma cama (e as contas!). O casamento é a concretização do desejo de estar junto, o ápice de uma caminhada construída a dois, cheia de percalços e vitórias. A celebração desse momento com cerimônias repletas de emoção e histórias construídas pelo casal tem ganhado cada vez mais espaço. Para transmitir aos convidados esses sentimentos, os casais têm buscado os celebrantes sociais, profissionais que ajudam os noivos a relembrarem suas próprias histórias, a entenderem como e por que escolheram um ao outro e a contarem essa jornada durante o grande dia.

Em geral, os celebrantes não são ligados ao Estado nem à igreja e, portanto, a cerimônia conduzida por eles não tem efeito civil nem religioso. “O papel do celebrante é muito mais para colocar luz sobre aquele acontecimento. Como não sou uma autoridade do Estado nem da Igreja, estou lá muito mais para ajudar o casal a costurar sua própria história do que para validar a união”, explica Sarah Coelho, celebrante desde 2018.

No Ceará, ainda não há um levantamento de quantos profissionais atuam na área, mas quem está no mercado há mais tempo percebe aumento na concorrência e na demanda por celebrantes. Antes procurados basicamente por quem tinha algum impedimento para casar na igreja (como pessoas divorciadas e casais homoafetivos), ou que não se identificavam com cerimônias religiosas, hoje os celebrantes têm um público diverso e crescente. “Tive cliente extremamente religioso que fez a cerimônia comigo e também casou na igreja”, conta Naira Oliveira, celebrante há cinco anos.

Somente em 2019, ela celebrou 47 casamentos em Fortaleza. “A demanda é muito constante e muito alta. A beleza de fazer o trabalho de formiguinha, de mostrar para as pessoas que é possível fazer uma coisa detalhada, fez despertar o interesse. As pessoas não querem nada mais automatizado”, diz a profissional.

Mergulhar para personalizar

Atuando na área desde 2018, a jornalista Sarah Coelho encontrou na profissão de celebrante uma forma de contar histórias que não tinham espaço no jornalismo tradicional. Na época, alguns amigos próximos começaram a casar, mas não queriam o casamento religioso tradicional. Então, começaram a convidá-la para fazer a cerimônia. Não demorou muito para que os convites frequentes começassem a surgir.

Em 2019, a agenda começou a lotar, mas ela mesma colocou o pé no freio para conseguir entregar uma cerimônia minuciosamente personalizada para cada cliente. Para conseguir transmitir aos convidados a verdade do momento e concretizar em palavras os sentimentos que permeiam os noivos, o trabalho de Sarah começa muito antes do dia da cerimônia. São diversas entrevistas, encontros e buscas nas redes sociais. “Eu faço um verdadeiro mergulho para entender quais são os valores, qual é aquela história”, explica Sarah.

Segundo ela, seu papel é, através dos detalhes da história de cada casal, dizer aos convidados o que está sendo comemorado. “Como a gente está falando de seres humanos, de amores reais, esse caminho tende a gerar uma certa identificação. Quem está lá, acaba se identificando. Esse tipo de cerimônia acaba sendo mais coletiva”, diz a celebrante.

O casal Thiago Nascimento e Charles W. sabe bem o que é essa emoção coletiva no casamento. Depois de 10 anos juntos, os dois decidiram oficializar a união com uma cerimônia sem cunho religioso. Foi aí que buscaram por Sarah. “A gente teve a preocupação de escolher uma celebrante que não fizesse algo genérico e a sensação que eu tive foi que a Sarah construiu uma colcha de retalhos. Eu brinco muito dizendo que a gente fez uma terapia juntos”, relata Thiago.

Com o casamento marcado para junho de 2019, em setembro eles começaram a série de encontros e entrevistas. O resultado, conta, foi além do esperado. Numa das conversas, Thiago contou a Sarah que, da família toda, a única pessoa com quem nunca tinha falado sobre o relacionamento homoafetivo e sobre o casamento era com o avô porque era um idoso e ele se preocupava como seria sua reação.

Sem que Thiago soubesse, Sarah foi até os avós, conversou com eles e pediu para que o avô escrevesse uma carta de próprio punho falando do amor que sentia pelo neto. A carta foi entregue a Thiago minutos antes dele entrar na cerimônia. “Ali eu desabei. Essa é a magia de ter numa celebrante alguém que transforma detalhes numa coisa emocionante”, destaca Thiago.