Estrelado por Kingsley Ben-Adir, cinebiografia do cantor jamaicano Bob Marley foca na carreira e nos dilemas que cercaram o maior nome do reggae mundial
Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br
Em 1981, faleceu o cantor Bob Marley, aos 36 anos. Ele deixou uma legião incomensurável de fãs pelo mundo, cravando um lugar no estrelato como o maior nome do reggae. A trajetória de vida dele, apesar de curta, foi acompanhada de feitos quase inacreditáveis. Mesmo diante de tudo isso, ele ainda não havia ganhado uma cinebiografia própria, até agora. Isto porque esta semana o filme Bob Marley: One Love, ocupa as telonas de todo o Brasil.
O responsável por encarnar Robert Nesta Marley OM, o eterno Bob Marley, é o ator Kingsley Ben-Adir, que traz no currículo trabalhos como Barbie (2023), onde interpretou uma das versões do boneco Ken, e a série da Marvel Invasão Secreta, na pele do vilão Gravik. Quem também saiu direto do Universo Cinematográfico Marvel (da sigla em inglês MCU) para o filme foi Lashana Lynch. Ela interpreta a capitã Maria Rambeau no recente As Marvels (2023). Em One Love, a atriz vive Rita Marley, esposa do astro jamaicano.
Com direção de Reinaldo Marcus Green (King Richard: Criando Campeãs), a produção relembra momentos emblemáticos da carreira do cantor, que se viu adorado por multidões em seu país de origem, além de retratar as dificuldades sofridas pelos familiares e conhecidos dele.
O filme também ajuda a dimensionar as visões de ativista e pacificador, características tão presentes nas letras e nas atitudes do artista. À medida em que ia crescendo musicalmente, chegando a ultrapassar a marca de 75 milhões de discos vendidos ao redor do globo, Marley percebia que podia usar a voz para lutar contra o racismo fortemente presente nas estruturas sociais da Jamaica e até mesmo atuar para aplacar a guerra civil que assolava aquele território.
Episódios de resistência
Na década de 1970, a ilha da Jamaica estava sob fortes tensões, dominada pela milícia e no meio de fortes problemas políticos. Por outro lado, Bob Marley tentava manter uma postura de neutralidade, embora sua música movimentasse milhares de eleitores. Em 3 de dezembro de 1976, sete homens armados entraram na casa do cantor para tentar matá-lo, fato que será mostrado no filme. Apesar dos mais de 80 tiros disparados, ninguém foi morto. Apesar de nunca ter sido solucionado, especula-se até hoje que o ocorrido foi motivado por questões de cunho político.
Após este fatídico dia, Marley e a esposa decidiram ir morar em Londres. O exílio não durou muito, pois o jamaicano sabia que seus conterrâneos clamavam por ele. Dois anos mais tarde, em 1978, o cantor conseguiu o que parecia ser impossível: reunir o primeiro-ministro jamaicano, Michael Manley, e Edward Seage, líder do partido da oposição, para que fizessem um juramento de paz durante um show dele, para milhares de espectadores. O episódio ficou conhecido como o dia que One Love estancou a guerra civil.
Estes e outros acenos confirmam que Bob Marley era, sobretudo, um homem de fé, tanto que faleceu por evitar os tratamentos mais indicados para tratar um câncer que descobriu no dedão do pé, uma vez que a religião defendida por ele não permitia a amputação de partes do corpo. O filme tem pela frente justamente a missão de mostrar, além do lado artístico, a figura humana por trás da voz inconfundível do reggae. No projeto, estão envolvidos os filhos do artista, Ziggy e Cedella Marley, que assinam a produção ao lado de ninguém menos que Brad Pitt. Que a obra faça jus a este ícone e seja um refúgio para os fãs mergulharem na nostálgica trajetória dessa figura que partiu de maneira tão precoce!
Serviço
Bob Marley: One Love
Nos cinemas brasileiros
Duração: 1h47min
Classificação indicativa: 16 anos



















