Com realizadores e produções cearenses, Festival de Berlim reúne grande leva de produções nacionais

Considerada um dos três maiores festivais de cinema do mundo – ao lado de Cannes e Veneza –, a 76ª Berlinale movimenta o cenário cinematográfico internacional. Nesta edição, a potência criativa do Ceará se destaca no evento com a participação dos cineastas Karim Aïnouz, Allan Deberton e Janaína Marques, cujas obras e trabalho de direção reafirmam a força e o talento brasileiro no prestigiado circuito europeu

Onivaldo Neto
onivaldo@ootimista.com.br

Ideias e sonhos transformadas em arte audiovisual ganham os holofotes no 76º Festival de Berlim, a Berlinale, que teve início na quinta-feira (12), e segue até o próximo sábado (22). Segundo a própria diretora do evento, Tricia Tuttle, o forte da edição 2026 é a diversidade – de temas, de gêneros e de nacionalidades. Nessa mescla plural da atual exibição cinematográfica, o Brasil, que em 2025 ganhou o Urso de Prata pelo aclamado “O Último Azul” e, neste ano, tem representantes brasileiros concorrendo ao Urso de Ouro, surge com expressiva presença.

Dentre as participações nacionais, provavelmente, a mais destacada é a do cineasta cearense Karim Aïnouz (“Motel Destino”, 2024), um dos brasileiros que concorrem ao Urso de Ouro, ao lado da diretora Beth de Araújo, que também disputa o prêmio com “Josephine”. Ele retorna ao festival alemão após um intervalo de 12 anos. Sua última passagem pela mostra competitiva internacional ocorreu em 2014, com o longa “Praia do Futuro”, gravado no Ceará e protagonizado por Wagner Moura — esperança brasileira ao Oscar de Melhor Ator com O Agente Secreto.

Desta vez, no entanto, Karim desponta na competição com “Rosebush Pruning”, produção internacional realizada entre Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Espanha. Remake de “De Punhos Cerrados”, filme de 1965 do italiano Marco Bellocchio, a produção reúne estrelas de Hollywood no elenco, como Callum Turner, Elle Fanning e Pamela Anderson. Na Berlinale, o thriller dramático sobre uma família americana excêntrica e privilegiada ganha estreia exatamente neste sábado (14).

Ceará em Berlim
Além de Aïnouz, o DNA brasileiro também se faz presente no festival por meio de dez filmes nacionais independentes. Desse total, metade são produções realizadas fora do eixo Rio-São Paulo, sendo ainda duas delas do Ceará. “Fiz Um Foguete Imaginando que Você Vinha”, filme de estreia da cineasta Janaína Marques, é um dos títulos com certidão cearense. O longa integra a seção Fórum da Berlinale e terá primeira exibição na jornada cinematográfica no domingo (15), no Delphi Filmpalast.

Descrito como um road movie do inconsciente, o longa explora a imaginação como ferramenta de sobrevivência e reconciliação ao narrar a história de Rosa, personagem vivida por Verônica Cavalcanti. Durante uma ressonância magnética, a protagonista viaja pelo subconsciente e revisita a própria trajetória por meio de uma memória inventada com a mãe. Filmada principalmente em Quixadá, a produção — assinada pelas cearenses Delírio Filmes e Moçambique Audiovisual — chegará às salas de cinema em setembro deste ano.

Com filmagens coincidentemente também realizadas em Quixadá, “Feito Pipa”, do premiado diretor Allan Deberton (“Pacarrete”, 2019), é o segundo longa do Estado a integrar o festival internacional. Estrelado por Lázaro Ramos, o filme tem estreia mundial na mostra competitiva Generation e também está confirmado na seleção do Teddy Award, o mais antigo e importante prêmio dedicado ao cinema queer no mundo. Centrada em um menino de 12 anos que sonha em se tornar jogador de futebol, a narrativa mergulha em temas sensíveis e profundamente humanos.

Além do territorial
O recorte brasileiro na Berlinale vai além da representatividade territorial e também revela um cenário esperançoso em relação à equidade de gênero no cinema. Neste ano, metade dos filmes nacionais selecionados é dirigido por mulheres — índice superior à média geral do evento, que registra 44% de diretoras e codiretoras. Tal recorte dialoga diretamente com a essência do festival alemão, consolidado ao longo das décadas como uma vitrine para cinematografias diversas e propostas autorais, além de abir espaço para presença de realizadores negros e LGBTQIA+.

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