Com polêmicas e desfalques no elenco, “Pânico 7” chega aos cinemas com a missão de provar que ainda há fôlego na franquia

“Pânico”, franquia que redefiniu o gênero slasher, ganha novo fôlego com o lançamento do sétimo longa nesta quinta-feira (26). Em meio a baixas no elenco e polêmicas recentes, produção aposta no retorno de Sidney Prescott como trunfo narrativo e emocional, buscando resgatar a força da nostalgia enquanto posiciona a saga para um novo momento

Onivaldo Neto
onivaldo@ootimista.com.br

Com o cenário de bastidores tão aterrorizante quanto as perseguições em tela, estreia nesta quinta-feira, 26, nos cinemas brasileiros, “Pânico 7”. Cercado por debates que extrapolam a sétima arte, o novo capítulo da saga ganha os holofotes após uma reformulação forçada por crises contratuais e posicionamentos políticos. Sem Jenna Ortega (“Wandinha”, 2022) e Melissa Barreira (“Abigail”, 2024), protagonistas dos últimos dois longas da franquia, o novo filme tenta provar que a marca “Pânico” é maior do que as polêmicas que quase assolaram o projeto nos últimos meses.

Novo alvo

Neste novo ano, a franquia traz de volta a personagem Sidney Prescott, interpretada por Neve Campbell. Em uma fase de vida vulnerável, mas resiliente, a protagonista vive em uma cidade pacata, se dedicando exclusivamente à criação da filha, Tatum Evans – vivida por Isabel May. No entanto, a tranquilidade é interrompida pelo surgimento de um novo Ghostface, que elege a herdeira de Sidney como o próximo alvo. Forçada a revisitar traumas que tentou deixar para trás, Prescott assume o papel de protetora definitiva, transformando a perseguição em um confronto final para tentar encerrar, de uma vez por todas, o ciclo de violência que a persegue há décadas.

Crise nos bastidores
Diferente dos dois últimos capítulos, que injetaram fôlego novo à franquia, “Pânico 7” é o primeiro filme a não contar com as irmãs Carpenter. A ausência de Melissa Barrera e Jenna Ortega é o ponto mais sensível da produção. Barrera foi afastada pela produtora Spyglass Media Group em novembro de 2023 após se posicionar publicamente a favor da Palestina no conflito entre Israel e o Hamas, descrevendo a situação como “limpeza étnica”. A empresa alegou “tolerância zero à incitação ao ódio” como motivo do desligamento.

Christopher Landon, diretor que havia assumido o comando da franquia, também anunciou saída em dezembro de 2023 em solidariedade a Melissa. Em um desabafo nas redes sociais, Landon descreveu a experiência como um “trabalho dos sonhos que se transformou em pesadelo”, evidenciando o desgaste interno após as decisões da produtora. O efeito dominó também atingiu Jenna Ortega — um dos maiores nomes de Hollywood na atualidade. Em entrevista à The Cut, ela explicou que preferiu não prosseguir quando o time de diretores e a equipe por quem se apaixonou mudaram.

Marketing polêmico
A campanha de lançamento de filme levou o engajamento dos fãs a um novo patamar, mas não sem polêmicas. Em uma parceria inédita, a Paramount Pictures e a plataforma de previsões Kalshi lançaram a ação “Survival Odds” (Probabilidades de Sobrevivência). A iniciativa apresenta estatísticas sobre as chances de cada personagem resistir ao Ghostface, o que gerou comparações imediatas com sites de apostas tradicionais. Embora não seja um patrocínio direto de uma “casa de bet“, a estratégia foi criticada por parte do público por transformar o destino trágico dos personagens em um jogo de lances, evidenciando uma abordagem agressiva e mercadológica para manter o burburinho em torno do longa.

O resgate de Prescott

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(Foto: Divulgação)

Diante do esvaziamento do elenco jovem e das críticas do público, a produção recorreu à sua figura mais emblemática: Sidney Prescott, a sobrevivente definitiva feita pela atriz Neve Campbell. No entanto, vale lembrar que Campbell ficou de fora de “Pânico 6” após um impasse público sobre seu salário, alegando que a oferta recebida não condizia com o valor que ela agregou à franquia ao longo de mais de 25 anos. Com as saídas de Barrera e Ortega, porém, a Spyglass e os produtores reabriram as negociações, cedendo às exigências da atriz para garantir que o sétimo filme tivesse um rosto familiar capaz de atrair os fãs nostálgicos. O retorno de Sidney é visto pelo mercado como uma manobra de “gestão de danos” para salvar a bilheteria e devolver legitimidade à saga após um período de intensa turbulência.

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Filme “Pânico 7”
Estreia nesta quinta-feira (26), nos cinemas nacionais
Thriller/Terror
Classificação
indicativa 18 anos

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