Sob um sólido tripé de formação, produção e difusão, a Casa Amarela Eusélio Oliveira chega aos 50 anos de atividades. As celebrações começam nesta quinta-feira (17), com a abertura da exposição virtual “Os Habitantes”, de Celso Oliveira. As ações seguem até o final do ano
Naara Vale
naaravale@ootimista.com.br
Meio século de história e muito a celebrar. Nesta quinta-feira (17), a Casa Amarela Eusélio Oliveira (CAEO) dá início às comemorações dos seus 50 anos de fundação com uma série de atividades que seguem até o fim do ano. Equipamento cultural da Universidade Federal do Ceará (UFC), a Casa Amarela foi um dos espaços pioneiros na formação de fotógrafos, cineastas e realizadores audiovisuais do Norte-Nordeste. Após 50 anos, ela segue como uma das grandes referências na área, atuando no tripé formação, produção e difusão.
Criada em 1971, como Cinema de Arte Universitário, o equipamento depois passou a ser chamado de Casa Amarela e, em 1991, em homenagem ao seu fundador, Casa Amarela Eusélio Oliveira. “É um equipamento de extensão da UFC, mas também aberto à comunidade e que tem um legado fundamental para a história do audiovisual cearense, nordestino e brasileiro”, diz Wolney Oliveira, cineasta e diretor do equipamento.
Para ele, a potência que o Ceará apresenta hoje na fotografia, no cinema e na animação, tanto em relação à produção quanto à difusão, são reflexos diretos do trabalho da Casa Amarela ao longo dessas cinco décadas. “Esse trabalho pioneiro do professor e cineasta Eusélio Oliveira, meu saudoso pai e primeiro professor de cinema, foi fundamental e continua sendo na construção de todas essas políticas públicas que acontecem no Estado. A Casa sempre foi esse polo fundamental de convergência de formação, produção e difusão”, destaca o diretor, ressaltando a participação do equipamento nos momentos cruciais para elaboração de políticas públicas e realização de eventos, como festivais de cinema, que ajudam a difundir o audiovisual cearense.
Aluno da Casa Amarela no final da década de 1980, o cineasta Gláuber Filho aponta o curso básico de cinema como fundamental na sua carreira. “Foi o ponto de partida para um processo de formação dentro da área de cinema. Essa foi a grande importância da Casa Amarela para mim. A partir dali foi que fui buscar outras especializações, outras experiências com o cinema, mas o porto seguro foi o curso de formação na Casa Amarela”, diz o diretor de filmes como “As Mães de Chico Xavier” (2011), codirigido com Halder Gomes, e “Bezerra de Menezes: o diário de um espírito” (2008), codirigido com Joe Pimentel, outro nome que passou pela formação do equipamento.
Programação
As celebrações de aniversário serão abertas nesta quinta-feira (17), com a exposição virtual “Os Habitantes”, que vai reunir 50 fotografias de Celso Oliveira, fazendo um passeio pelos mais de 40 anos de trabalho do fotógrafo. A mostra integra o ciclo de exposições eletrônicas da CAEO, o “Revela 50”, e poderá ser visitada no site www.caeo.ufc.br e na página da CAEO no Facebook (@casaamarelaufc). Outra atividade é “50 anos em Segundos”, uma série de 10 depoimentos em vídeo gravados por personalidades do cinema, da cultura e da educação cearense, sobre sua relação com a Casa Amarela.
O cinema de animação também será homenageado com o “Anima 50”, uma série de 10 curtas animados de até 30 segundos com temática relacionada às cinco décadas da Casa Amarela. O primeiro, que será lançado até o final de junho nos canais da instituição na web, é de Telmo Carvalho, que assina a curadoria da série com Mariana Medina.
Novidades
Sob a curadoria de Celso Oliveira, quando as atividades presenciais na UFC voltarem, será inaugurada a Varanda Fotográfica Maurício Albano, novo espaço da Casa Amarela Eusélio Oliveira, na qual estarão reunidas (em exposição permanente) imagens de fotógrafos que passaram pelo equipamento nesses 50 anos.
Além disso, está programada a reinauguração do Cine Benjamin Abrahão, que completa 40 anos em agosto e há cinco anos está fechado. Com capacidade para 140 espectadores, o cinema foi totalmente reformado e terá uma sala de exibição digital de última geração.
Nos planos de ampliação e renovação da CAEO estão ainda a criação do Memorial do Cinema Brasileiro, um museu do cinema inteiramente digital e interativo que funcionará nos moldes do Museu da Língua Portuguesa, de São Paulo. O projeto foi apresentado em fevereiro de 2020 à UFC e ao Governo do Estado e agora aguarda aprovação. “Esse é o nosso sonho, mas esta ampliação definitiva com verticalização da Casa Amarela Eusélio Oliveira depende da viabilização de recursos a médio prazo”, diz Wolney.
Serviço:
50 anos da Casa Amarela Eusélio Oliveira
Abertura com a exposição virtual “Os Habitantes”, de Celso Oliveira
A partir de hoje (17)
www.caeo.ufc.br e página da CAEO no Facebook (@casaamarelaufc).


















