Mais ou menos na época em que Jesus Cristo viveu, os imperadores de Roma já faziam o roteiro que viajantes do mundo todo fazem hoje em dia para aproveitar a Costa Amalfitana e a ilha de Capri. Esta última chegou a receber casas construídas pelos imperadores Agusto e Tibério (antecessor do lendário Calígula).

As razões para os homens mais poderosos do mundo de então se encantarem por esse trecho de litoral ao sul de Nápoles e pela ilha são as mesmas que hoje atraem celebridades, milionários ou turistas comuns: as águas em diferentes tons de azul no Mar Tirreno, o calor do verão, as belas paisagens que as encostas à beira mar propiciam, grutas e cavernas esculpidas nas rochas e vilas charmosas.

O passar dos anos adicionou a essa lista construções com diferentes influências – principalmente árabes, bizantinas e barrocas – e itens como os badalados beach clubs; hotéis glamourosos; lojas de alto luxo; restaurantes contemporâneos premiados e os de gastronomia tradicional italiana, que dispensa apresentações e, claro, o vai e vem dos iates e cruzeiros.

A região se estende por aproximadamente 60 km, de Punta Campanella, ao sul de Nápoles, até Vietri Sul Mare, próximo a Salerno. Olhando o mapa da Itália, é mais da metade pra baixo da “canela da bota”, e tem cidades como a íngreme Positano (as casas nas encostas lembram a Grécia); Ravello, que sedia um tradicional festival de música, e Amalfi, a principal da região.

A Costa Amalfitana é um lugar que enche os olhos de quem visita de todas as formas: de barco, de carro, ou em trilha ou de bike pelas estradas vicinais que nascem na Statale 163, ou rodovia Amalfitana. A estrada é sinuosa e estreita e no verão costuma ter congestionamentos enormes, além disso há poucas vagas para estacionar, mas as vistas – com plantações, as vilas e o mar variando entre o verde e o azul, compensam.

Amalfi, mais ou menos no meio da Statale 163, foi um importante centro de navegação na Idade Média, controlando toda a movimentação de barcos do Mediterrâneo com as Tavole Amalfitane, o código marítimo mais antigo do mundo. Apesar dos preços altos, está sempre cheia de turistas que têm a cidade como base na região. Além da Grotta Azzurra, um gruta com água de tom azul vivo, tem como principais atrativos construídos a catedral Duomo di Sant’Andrea e o Museo della Carta.

A Duomo foi erguida no século 9 e, em diferentes reformas, recebeu elementos de diferentes escolas estilísticas. Ao lado tem ainda o Chiostro del Paradi Paradiso, um cemitério para religiosos e personalidades da região construído em estilo árabe. Já o Museo foi uma fábrica de papel por séculos e mostra a importância do artigo para as comunicações.

A pequena Positano é tão bonita de dia quanto à noite, quando a encosta fica iluminada pelas casas. Além de praias como Spiaggia Grande ou Fornillo, abriga outra gruta famosa, a Grotta dello Smeraldo, a trilha de Sentiero degli Dei, que liga Positano e Amalfi (vale uma parada em Furore, um vilarejo cheio de murais) e a Chiesa Santa Maria Assunta, adornada por uma cúpula de cerâmica colorida.

Já na ilha de Capri, não deixe de conferir o roteiro das casas dos imperadores. Quem mais construiu por lá foi Tibério: 12 casas ao todo, das quais restam ruínas de três, que integravam a Villa Jovis. Uma das ilhas mais badaladas da Europa, tem ainda atrativos como a Piazza Umberto I, cercada de construções históricas e carinhosamente conhecida como “piazzeta”, e o monastério Certosa di San Giacomo.