O Centro Industrial do Ceará (CIC) comemorou, na noite desta quinta-feira (21/11), no auditório Waldyr Diogo, da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), uma jornada de 100 anos, marcada por importantes contribuições da instituição para o desenvolvimento industrial, econômico e social do Ceará. A celebração do fato ganha particular relevância num momento em que, mais uma vez, na história do Brasil, se faz necessário e vital apoiar instâncias de discussões democráticas sobre o melhor rumo para a economia e sociedade brasileira.

Na ocasião, também foi feita a assinatura do acordo de colaboração técnica entre Fiec, CIC e Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), o lançamento do livro “CIC 100 ANOS” e o documentário sobre a entidade.

Com a presença de 22 ex-presidentes da casa, que ao final do evento foram homenageados com placas alusivas ao centenário, o atual dirigente do CIC, André de Freitas Siqueira, destacou que a instituição entra numa nova etapa de renovação, onde agora quem participa são os filhos dos antigos membros, mas que também vem conseguindo atrair novos filiados. “Aos poucos a gente vai conseguindo dar um novo dinamismo e atrair novos membros e com, eles, novas ideias, permitindo assim pensar um novo CIC a cada momento”.

Siqueira diz que sua gestão pretende enfrentar um desafio muito grande: o combate ao excesso de burocracia. E destaca que, em um curto espaço de tempo, conseguiram, de forma simples, mas muito abrangente, mapear os principais gargalos burocráticos que afetam quem empreende no Ceará, seja no comércio, indústria, agropecuária ou no serviço. “Apontamos isso ao estado de maneira a contribuir com soluções para reduzir esses gargalos. O desafio do CIC é atrair novas pessoas, jovens para que novos pensamentos e novas ideias possam fluir dentro da entidade”.

O senador Tasso Jereissati (PSDB/CE), principal convidado do evento por ter marcado um momento importante na trajetória da instituição quando presidente (1981/83), lembra que um dos momentos mais importantes do CIC foi durante a fase em que José Flávio Costa Lima, na época presidente da Fiec, convidou um grupo de jovens empresários para assumir o CIC e que daí surgiu um movimento muito forte, que até hoje persiste e que, ao longo desses anos, tem sido a vanguarda do pensamento político e empresarial no Ceará. E dentro daquela nova fase, Tasso Jereissati diz que não poderia deixar de citar o líder inesquecível que foi Beni Veras (Benedito Clayton Veras Alcântara/1935-2015), presidente do CIC entre 1978/1980, “por isso não tem como não pensarmos nele num dia como o de hoje”.

O deputado federal Mauro Benevides Filho (PDT/CE) lembra que o CIC, no início, compôs o papel alternativo de divulgador do pensamento da indústria aqui do Ceará, iniciado pelo movimento que o próprio senador Tasso Jereissati compreendeu como necessário naquele momento. A grande tarefa do CIC foi compreender que a contribuição das ações que o setor público deveria tomar tinha que ser, primeiro, em parceria com o setor industrial, afinal quem gera emprego é o empresário. O setor público tem que criar as condições para que a economia se desenvolva, Então, essa postura de não pensar somente em si, na empresa, mas o Estado como um todo (na geração de emprego, na redução das desigualdades) acho que esse foi o grande papel que fez o CIC se consolidar muito rapidamente e, hoje, pela longevidade que apresenta, pé uma demonstração inequívoca de que o alicerce gerado no começo permanece até hoje”.

Referência

Jorge Parente, ex-presidente do CIC (1995-97), diz que a instituição cearense é, hoje, uma referência no cenário econômico e institucional brasileiro porque promoveu uma inflexão na forma da gestão política e econômica do estado do Ceará. “Com a eleição do Tasso (ex-presidente do CIC à época) a governador, o que ele preconizava foi implementado no Ceará e essas mudanças acarretaram equilíbrio fiscal ao estado o que, até hoje, o Brasil não tem”. Segundo Parente, o Governo Federal implementou o modelo cearense de gestão fiscal e, com isso, passou a ter um orçamento público como parâmetro para controlar o déficit público. “Essa é a maior referência que o CIC pode ter, sem falar na linha de responsabilidade fiscal que fez com que o Ceará, até hoje, com tantos estados sem condições para pagar sequer o 13º salário, tenha condições de investir em Educação, tornando-se referência também para o país”.

