Camila Rodrigues, nova gestora do Dragão do Mar, compartilha planos de parcerias e diálogos para futuro do equipamento

Nova superintendente do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Camila Rodrigues fala ao Tapis Rouge do desafio de reposicionar equipamento como polo catalisador de inovações, além de articulações com o setor privado e a sociedade civil

Sâmya Mesquita
samya@ootimista.com.br

Grande parte dos fortalezenses têm pelo menos uma experiência com o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. O equipamento do Governo do Estado do Ceará, palco de shows, exposições e diversos encontros, está sob nova gestão. Camila Rodrigues, uma gestora que carrega na bagagem duas décadas de dedicação à cultura, tem uma missão clara: transformar o Dragão em um espaço ainda mais plural, acessível e conectado com o entorno da Praia de Iracema.]Camila não é nova no Dragão.

Com cinco anos de experiência no espaço em questão e passagens por equipamentos como a Estação das Artes e o Instituto Mirante, ela conhece como poucos os desafios e as potencialidades do complexo cultural. Agora, gerindo um local que dialoga com um grande polo cultural, que abrange equipamentos como o Teatro São José e a Biblioteca Estadual do Ceará (Bece), ela busca institucionalizar parcerias e investimentos privados, prezando pela sustentabilidade e sem perder de vista a democratização do acesso, conforme explana em entrevista exclusiva ao Tapis Rouge. Confira!

Tapis Rouge – Como surgiu o convite para gerir o Dragão do Mar?
Camila – Estou no campo da gestão desde 2014, então já são mais ou menos 10 anos, né? E no campo da cultura, estou há pelo menos 20 anos. É algo que faz parte da minha vida. A cultura está em mim desde sempre. Sempre tive o propósito de trabalhar com arte e cultura. Já estive no Dragão antes, na ação cultural. Conheço esse complexo e tenho uma experiência de pelo menos cinco anos aqui. Depois consegui fazer uma gestão compartilhada do Sobrado Zé Lourenço. Isso me introduziu a outros equipamentos além do Dragão do Mar. Fui convidada para compor a equipe de implantação da gestão do Instituto Mirante. Então, atuei em sete equipamentos: o Centro Cultural do Cariri, a Estação das Artes, o Sobrado — que entrou para o Instituto Mirante —, o Centro Cultural do Cariri, a Pinacoteca do Ceará, o Mercado AlimentaCE e o Museu Ferroviário Estação João Felipe. E, naquele momento, contribuí com uma equipe muito desafiadora. Foi um momento bem desafiador de inserir esses equipamentos dentro do contexto da política cultural a partir dos instrumentos da cultura. Foi quando surgiu a possibilidade de vir para o Dragão do Mar.

“A cultura está em mim desde sempre”

Tapis Rouge – Hoje, quais os maiores desafios do Dragão do Mar?
Camila – São muitas camadas. No entanto, o contexto favorece muito para que a gente encontre soluções inovadoras. O que eu sempre digo é que não conseguimos fazer nada sozinhos. Então, o foco aqui é atuar em parceria, atuar em colaboração. Estamos dentro de um território que tem mais três equipamentos da Secretaria da Cultura do Ceará: o Hub Cultural Porto Dragão, o Porto Iracema das Artes, a Biblioteca Pública Estadual do Ceará e o Dragão do Mar. E o Dragão está inserido dentro de um território criativo. Temos ali outros equipamentos da própria Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza, como o Centro Cultural Belchior, o Teatro São José e alguns outros pontos de cultura e coletivos. E se estendermos um pouco mais para o Centro, temos o Complexo Estação das Artes. Então, estamos em um polo criativo muito importante para o estado do Ceará e o Dragão do Mar pode ser um catalisador de articulação, tanto do campo público quanto do campo privado. O plano de fato é a articulação entre todos esses agentes. Universidade, empresas, empresários, enfim. Estruturar e institucionalizar para que a gente consiga trazer investimento privado para o Dragão do Mar. A sustentabilidade é um ponto que passa por muitos equipamentos, mas aqui vai ser um foco.

Tapis Rouge – Como pretende articular esses diálogos entre um equipamento público com o setor privado?
Camila – Temos um horizonte de atuação no setor privado de institucionalizar para que a gente consiga ter patronos, amigos do Dragão do Mar. Todo mundo tem uma memória afetiva com o Dragão: ou já teve alguma história de romance, ou já viu uma grande palestra, ou já passou por uma grande exposição ou show. Então, é preciso engajar as pessoas através dessa memória. E, obviamente, também trabalhando com leis de incentivo, que já é um mecanismo utilizado pelo próprio Instituto Dragão do Mar. Isso não é uma novidade, já é um direcionamento para os equipamentos entenderem que há outras fontes de recursos que precisam ser captadas.

Tapis Rouge – O Dragão vem desse processo de democratização de acessos desde a gestão da Helena Barbosa, atual secretária de Cultura de Fortaleza. Como pretende continuar esse processo de ampliação de acessos, trazendo especialmente o público para empreendimentos circunvizinhos?
Camila – Acho que é importante falar sobre o que foi trabalhado na gestão da Helena. Mas penso que hoje estamos em outro momento de uma configuração política muito favorável para que a cultura seja muito estratégica nesse lugar. Então, podemos até ampliar nossas ações, como foi o caso das carteirinhas, que permitem que pessoas de outros territórios possam visitar o espaço. Também existe uma circulação de pessoas, já que aqui é uma zona onde todo mundo pode circular. A cultura já traz essa cidadania para todas as pessoas. Então, é muito importante investir nessa cidadania cultural, onde as pessoas possam transitar nos equipamentos culturais sem nenhum tipo de restrição — do ponto de vista de segurança mesmo. Em breve, a obra da praça do Dragão vai ser entregue, que é algo que acaba deixando a circulação um pouco mais restrita. A previsão é para ainda para este ano. E quando a praça abrir, trará uma renovação: uma praça nova, reformada, revitalizada. Isso também já atrai a curiosidade das pessoas.

“A previsão de entrega da reforma da praça do Dragão é para ainda este ano”

Tapis Rouge – Como pretende fortalecer a relação com os artistas que se apresentam no Dragão ou que querem participar mais do espaço?
Camila – Dentro da minha atuação no campo artístico, há um histórico de diálogo com os artistas. Em todos os lugares onde passei, sempre houve um momento de escuta e retorno. A construção coletiva é sempre essa pactuação com os artistas, porque a gestão tem que estar aberta e ser permeável a todas essas demandas, tem que ser sensível ao que está sendo dito pela classe artística como um todo: a área técnica, os artistas… Hoje, temos um edital, o Cena Ocupa. Ele é fruto de um debate que não se encerra. Temos que dar continuidade, chamar os fóruns de cultura, das linguagens, para pactuarmos sobre como se dá essa ocupação. O Dragão do Mar é isso, uma potência de multi linguagens e expressões! E tem essa centralidade dentro da estratégia de promoção da cultura cearense, quando se fala desses grandes eventos. E isso também é uma maneira de promover esses artistas nossos para outros festivais, outros eventos de música. Por exemplo, o Hub Cultural Porto Dragão é um grande parceiro nesse caso, porque ele trabalha muito com a economia da cultura, nessa circulação de artistas.

Tapis Rouge – Por fim, qual a sua visão de futuro para o Dragão?
Camila – A minha visão é muito positiva. O Dragão pode ser um catalisador de inovações, de encontros. Um lugar onde as pessoas possam retomar grandes debates, mas também possam ficar em tranquilidade, fluindo pelo equipamento. Visualizo o Dragão do Mar como sendo esse espaço de encontros e de possibilidades.

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