Neste Dia das Mães, O Otimista traz histórias de mães e filhas que se atravessam no amor, na cumplicidade e também nas aptidões, seja de desenvolver projetos ou de encantar o mundo através da arte da cerâmica e da costura. Conheça e se encante
Danielber Noronha
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Dentre os irmãos, Lucilene Cavalcante, 57, foi a que mais absorveu a cultura de elaborar belas mesas postas para acompanhar almoços e jantares, prática aprendida com o pai. O costume virou tradição que acompanha seus 34 anos de casada, inspirando também a filha, Jamille Cavalcante, 29, a criar um apreço por este universo. Embora tenham trilhado caminhos diferentes durante muito tempo, sendo a mãe pela pedagogia e a filha pela arquitetura e urbanismo, ambas decidiram, há cerca de três anos, se lançar ao desconhecido, empreendendo justamente no ramo já tradicional no seio familiar. Juntas, criaram a marca Arte com Mesa Posta, que, além dos itens convencionais, aposta também em peças em cerâmica, confeccionadas pela própria arquiteta, para compor uma mesa.
Além de cuidarem de toda a parte de vendas, Jamille fica responsável pelas cerâmicas, enquanto Lucilene põe a mão na massa para bordar guardanapos e jogos americanos que arrematam as criações da filha, tudo elaborado em parceria. “Já fazia minhas peças, porque sempre gostei de roupa de mesa, mas precisei me aperfeiçoar para que as peças da marca ficassem do jeito que gostaria. Já a Jamille sempre foi muito habilidosa com as mãos e tem um olhar muito particular por conta da arquitetura, tirando inspiração para criar peças belíssimas”, conta a mãe com orgulho.
Sintonia
A parceria, porém, passa por um lugar de separar momentos e entender quando é a hora de serem família e quando é preciso tomar decisões para a marca. “Por ela ser a única mulher dentre os meus filhos, sempre tivemos uma excelente sintonia. No começo foi mais difícil, mas, depois, aprendemos a separar melhor as coisas”, detalha Lucilene.
Além do prazer de dividir tarefas com a mãe, destaca Jamille, a felicidade vem também da possibilidade de trabalhar com sonhos, memórias e expectativas. “É uma delícia ver a realização das pessoas ao receberem suas peças”, define. Para além disso, o que começou como um hobby já ganhou status de sonho partilhado pela dupla. “É muito gratificante ver o nosso crescimento como pessoa e empresa. Juntamos nosso amor e força para levar em frente esse nosso grande sonho e tem dado muito certo”, celebra Jamille.

Parceria de gerações
O escritório da arquiteta Danielle Valente Lopes, 52, está prestes a completar 30 anos e, apesar da experiência acumulada ao longo de décadas, ela costuma recorrer com frequência ao frescor do olhar da filha, Sophia Valente, 25. “Muitas vezes, envio estudos antes da apresentação ao cliente para ouvir a opinião objetiva e verdadeira que ela tem. É um novo olhar sobre meu trabalho por parte de quem respeito e admiro demais”, revela.
Segundo ela, apesar de Sophia apresentar um estilo mais moderno e despojado nos projetos, o olhar clínico da filha é algo que a impressiona e já rendeu várias colaborações. “Trabalhamos juntas, ela me assessorando, desenvolvendo alguns projetos, mas nunca assinando, pois sempre quis ter seu nome desvinculado do meu profissionalmente”, pondera a mãe.
Atualmente, a jovem arquiteta está passando uma temporada em São Paulo, justamente para se aprimorar na profissão e, apesar de não descartar certa influência por estar tão próxima deste universo, afirma ter escolhido o mesmo ramo de Danielle por afinidade. “Temos estilos e gostos bastante diferentes, mas quero levar comigo a mesma dedicação e ética profissional que sempre vi nela, buscando o melhor resultado final para o cliente”, ressalta. Hoje, mesmo com a distância, confirma a filha, as duas seguem trocando opiniões e conselhos sobre as obras.


