E já que o assunto é educação, o empresário do ramo educacional, reitor do Centro Universitário 7 de Setembro e também ex-presidente do CIC (1993-94), Ednilton Soares, diz que “se tem uma instituição importante no Ceará é o CIC”, por ter desenvolvido um papel muito importante no cenário industrial e da sociedade cearense. “Critica quando precisa criticar, exalta quando precisa exaltar e faz projetos importantes para o desenvolvimento do cCeará”, diz. Para ele, o papel mais importante da casa foi posicionar o industrial cearense como protagonista da política. “Por isso é bom comemorar uma trajetória de 100 anos que fez diferença no ambiente empresarial do Estado”.

O coordenador da Plataforma Ceará 2050, Francisco José Lima Matos (ex-presidente do CIC entre 1998-2000) destaca como sendo o momento da instituição o rompimento do sistema corporativo tradicional da indústria que passou a ter, no CIC, um centro de debates da sociedade. “Particularmente, na minha gestão, nós trouxemos para o debate desde a economia mundial, como quando discutimos o tema com o primeiro vice-presidente de Portugal, até sociologia e filosofia”. O objetivo era fazer com que os diretores do CIC percebessem melhor a humanidade e a sociedade. Nos 100 anos da casa, Lima Matos destaca a publicação de um livro com todos os ex-presidente até àquela época contando sua experiência à frente da instituição, a discussão sobre as diferenças sociais no estado, o eterno combate à pobreza, de nos dar a capacidade perceber e aproveitar as riquezas da terra e, sobretudo, de buscar um governo que lutasse pelo desenvolvimento do estado. “O CIC, a partir de Tasso, foi uma entidade da sociedade que conseguiu transformar o Ceará e torna-lo um modelo para o Brasil”, concluiu.

Dados

CIC: Fundado em 27 de julho de 1919

O que é: Sociedade civil sem fins lucrativos constituída por pessoas físicas e jurídicas que exercem atividades industriais ou afins que objetiva o desenvolvimento econômico-social sustentável do Ceará, sem perder de vista o contexto regional e nacional, participando ativamente da discussão e formulação das políticas propostas.

Missão: Envolver empresas, sociedade e governo na promoção coletiva do desenvolvimento sustentável do Ceará para ser um efetivo agente de mudanças sociais,

Receberam placas comemorativas os ex-presidentes, por ordem

  1. Tasso Ribeiro Jereissati (1981/1983)
  2. Francisco de Assis Machado Neto (1985/1987)
  3. Amarílio Proença de Macêdo (1980/1981)
  4. Sérgio de Sousa Alcântara (2000/2001), que recebeu a placa em nome do pai, Beni Veras (1978/1980), e depois como ex-presidente do CIC*
  5. Urbano Costa Lima, que recebeu a placa em nome do pai, José Flávio Costa Lima (1977-1978)
  6. Francisco Antônio de Alcântara Macêdo (1994/1995)
  7. Lauro Fiúza Júnior (1989/1991)
  8. Ednilton Gomes Soárez (1993/1994)
  9. Francisco José Lima Matos (1998/2000)
  10. Jorge Parente Frota Júnior (1995/1997)
  11. Cândido da Silveira Quinderé (1986-1987)
  12. Fernando Cirino Gurgel (1987/1989)
  13. Alexandre Pereira Silva (2004/2005)
  14. Alberto Jorge Barros Saboya, que recebeu a placa em nome do pai, José Frederico Thomé de Sabóya e Silva (1991/1993)
  15. João Baltazar, que recebeu a placa em nome do pai, Francisco Baltazar Neto (2006/2008)
  16. Robinson Passos de Castro e Silva (2008/2010)
  17. Marcos Flávio Borges Pinheiro (2002/2003)
  18. Vivian Nicolle Barbosa de Alcântara (2012/2014)
  19. Roseane Oliveira de Medeiros (2010/2012)
  20. Aloysio Ramalho de Souza Filho (2016/2018)
  21. José Dias de Vasconcelos (2014/2016)

*Sérgio de Sousa Alcântara (4º) e Beni Veras (5º)