Trabalhos de 34 artistas do Ceará irão integrar a exposição “A Obra”, montada para celebrar os cinco anos da galeria Casa D’Alva, dirigida por José Guedes. Para além de um espaço de aquisição de obras, a galeria foi pensada para propagar a história da arte

Naara Vale
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A galeria Casa D’Alva, concebida pelo artista plástico José Guedes, completa cinco anos de existência nesta quinta-feira (12/2). A data será celebrada com a abertura da exposição “A Obra”, que vai reunir trabalhos de 34 artistas do Ceará (não necessariamente cearenses) de diferentes gerações, tendências e técnicas. A mostra apresenta pinturas, desenhos, esculturas, fotografias, objetos, instalações, vídeo, colagem e, em alguns momentos, uma mistura de técnicas e mídias. “A Obra” será aberta às 19h30 dodia 12 de dezembro e segue em cartaz até dia 29 de fevereiro de 2020.

Nomes como Eduardo Eloy, Sergio Helle, o próprio Zé Guedes, Maciej Babinski, Rian Fontenele, Roberto Galvão, Rodrigo Frota, Weaver Lima e Beatriz Fiuza estão entre os artistas que terão obras na exposição “As obras foram escolhidas em comum acordo com o artista convidado pelo grau de relevância e representatividade dentro do atual momento ou da trajetória desse artista. Pode-se dizer que houve uma curadoria compartilhada”, conta o diretor da galeria, José Guedes.

Segundo José Guedes, a ideia é que esse formato de exposição entre na agenda oficial da galeria. “Minha pretensão era fazer uma mostra que fizesse um panorama do que se faz atualmente no Ceará, mas em resumo”, explica o artista.

A Casa

Instalada na antiga casa da mãe de José Guedes, a Dona Dalva, a galeria surgiu de uma vontade pessoal do curador de não apenas criar uma loja de obras de arte. Ali seria o espaço onde poderia dar continuidade ao seu trabalho como curador – realizado ao longo de 20 anos à frente da Casa de Cultura Raimundo Cela e do Museu de Arte Contemporânea do Dragão do Mar – e também local de propagar a história da arte. “Eu quero um espaço que seja viabilizado financeiramente, mas que cada exposição conte uma história. Todas as exposições que a gente fez tiveram esse propósito de enriquecer o conhecimento da cidade com relação à história da arte local, nacional e, quem sabe, internacional”, explica o diretor da galeria.

Não à toa, a primeira exposição do local foi com obras do cearense consagrado internacionalmente Aldemir Martins. Mas diferente das telas de gatos e cangaceiros que o público está acostumado a ver, a exposição “Aldemir Martins – Desenho Solar” apresentou apenas os desenhos pertencentes ao acervo pessoal do artista, como a vencedora da Bienal de Veneza de 1955, o famoso Pássaro Olé.

Despois disso, outras 11 exposições já passaram pela Casa. Ao longo desses cinco anos, o espaço também se abriu para debates sobre artes com críticos e historiadores locais e nacionais, como Rodrigo de Castro, Olivio Tavares de Araújo, Daniela Bousso, Roberto Galvão, entre outros. Tanta movimentação na cena local tem garantido um público cativo à galeria. Segundo Guedes, os vernissages da Casa D’Alva têm recebido uma média de 300 a 400 pessoas.

A boa aceitação tem sido um estímulo a mais para que o artista siga na missão de garimpar e trazer para dentro de uma galeria comercial obras de alta qualidade e que, de fato, ajudem a cidade a compreender mais sobre arte. “Não vou expor nada aqui que seja simplesmente vendável. O colecionador já sabe que aqui ele vai ter um produto que é importante dentro da trajetória daquele artista, que está ligado à história da arte. A venda é só uma consequência”, destaca o diretor.

Serviço:
Mostra “A Obra”
Abertura no dia 12 de dezembro, às 19h30
Casa D’Alva (R. João Brígido, 948 – Joaquim Távora)
Em cartaz até o dia 29 de fevereiro, de segunda a sexta, das 10 às 19; e aos sábados, das 10h às 14h.

Foto: Edimar Soares