Entre fios e memórias, a arte encontra novas formas de ocupar a cidade. É a partir dessa perspectiva que a artista Maria Valdênia apresenta o fotolivro “Bordando a Vida”, nesta quarta-feira (11), no IMPARH. Ao Tapis Rouge, ela divide mais detalhes da publicação, que reflete sobre memória, envelhecimento e troca de saberes entre gerações
Onivaldo Neto
onivaldo@ootimista.com.br
O que resta de um encontro quando as agulhas param e a praça esvazia? Para a artista Maria Valdênia, a resposta está no papel. Como um desdobramento de uma performance relacional realizada em espaços públicos de Fortaleza durante o mês de fevereiro, nasce o fotolivro bilíngue (português e inglês) “Bordando a Vida”. A obra é um convite tátil para refletir sobre o envelhecimento, a memória e a troca de saberes entre gerações através do bordado.
Já tendo tido um primeiro lançamento no Dia Internacional da Mulher (8), a publicação ganha nova estreia nesta quarta-feira (11), às 9h, no pátio do IMPARH. Gratuita e aberta ao público, a ocasião contará com intérprete de Libras e presença das artistas envolvidas no projeto, além da distribuição gratuita da publicação e disponibilização de tecidos para que o público possa bordar coletivamente.
Do efêmero ao concreto
A publicação foge do formato tradicional e se apresenta como um conjunto de postais, reunindo nove imagens de cada uma das quatro performances realizadas. No verso, o leitor encontra detalhes sobre a ação artística e um guia provocativo que o incentiva a iniciar seu próprio bordado. Sobre a transição da técnica para as páginas, Maria explica, com exclusividade ao Tapis Rouge, que partiu do desejo de eternizar o momento: “Surgiu justamente pela performance ser algo efêmero que nunca mais vai acontecer novamente. Você pode muito bem fazer uma performance em vários lugares, mas ela sempre vai ser diferente. Então decidimos que a performance precisava ganhar uma forma que ela ficasse física, e com isso surgiu a ideia do fotolivro“, detalha.
Ainda segundo a artista, a curadoria da publicação, assinada por Eduardo Bruno, buscou capturar a essência das interações nas quatro praças percorridas, transformando a experiência que não se tem como capturar em algo guardado e concreto. “Ele pegou alguns momentos dessa performance e fez um levantamento. (…) porque a performance realmente, ela é uma experiência efêmera, é uma experiência que você não tem como segurar, a não ser que você fotografe ou filme. Então, foi dessa forma”, comenta.
Saber sem idade
Embora concebido inicialmente com foco no público idoso, o projeto revelou-se um ponto de conexão com a juventude. Para a artista, a obra carrega uma mensagem de abertura ao novo: “Acredito que a reflexão principal é a possibilidade de você aprender algo novo independente da idade. O projeto foi pensado como uma performance relacional com pessoas idosas, mas muitas pessoas jovens também participaram e elas saíram de lá satisfeitas e alegres. Então, acredito que a principal reflexão seria essa: ‘Não há tempo certo para se aprender algo novo, contanto que você se disponha a aprender’”, reflete.
serviço
Fotolivro “Bordando a Vida”
Lançamento nesta quarta-feira (11), às 9h
No Pátio do IMPARH (Avenida João Pessoa, nº 5609, Damas)
Acesso gratuito


















